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América do Sul ganha corredor continental de vida selvagem

A iniciativa multinacional Jaguar Rivers vai criar caminhos com mais de 2,5 milhões de km² para a vida selvagem

onça pintada
Onça-pintada Aroeira. Foto: Lucas Morgado

A união de organizações sem fins lucrativos bem-sucedidas da Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai, deu origem a uma iniciativa inédita para restaurar ecossistemas, trazer de volta espécies-chave e desenvolver economias baseadas na natureza. O resultado é a Jaguar Rivers, o maior esforço de refaunação em escala continental da América do Sul.

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A iniciativa planeja reconectar ecossistemas fragmentados na vasta Bacia do Rio Paraná, usando os corredores fluviais como tecido conectivo. A aliança entre as organizações foi anunciada durante a Climate Week no The Explorers Club, em Nova York, e propõe um novo modelo transfronteiriço que também aborda a crise de extinção em massa e a instabilidade climática em escala global.

“Todos nós conhecemos a urgência das crises de biodiversidade e clima”, diz Kristine Tompkins da Tompkins Conservation. “Esta iniciativa ousada ressalta a necessidade de uma ação coordenada e em grande escala antes que seja tarde demais. Eu a chamaria de uma tábua de salvação para o nosso planeta”.

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A América do Sul está em meio a uma crise ecológica sem precedentes. As populações de vida selvagem em toda a região diminuíram 94% desde 1970 – a queda mais acentuada do mundo. Os impulsionadores desse colapso – desmatamento, degradação de rios, fragmentação, incêndios e superexploração – estão se intensificando diante das mudanças climáticas.

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Restauração continental

A iniciativa Jaguar Rivers irá restaurar, proteger e conectar ecossistemas em todo o coração da América do Sul, cobrindo mais de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, uma área quase duas vezes o tamanho do Alasca.

“Estamos empreendendo um ato muito estratégico para salvaguardar um dos maiores sistemas fluviais do mundo. Ao restaurar sua integridade ecológica, diversas espécies e comunidades atualmente ameaçadas em quatro países têm a oportunidade de prosperar, usando um modelo de restauração da natureza combinado com economias regenerativas que foi testado e provado ser bem-sucedido em locais como o Pantanal brasileiro e os Esteros del Iberá na Argentina”, explica Deli Saavedra, diretor da iniciativa.

Perda de cobertura florestal entre 2000 e 2024 causada pela expansão da fronteira agrícola
Perda de cobertura florestal entre 2000 e 2024 causada pela expansão da fronteira agrícola. Fonte: Jaguar Rivers

A iniciativa é liderada pelas organizações sem fins lucrativos Rewilding Argentina, Nativa (Bolívia), Moisés Bertoni (Paraguai) e Onçafari (Brasil). Uma campanha de financiamento privado fornecerá recursos para a iniciativa, com compromissos de doadores iniciais de US$ 26 milhões, aproximadamente um terço do orçamento operacional para os primeiros três anos.

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Os doadores incluem Tompkins Conservation, Kisco Conservation Foundation, Rainforest Trust, Wyss Foundation, Bobolink Foundation, Postcode Lottery Group, DOB Ecology, Freyja Foundation, Greg and Mary Moga, Teresa e Candido Bracher, e Rolex Perpetual Planet Initiative.

Metodologia

corredor de vida selvagem
A parceria transnacional envolve várias frentes de atuação. Fotos: Jaguar Rivers

A iniciativa Jaguar Rivers vai proteger e restaurar a Bacia do Paraná por meio de quatro pilares: 

  • Arcas: grandes ecossistemas intactos com espécies-chave, restaurados e repovoados para se tornarem fontes de dispersão da vida selvagem.
  • Zonas de amortecimento: zonas circundantes onde economias restauradoras promovem a coexistência e estendem a proteção.
  • Trampolins ecológicos: refúgios de vida selvagem menores ao longo de corredores, muitas vezes reservas privadas, que permitem a dispersão segura e reduzem os conflitos entre humanos e animais selvagens.
  • Rios e Planícies de Inundação: corredores vitais para a conectividade, exigindo fluxos ecológicos saudáveis; salvaguardados através da custódia cidadã, monitoramento e políticas fortes.
planice do Rio Paraná
Planice do Rio Paraná. Foto: Jaguar Rivers

Parceiros multinacionais

Na Argentina, a Fundación Rewilding Argentina doou mais de 460.000 hectares de terra desde 2010 para criar e expandir 10 parques, protegendo mais de 1,6 milhão de hectares. Doze espécies extintas localmente, incluindo a onça-pintada, a ariranha e a arara-vermelha, foram reintroduzidas e novos modelos de conservação territorial foram desenvolvidos, ajudando a criar quatro destinos de turismo baseados na natureza.

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Na Bolívia, a Nativa: Naturaleza, Tierra Y Vida tem desempenhado um papel fundamental na promoção da criação e gestão de 12 áreas protegidas, apoiando iniciativas como Nembi Guasu, que abrange 1,2 milhão de hectares, um exemplo proeminente de gestão de conservação indígena.

No Paraguai, a Fundación Moisés Bertoni gerencia a Reserva Florestal de Mbaracayú, garantindo a proteção perpétua de mais de 64.000 hectares de Mata Atlântica ameaçada. A fundação desenvolveu soluções inovadoras para desafios socioeconômicos e ambientais, controlando assim a poluição da água para o benefício direto de mais de 40.000 pessoas.

No Brasil, o Onçafari ampliou o ecoturismo baseado na vida selvagem sendo pioneira na habituação de onças-pintadas. Foi a primeira organização no mundo a liberar com sucesso onças-pintadas em cativeiro de volta à natureza e tem sido responsável pela criação e gestão de grandes corredores de vida selvagem tanto na Amazônia quanto no Pantanal

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corredor de vida selvagem na América do Sul
O corredor devida selvagem na América do Sul nasceu da união entre 4 ONGs. Fotos: Jaguar Rivers

O Onçafari nasceu com a missão de conservar a biodiversidade brasileira através da proteção de áreas naturais e do apoio ao desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais.  A organização está presente na Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica com oito frentes de atuação: Ecoturismo, Ciência, Educação, Reintrodução, Social, Florestas, Anti-incêndio e Advocacy.

Mais informações acesse:  www.oncafari.org e www.amigodaonca.org.

reintrodução onças
O sucesso da reintrodução acontece quando os animais soltos geram descendentes, que, por sua vez, devem ser férteis. Foto: João Bachur | Onçafari

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