Os impactos negativos da política ambiental brasileira não se restringem aos danos causados ao meio ambiente, mas também ameaça a exportação de produtos nacionais para outros mercados, como o europeu.

Na semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, o parlamento holandês votou contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, usando como argumento o risco de que o desmatamento na Amazônia cresça ainda mais com a sua aprovação.

O pedido foi apresentado pelo Partido pelos Animais e acatado pelo parlamento. Os ecologista solicitaram ainda que o governo holandês se oponha ao acordo em todas as instâncias europeias. Outros países já declararam que não tem a intenção de aprovar o acordo nas atuais circunstâncias, entre eles França, Irlanda e Austria, cujo parlamento também rejeitou o acordo.

Boicote aos produtos brasileiros

Além das retaliações políticas e governamentais, um forte movimento popular está pedindo que as três maiores redes de supermercado da Alemanha não comprem mais produtos brasileiros. Em protesto pela escalada do desmatamento na Amazônia, mais de 300 mil alemães já assinaram um abaixo assinado com esta solicitação.   

No documento, lançado pela ONG Campact, há menção ao PL da Grilagem, o PL 2633 que transita na Câmara e propõe a flexibilização das regras de regularização fundiária no Brasil. O projeto veio em substituição da PL da Grilagem, que desde o princípio traz em seu texto medidas que podem incentivar ainda mais o desmatamento e as invasões de terras da união, em especial na Amazônia e Cerrado.  

Caso as três maiores redes de supermercado alemãs acatem o pedido, produtos brasileiro perdem até 70% no mercado varejista do país.

Carta aberta a senadores e deputados

Os britânicos também reagiram à política ambiental do atual governo brasileiro e ameaçam boicotar os produtos do país. Uma carta aberta foi enviada aos senadores e deputados em Brasília por cerca de 40 signatários, entre eles as redes de supermercados mais importantes do Reino Unido, como Tesco, Sainsbury’s, Morrisons e Marks & Spencer, a rede Burger King, o fundo público de pensões sueco AP7 e outras empresas de gestão de investimentos.

Na carta, as redes de supermercado ameaçaram boicotar produtos brasileiros caso a PL da Grilagem fosse aprovada. “Se a medida for adotada, isso fomentaria ainda mais a apropriação de terras e o desmatamento em grande escala, o que colocaria em risco a sobrevivência da Amazônia e os objetivos climáticos do Acordo de Paris”, diz o documento. “Acreditamos que também colocaria em risco a capacidade de empresas como as nossas de seguir comprando do Brasil”.