Somente em janeiro, a devastação da floresta tropical amazônica foi de 280 km2, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O número é mais que o dobro do ano passado, quando comparado com o mesmo período. Três agentes de proteção ambiental confirmaram à Reuters que o desmatamento teve início mais cedo.

Mesmo com todos os alertas de organizações ambientais e cientistas, não há sinais de que o desmatamento na Amazônia será mais controlado em 2020. Pelo contrário, o ano já começa com o recorde de desmatamento: é a maior área degradada no mês janeiro desde 2015, ano em que o sistema Deter entrou em funcionamento.

A Agência AFP trouxe uma retrospectiva dos anos anteriores: Em janeiro de 2019, a área desmatada era de 136 km2, em janeiro de 2018, foi de 183 km2 e, em 2017, havia sido de 58 km2.

A situação surpreendeu até agentes ambientais. Em entrevista, um deles contou que “o desmatamento começou mais cedo, então a gente foi mais cedo para campo”. Já outro afirmou que acreditava que haveria uma queda no desmate, mas encontrou madeireiros com maquinário pesado e até “serrarias móveis”. O nomes dos entrevistados foram protegidos, uma vez que em 2019 o Ibama foi proibido de atender às solicitações da imprensa sem autorização prévia do Ministério do Meio Ambiente.

Outras notícias preocupantes para a área ambiental estão em pauta. Na última quarta-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro assinou projeto de lei que regulamenta mineração, produção de petróleo, gás e geração de energia elétrica em terras indígenas. No dia seguinte foi publicado no Diário Oficial da União um decreto do presidente que exclui a participação da sociedade civil no conselho deliberativo do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). O Fundo criado em 1989 visa apoiar projetos socioambientais e iniciativas de conservação e de uso sustentável dos recursos naturais.