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Na manhã desta terça-feira (15) a usina nuclear de Fukushima, no Japão, sofreu mais explosões nos reatores 2 e 4, em consequência do terremoto, seguido por tsunami, ocorrido na última sexta-feira (11) nas proximidades da costa japonesa. 

A radiação na usina chega a ser 20 vezes maior do que os índices normais a que são expostos os funcionários do setor nuclear. Até segunda-feira (14) as autoridades japonesas tentavam acalmar a população dizendo que a usina não traria riscos à saúde. No entanto, após os acontecimentos recentes constatou-se que a radiação foi liberada na atmosfera.

Diante desse cenário foi feito um alerta para que a população evite sair de casa, para não terem contato com o ar contaminado. Além disso, 140 mil pessoas que moram na região de Fukushima foram retiradas de suas casas para evitar possíveis riscos de contaminação.

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Mesmo que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenha informado que os níveis de radiação na área tenham sido reduzidos nas últimas seis horas, muitos cuidados ainda devem ser tomados para evitar que o acidente se torne um desastre como o ocorrido em Chernobyl, na Rússia, há 25 anos.

Europa

Após o acidente ocorrido na usina nuclear de Fukushima, autoridades em diversas partes do mundo resolveram rever a construção e funcionamento de suas usinas nucleares.

A maioria dos países da Europa possuem centrais nucleares. A França é a que mais utiliza o sistema e baseia 75% de sua matriz energética na energia nuclear, possuindo 19 centrais e 58 reatores. A Grã-Bretanha é a segunda que mais utiliza, com (9 centrais e 19 reatores), seguidas de Alemanha (12 e 17),  Suécia (7 e 16) e Espanha (6 e 9).

A Alemanha e Suíça foram os primeiros países europeus a suspender temporariamente projetos nucleares como medida preventiva. Os representantes dos dois países enxergaram no desastre japonês a necessidade de rever os padrões de segurança de suas centrais de produção energética.

Com o propósito de "obter informações em primeira mão sobre planos de urgência e sobre as medidas de segurança" atuais no Velho Continente, a Comissão Europeia convocou para esta terça-feira (15) uma reunião de urgência em Bruxelas. Os ministros europeus da Energia e do Meio Ambiente, assim como as autoridades nacionais de segurança nuclear e dirigentes das grandes companhias do setor, participarão da reunião.

"Queremos o nível de segurança mais elevado possível" e "determinar se a energia nuclear é ou não controlável", ressaltou a ministra francesa do Meio Ambiente, Nathalie Kosciusko-Morizet, que considerou também que não é o momento de se precipitar.

Já Elena Salgado, vice-presidente do governo espanhol, pediu que seja mantida uma "perspectiva global" e lembrou que as centrais no Japão, "até o momento, estão resistindo graças às medidas de proteção".

O ministro do Meio Ambiente austríaco, Nikolaus Berlakovitch, pediu que sejam feitos controles de resistências em  todas as centrais nucleares da Europa. "Queremos segurança máxima para a nossa população e todos os nossos vizinhos devem poder garantir a das suas" declarou o ministro.

Brasil

O mundo conta com 443 usinas nucleares em funcionamento e outras 158 em planejamento. Juntas essas estruturas são responsáveis por produzir 15% da energia consumida mundialmente.

No Brasil o número ainda é reduzido, pelo menos por enquanto. O país possui duas usinas nucleares em funcionamento. A Angra I e Angra II, que carregam o nome do município onde estão instaladas, no litoral fluminense. Estas estruturas foram feitas para resistir a tremores de até 7 graus na escala ritcher e ondas de até seis metros de altura. A tecnologia utilizada nas duas usinas brasileiras é diferente da japonesa, por não utilizar vapor d’água, em tese, essa seria uma construção mais segura, até mesmo pela tecnologia aplicada no resfriamento dos reatores.

Juntas, as usinas são responsáveis por 2,5% da produção de energia elétrica brasileira. Porém, o governo brasileiro está decidido a investir mais nesse tipo de produção energética. A construção da usina de Angra 3 já está prevista para ser concluída até 2015. Além disso, estão previstas outras quatro construções e, em longo prazo, deveremos abrigar até 50 usinas em território nacional.

Danos à saúde

O contato com a radiação pode trazer danos graves à saúde da população e dependendo da intensidade com que isso ocorre, pode causar até mesmo a morte.

Quando exposta a uma quantidade mínima de radiação, de 0,05 Siever (unidade que mede os efeitos biológicos da radiação) a pessoa pode sofrer mudanças em suas células sanguíneas.

Os sintomas e consequências vão piorando a medida que o contato com a radiação aumenta e vão desde vômitos e diarréia, até hemorragia e morte. O período para que os sintomas sejam sentidos também varia e pode ocorrer em horas, semanas ou meses.

O acidente ocorrido em Chernobyl é a prova de que o contato com esses elementos radioativos pode ser fatal. A explosão, ocorrida durante um teste nos mecanismos de segurança, praticamente destruiu cinco milhões de hectares de terra, dizimou populações e apenas cinco funcionários da usina sobreviveram. Chernobyl se tornou uma cidade fantasma e só recentemente foi aberta para a visitação.

Logo após esse acidente muitos países reduziram seus investimentos no desenvolvimento de usinas nucleares e em alguns casos a prática foi extinta. A quantidade de radiação liberada pelo acidente na região ucraniana foi cerca de 400 vezes mais forte do que a emitida por causa da bomba atômica lançada sobre Hiroshima e Nagasaki. Com informações do G1 e Folha.

Redação CicloVivo

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