Os paulistanos já conhecem os estragos causados pelas fortes chuvas que caem na metrópole nesta época do ano, mas nem todo mundo sabe que os temporais que castigam São Paulo estão ficando cada vez piores – e nem sempre a culpa é só da natureza.

O cenário caótico que assola a cidade de São Paulo nas tardes de verão é resultado do encontro de uma massa de umidade formada na Amazônia com as altas temperaturas da região sudeste. No entanto, as precipitações são agravadas pela ocupação desordenada da metrópole, que passa por um fenômeno conhecido como “aquecimento local”, que forma ilhas de calor no perímetro urbano.

A partir daí, fica fácil compreender porque as chuvas são mais fortes na cidade: com o alto número de construções e o solo impermeabilizado, o concreto potencializa as altas temperaturas do verão. Assim, no início da tarde, as ondas de calor sobem para a atmosfera e carregam mais ainda as densas nuvens que vêm da Amazônia – quanto maior o volume das nuvens, mais intensas são as precipitações.

Outro fator que piora o cenário das tempestades de verão é o descaso com as árvores da cidade, já que, sem o cuidado necessário, elas caem e causam falta de energia em várias localidades. O bairro dos Jardins, na zona sul, ficou mais de 30h sem energia entre a última segunda (18) e a última terça-feira (19).

Com uma gestão ambiental irresponsável, a capital paulista tem árvores plantadas em locais inadequados, espécies que são podadas de forma irregular, canteiros que são cimentados e até árvores que sofrem com infestações de fungos e cupins, que enfraquecem os troncos, deixando-os mais vulneráveis às quedas.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) acredita que, a longo prazo, o aumento da temperatura na Terra poderá provocar um impacto no volume das chuvas do Brasil. Isso significa que os temporais podem piorar na região metropolitana de São Paulo, se não forem adotadas mais políticas de sustentabilidade. Com informações da Folha de S. Paulo e da Veja.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.