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Estudo revela impactos ambientais das bitucas de cigarro

Com milhares de substâncias potencialmente tóxicas, 4,5 trilhões de bitucas são descartadas de forma inadequada por ano no planeta

Published 26/08/2024
Bituca ou gimba de cigarro jogado em gramado

Bitucas são itens poluentes que muitas vezes não têm o descarte correto. Foto: iStock

Além do potencial para provocar graves incêndios, as bitucas de cigarro são um resíduo muito comum que têm um impacto ambiental negativo – e que precisam ter sempre o descarte correto. Infelizmente, é muito comum ver fumante jogando suas bitucas no chão (muitas vezes ainda acesas) sem o menor constrangimento.

Estima-se que, dos 5,5 trilhões de cigarros produzidos anualmente em todo o mundo, 4,5 trilhões de bitucas sejam descartadas de forma inadequada.

Na contramão deste comportamento, uma pesquisa realizada por equipes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com o apoio do Instituto para o Controle Global do Tabaco (IGTC) da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, Instituto Nacional do Câncer (INCA) e da ACT Promoção de Saúde, mostra o impacto ambiental do descarte inadequado de bitucas de cigarro.

Para se ter uma ideia, as bitucas de cigarro, que normalmente consistem em uma pequena porção do cigarro que não foi queimada e plástico não-biodegradável, contêm milhares de substâncias potencialmente tóxicas, como metais, hidrocarbonetos, compostos nitrogenados, aminas aromáticas, entre outras.

Foto: Pixabay

Como parte do estudo, foram coletadas mais de 4,3 mil bitucas de cigarro em vias públicas, entre março e abril de 2023. Ao coletar as bitucas de cigarro, os pesquisadores realizaram experimentos para estimar a taxa de poluição das bitucas com base no Índice de Poluição das bitucas de cigarro (CBPI), contendo seis classes de poluição que variam de “muito baixa” a “severa”.

Depois de considerar outras influências ambientais, como o tipo de solo e a precipitação anual, verificou-se que os contaminantes resultantes das bitucas de cigarro geraram um nível “severo” de poluição ambiental, com estimativas de vazamento de contaminantes atingindo proporções alarmantes.

“Além de tudo o que sabemos sobre os efeitos tóxicos do uso do tabaco entre os seres humanos e os impactos ambientais da cadeia produtiva do tabaco, como a degradação do solo e o desmatamento, este estudo demonstra que a poluição do cigarro ocorre também em uma taxa severa depois que os produtos são consumidos e descartados indevidamente”, disse Graziele Grilo, Coordenadora Sênior do Programa de Pesquisa e Líder Regional para a América Latina do IGTC.

De acordo com o IGTC, esses resultados também enfatizam a importância de proibir o uso de filtros nos cigarros, o que não apenas reduziria o impacto ambiental do lixo de bituca de cigarro (já que os filtros não são biodegradáveis), mas também poria fim às falsas alegações de menor risco associadas aos filtros que são usadas pela indústria do tabaco há décadas.

Foto: Daniele Fotia | Unsplash

“Já temos pesquisas indicando que os filtros não trazem benefícios à saúde para as pessoas que usam cigarros, e sua utilização pelas empresas e alegações enganosas a seu respeito realmente ajudam a tornar o produto ainda mais atraente para os adolescentes – o efeito dessas alegações apenas serve aos interesses da indústria do tabaco”, ressalta Graziela. “As descobertas do nosso estudo sobre seu impacto ambiental podem apoiar os esforços existentes para banir os filtros de cigarros por meio de políticas destinadas a reduzir a poluição plástica”.

A identificação da marca não é comum em monitoramentos deste tipo, mas foi uma consideração singular deste estudo. As marcas de cigarros foram identificadas por meio de logotipos ou nomes em mais de 80% das bitucas coletadas, sendo que mais de 57% foram identificadas como tendo sido fabricadas pela BAT Brasil ou Philip Morris Brasil.

Com estas informações, os pesquisadores foram capazes de indicar também uma estimativa do mercado ilegal com base em um estudo realizado em áreas urbanas do município de Guarujá, no estado de São Paulo.

A identificação da marca também possibilitou estimar o status de legalidade dos produtos encontrados nas áreas pesquisadas, com base na lista de marcas aprovadas pela Anvisa. Os resultados indicaram semelhanças entre a presença de bitucas de cigarro ilícitas nas áreas pesquisadas da cidade de Guarujá e da cidade vizinha de Santos (com base em estimativas anteriores utilizando a mesma metodologia).

Foto: iStock

“Embora a existência de marcas e logotipos nas bitucas de cigarro represente valor de marketing pós-consumo para as empresas de tabaco, o fato de termos conseguido identificar as marcas nas bitucas dos cigarros descartados neste estudo também é um passo essencial para responsabilizar as empresas. Isso é especialmente importante para embasar ações que busquem indenização das empresas pelos danos à saúde”, comentou Mariana Pinho, Coordenadora de Projetos do Projeto Tabaco da ACT Promoção de Saúde. “Dessa forma, também poderíamos considerar a adoção de mecanismos de compensação ambiental pelas autoridades competentes para reparar os impactos causados pelas bitucas de cigarro, tais como a criação de um fundo de protecão ambiental, taxas de impacto ambiental, entre outros”, acrescentou.

Para acessar o estudo completo, clique AQUI.

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