Sabemos que todas as formas de vida estão interligadas. Uma vez que essas cadeias são alteradas, as consequências atingem diversas espécies, inclusive o ser humano. Mas muitas vezes não sabemos exatamente como essa interdependência ocorre. Você sabia que a sobrevivência das espécies de jacarés é essencial para a abundância de peixes e não proliferação de doenças? Sim! Apesar de ser um bicho perigoso, deixar que o jacaré viva e se reproduza é o melhor para o equilíbrio da vida de forma geral.

O veterinário Luiz Alberto Samartano, da Green Farm, contou ao CicloVivo exatamente como esse processo acontece. “Vários animais alimentam-se dos restos de carne deixados por uma única onça-pintada, que não come um veado inteiro, por exemplo, após abatê-lo. Com o jacaré não é diferente; outras espécies dependem dele”, explica. “O jacaré-de-papo-amarelo, por exemplo, gosta de comer moluscos (caramujos), hospedeiro do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose (barriga da água). Por outro lado, as fezes dos jacarés são ricas em nitrogênio, nutriente essencial para o desenvolvimento do fitoplâncton, base alimentar dos peixes pequenos e de todos os outros peixes quando menores, chamados alevinos. Os peixes menores são alimento dos maiores e assim por diante. Então, o melhor a fazer é deixar os jacarés em paz, para o bem da natureza e para o nosso próprio bem”, conclui.

Na Green Farm (conheça o projeto), há um espaço reservado para a preservação de jacarés-do-papo-amarelo. Acompanhe o trabalho desse empreendimento com outros animais através do blog.

Por André Cordeiro – CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.