A corte sul-africana condenou um pescador por capturar e matar um grande tubarão-branco em 2011. Essa é a primeira decisão do tipo no país, informou em comunicado o Ministério de Agricultura e Pesca da África do Sul.

A província de Cabo Ocidental aplicou uma pena de 12 meses de prisão ao pescador amador Leon Bekker e multa de 120 mil rands (R$ 26,6 mil) pela morte do animal. A mídia local publicou fotos de Bekker arrastando o tubarão para uma praia rochosa.

Desde 1991, o tubarão-branco é uma espécie protegida na África do Sul e sua pesca está proibida. De acordo com os relatos, o pescador condenado sabia exatamente o que estava fazendo e as possíveis consequências de seu ato criminoso. Não foi, em absoluto, uma pesca acidental. Aliás, como afirma a porta-voz da WWF sul-africana: “Há evidências que sugerem que os animais continuam visados na pesca recreativa como uma espécie de troféu. E também existe um comércio de partes do corpo do tubarão-branco".

 Na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o tubarão-branco é listado como espécie vulnerável. Muitos outros países, como os Estados Unidos, também aprovaram medidas e legislações para proteger os tubarões-brancos em suas águas.

Com o lançamento do famoso filme Tubarão, de Steven Spielberg, na década de 1970, a errônea imagem de “comedor de homens” foi imputada ao tubarão-branco. A partir daí, a fobia espalhou-se pelo mundo. O filme conseguiu, com grande êxito, passar a distorcida ideia de que o tubarão-branco era um animal perverso e sanguinário, que tinha o homem como alvo principal. A imagem da barbatana dorsal, como uma foice singrando as águas atrás da próxima e indefesa vítima humana, que inevitavelmente era abocanhada e mastigada pelas mandíbulas abertas com enormes dentes triangulares, foi tão forte e negativa que os tubarões-brancos passaram a ser considerados inimigos públicos da sociedade. Foram perseguidos e caçados impiedosamente. Milhares foram exterminados e a espécie declinou mais de 80% nos últimos 30 anos.

Do Instituto Ecológico Aqualung

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.