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Conchocarpus hendrixii: nova espécie é descoberta na Mata Atlântica

Nome faz alusão ao autor da música “Purple Haze”, considerando as flores púrpuras da nova espécie. Homenagem pretende estimular a conservação das florestas.

Purple Haze Hendrix
Ilustração: Heloísa Maeoka via Laboratório de Sistemática de Plantas

Por Jornal da USP

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Foi a beleza das flores de cor púrpura que chamou a atenção de pesquisadores da USP. Ao estudarem a planta, coletada no norte do Rio de Janeiro, na Mata Atlântica, perceberam que se tratava de uma nova espécie. E decidiram batizá-la de Conchocarpus hendrixii. Conchocarpus é o nome do gênero da espécie e hendrixii, uma homenagem ao guitarrista, compositor e cantor norte-americano Jimi Hendrix e sua canção Purple Haze ou névoa púrpura, em português.

“Trata-se de um arbusto da família rutácea, a mesma da laranja e da arruda”, conta o coordenador do estudo que identificou a nova espécie, o professor Milton Groppo Júnior, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. O professor tomou conhecimento da planta ao ver as imagens dela no grupo DetWeb, que reúne especialistas botânicos no Facebook.

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Segundo o professor “as flores da nova espécie são muito bonitas e têm a cor púrpura” e a equipe achou interessante a homenagem a um artista famoso “para chamar a atenção para essas plantas e também para a conservação da Mata Atlântica”.

O autor das postagens, Idimá Gonçalves da Costa, é pesquisador voluntário do Jardim Botânico Plantarum, instituição sediada em Nova Odessa, São Paulo. Costa encontrou a planta em uma região de difícil acesso entre as serras de Boa Vista e da Bandeira, que ficam nos municípios de São Fidélis e Cardoso Moreira, no Rio de Janeiro. Contatado pelo professor Groppo, enviou amostras de seu achado para o Herbário da USP em Ribeirão Preto. Após todas as análises, confirmou tratar-se de uma nova espécie, ainda não descrita pela ciência.

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Purple Haze inspira nome de planta
Espécie é endêmica da Mata Atlântica brasileira.
Foto: Idimá Gonçalves via Laboratório de Sistemática de Plantas.

“É uma planta que ocorre na submata, no sub-bosque da Mata Atlântica, numa área muito sombreada e de difícil acesso para coletas”, conta Groppo, explicando que submata é a definição de local sombreado em que os arbustos ficam embaixo de outras árvores maiores. Ele conta que o Brasil tem regiões de mata fechada e serra com plantas que só ocorrem nestas áreas e que a descoberta de uma nova espécie de planta é o indicador de que aquela região deve ser preservada.

Flores púrpuras no combate às queimadas

E foi justamente o apelo à preservação da natureza que incentivou os cientistas e “apreciadores do bom rock’n roll” na decisão de batizar a planta de Conchocarpus hendrixii.

A homenagem a Hendrix e o convite à conservação das florestas foram traduzidos pela equipe da USP no desenho promocional da bióloga Heloísa Midori Maeoka, do Departamento de Biologia da FFCLRP. Ao invés do fogo saindo da guitarra – famosa imagem do Monterey Festival Pop, realizado em 1967 na Califórnia, Estados Unidos, quando Hendrix colocou fogo em sua guitarra durante sua apresentação -, Heloísa faz surgir a nova espécie com suas flores púrpuras.

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Hendrix planta
Ilustração: Heloísa Maeoka via Laboratório de Sistemática de Plantas

Os pesquisadores pensaram na troca do fogo pela planta, brotando da guitarra, como um “apelo para a conservação” e um não às “queimadas na Amazônia e outras áreas de vegetação”. Por isso, decidiram criar um novo visual da cena de Monterey com “um Hendrix mais ecológico”.

Novas espécies, muito trabalho a ser feito

Novas espécies de plantas devem continuar a ser descritas em solo nacional. O Brasil, afirma Groppo, possui regiões que ainda são pouco visitadas pelos pesquisadores. “São áreas de serra e de mata fechada, onde tem muita planta endêmica, que é específica de lá, só ocorre nesses ambientes.”

Além da dificuldade de acesso às florestas, o pesquisador afirma que falta gente para trabalhar com grupos de plantas e “é por isso que a gente vê sempre uma nova aparecendo”. Para “chegarmos a um melhor retrato da flora do Brasil, muito trabalho de campo ainda tem que ser feito, muitas coletas em algumas regiões que são muito ricas em espécies endêmicas”, diz.

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Os resultados do estudo foram publicados na edição de outubro da revista Phytotaxa. Mas os trabalhos continuam para a equipe da USP em Ribeirão Preto com o projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que estuda as plantas das famílias Rutaceae – laranja; Asteraceae – girassol e margarida – e Rubiaceae – do café.

plantas em estudo
Ilustrações de Heloísa Maeoka