Guajajara
Foto: Cimi
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Em novembro de 2019 teve grande repercussão a morte do indígena Paulo Paulino Guajajara. Em comunicado, a Funai disse que haveria a partir de então “presença maciça das forças de segurança na região por um período contínuo”. Mas, o que se viu na última terça-feira foi mais uma vítima: Zezico Rodrigues Guajajara. Ambos pertenciam ao Guardiões da Floresta, grupo que de forma independente e organizada atua para inibir madeireiros e invasores em terras indígenas.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Zezico foi encontrado morto por volta do meio-dia, no dia 31 de março, na estrada vicinal que liga a MA-006 à aldeia Zutiwa, nas proximidades da região conhecida como Matinha.

Zezico era líder Guajajara pertencente à comunidade indígena da aldeia Zutiwa, no município de Arame, no Maranhão. Também era professor da rede pública estadual, diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru, localizado na Terra Indígena (TI) Arariboia, além de estudante do curso de Licenciatura Intercultural na Universidade Federal de Goiás (UFG).

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O Cimi disse em nota que, como liderança, Zezico “posicionava-se contra a derrubada da floresta e vinha denunciando a crescente presença de invasores e o roubo de madeira na Terra Indígena Arariboia”. Também chamou atenção para o fato de que, no último dia 29, Zezico havia sido nomeado coordenador regional da Comissão de Caciques e Lideranças da TI Arariboia.

“Com o assassinato de Zezico Rodrigues, o número de homicídios registrados contra indígenas do povo Guajajara desde o ano 2000 chega a 49 – sendo 48 deles no Maranhão e um no Pará. Apenas nos dois últimos meses de 2019, quatro indígenas Guajajara foram assassinados”, afirmou a Cimi. “Era também um defensor dos direitos do grupo Awá-Guajá que vive em situação de isolamento voluntário na TI Arariboia. O assédio cotidiano de invasores numa terra com presença de indígenas isolados, grave por si só, torna-se ainda mais preocupante em meio à pandemia global do coronavírus”, reforçou a instituição.

Em nota, a organização ambiental WWF corrobora que está havendo um “extermínio dos defensores da floresta”, confira abaixo:

É com pesar, preocupação e indignação que o WWF-Brasil recebe a notícia do assassinato de mais uma liderança da Terra Indígena Arariboia, no centro-oeste do estado do Maranhão. Como em outros casos ocorridos em 2019, a morte de Zezico Rodrigues Guajajara também foi violenta. O diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuzu foi encontrado morto a tiros em estrada próxima à aldeia Zutiwa, no município de Arame, em 31 de março de 2020.

Assim como Paulinho Guajajara, brutalmente assassinado em 2019, Zezico também integrava os Guardiões da Floresta, grupo criado em 2007, depois do massacre e da morte de Tomé Guajajara. Hoje o grupo reúne cerca de 120 indígenas que fazem uma fiscalização ambiental independente e se opõem ao roubo de madeira dentro de suas terras.

O assassinato de lideranças Guajajara se dá em um contexto de crescentes invasões à Terra Indígena Arariboia. De acordo com dados do Instituto Socioambiental (ISA), entre setembro de 2018 e outubro de 2019, foram abertos 1.248 quilômetros de ramais para exploração ilegal de madeira no território e detectados 4.863 alertas de exploração ilegal de madeira.

Esse aumento das invasões e da exploração ilegal de madeira, por sua vez, se dá em um contexto de crescente leniência do governo federal em relação a tais crimes e um retrocesso ambiental sem precedentes. Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência, houve uma disparada no desmatamento e na violência no campo, seja porque a atuação dos órgãos federais de fiscalização diminuiu drasticamente, seja porque o Governo Federal envia a todo momento sinais concretos de que legalizará invasões de terras públicas, como aconteceu com a edição da Medida Provisória 910.

É inaceitável que continuemos nesse caminho. O país não aguenta mais ver mortes e ameaças àqueles que defendem o direito à sobrevivência de seu povo e o bem estar de toda a sociedade brasileira. Chega de assassinatos de ativistas ambientais. O WWF-Brasil se solidariza com o povo Guajajara e todos os demais brasileiros que lutam por seus direitos e seus territórios.

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