Mais de duas mil cidades brasileiras têm suas águas contaminadas por agrotóxicos. É o que informa dados do Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), programa do Ministério da Saúde. O levantamento foi realizado entre 2014 e 2017 e os dados tiveram ampla divulgação após reportagem conjunta entre Repórter Brasil, a Agência Pública e a organização suíça Public Eye.

Apesar da maioria das substâncias estarem abaixo do limite máximo estipulado pela lei brasileira, o texto ressaltou que a legislação é bastante permissiva e que, portanto, é preciso ficar atento. Outro ponto a ressaltar é o estudo de uma pesquisadora brasileira que constatou que o Brasil libera até cinco mil vezes mais agrotóxicos do que a Europa. Ou seja, a mesma água vendida aqui (dependendo do grau e/ou do tipo de pesticida) pode ser ilegal em um país europeu.

Além de trazer as informações com clareza, o trio ainda criou um mapa interativo dos agrotóxicos encontrados em cada cidade. Desta forma, é possível buscar facilmente quantos e quais pesticidas foram detectados em seu município.

Aqui você pode conferir os dados brutos do Sisagua.

Solicitação à procuradora

A Procuradora Regional da República de São Paulo requisitou nesta terça-feira (15) estudos científicos que comprovam a periculosidade de dez substâncias usadas na formulação de agrotóxicos presentes na água consumida pela população. A requisição atende a uma solicitação feita pelo Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).

“Estamos em um estágio elevado de riscos à saúde pública e ao meio ambiente, diante do grau de novas constatações que vêm sendo divulgadas. Não se pode admitir a falta de fiscalização e controle da qualidade do elemento mais essencial à vida, que é a água consumida pela população”, afirma o ambientalista Carlos Bocuhy, presidente do Proam.