Quando o homem ergue grandes construções e cria os cenários dos sonhos, parece que tudo vai ser eterno – a arquitetura, o magnitude e a presença humana por ali. Mas a verdade é que muitas destas maravilhas acaba se transformando em ruínas, aquele misto de abandono, solidão e as lembranças do que um dia foi projetado para ser imponente.

E, depois que o homem deixa de fazer parte destes lugares, a natureza ocupa construções humanas, de uma forma ou de outra. O site TreeHugger selecionou alguns dos destinos mais desejados de outras épocas e mostrou como eles estão agora, sendo ocupado pela natureza e seus elementos.

Ilha Gouqui, Arquipélago Shensi, China

Foto: Jane Qing

Ao sul do famoso Rio Yantze, existe um arquipélago de aproximadamente 400 ilhas das quais 18 são habitáveis. Uma delas, a Ilha Gouqui, parece ter sido esquecida pelo tempo.

O lugar já foi uma movimentada colônia de pescadores, mas com o desenvolvimento da indústria pesqueira, poucos pescadores artesanais puderam competir com os grandes barcos.

O resultado são vilas de casas como estas que foram abandonadas pelos seres humanos e hoje são habitadas por outras formas de vida.

Hotel Del Salto: Quedas de Tequendama, Colômbia

Foto: Reprodução | YouTube

Quando o Rio Bogotá encontra com grandes estruturas rochosas são formadas as Quedas de Tequendama, com alturas que ultrapassam os 100 metros. Uma famosa atração turística em uma floresta relativamente perto de Bogotá que atraia muitos visitantes, que se hospedavam no maravilhoso Hotel Del Salto.

Mas, alguns quilômetros acima das quedas d’água, o esgoto sem tratamento da cidade de Bogotá passou a ser jogado no rio. Com isso os disputados quartos com uma linda vista passaram a ser quartos com um cheiro horroroso. O hotel fechou no início dos anos 90. E a floresta aos poucos está se tornando o novo hospéde.

Kolmanskop, Namibia

Foto: Michiel Van Balen | Flickr

É fácil entender porque centros de mineração se transformam em cidades fantasmas. Normalmente uma cidade inteira é construída para abrigar empresas e trabalhadores que vão trabalhar na extração das riquezas locais, os recursos naturais são rapidamente explorados e, quando eles acabam, todo mundo vai embora.

No início do século XX um trabalhador alemãodescobriu diamantes na região de Kolmanskop e com uma rapidez incrível uma mineradora alemã se instalou por lá. Um típica cidade alemã, com hospital, escolas, teatro, ginásios, cassinos, sorveteria e a primeira clínica de raio-x do Hemisfério Sul! Além do primeiro bonde do continente.

Nos anos 30, os diamantes começaram a acabar e outras minas foram descobertas em outras regiões do país, o que levou a um grande êxodo. As pessoas deixaram para trás toda a cidade e hoje o deserto está retomando seu lugar.

Ilha Holandesa, em Maryland, EUA

Foto: baldeaglebluff

Por volta de 1910 cerca de 360 pessoas foram viver na Ilha Holandesa. A comunidade pesqueira e agrícola construiu cerca de 70 casa por lá, estabelecendo lojas, posto dos correios, escolas e outras estruturas para os moradores deste lugar úmido e um pouco mofado.

Apesar dos esforços dos novos moradores, o vento e a maré tinham outros planos para a ilha, que começou a ser tomada pela erosão. Mesmo com a construção de muralhas de pedra, a última família que vivia no local foi forçada a deixar a ilha em 1918.

A casa da foto acima foi a última construção a cair – ela foi engolida pelas águas em 2010.

Poço da Iniciação, Sintra, Portugal

Foto: Stijndon

Uma construção excêntrica pode ser encontrada na cidade de Sintra, em Portugal. Construída em 1904 por um rico comerciante português, a enorme casa gótica sustenta uma rede de jardins, túneis, grutas e dois poços. Tudo isso disposto simbolicamente de acordo com misteriosas sociedade secretas.

O Poço da Iniciação nunca foi projetado para coletar água, mas sim para cerimônias como rituais de iniciação ao tarot  – a construção tem uma série de pequenos ambientes e a distância entre eles é inspirada nas cartas de tarot.

O lugar esteve abandonado por muitos anos até ser considerado pela UNESCO um patrimônio mundial e se transformar na “Paisagem Cultural de Sintra”. E apesar de ser mantido pelo governo como uma atração turística, a vegetação e o musgo não puderam ser impedidos de entrar e ficar nas paredes deste lugar místico.

Vale dos Moinhos, Sorento, Itália

Foto: Mentnafunangann

Conhecido pelos italianos como Valle dei Mulini, esta estrutura de aproximadamente 25 andares construída em um penhasco no século XIII era usada para receber o trigo consumido pela população local.

A construção abrigava também uma lavanderia e serralheria. Mas com a locais mais acessíveis para moer o trigo, os moinhos do penhasco foram fechados em 1940.

O que sobrou são ruínas de uma indústria ancestral que pouco a pouco vão se confundindo com o penhasco.

SS Ayerfield, Sydney, Austrália

Foto: Rrong

Normalmente vemos naufrágios no fundo dos oceanos, tomados por corais e vida marinha nas mais curiosas formas. Mas com este navio é diferente. A embarcação está na Baia de Homebush, em Sydney, e, ao invés de afundar, ele permaneceu na superfície e hoje abriga uma floresta.

A mãe natureza decidiu decorar este navio com muito bom gosto! A embarcação foi construída em 1911 e é um dos 4 cargueiros que permaneceram sobre as águas quando pararam de funcionar e simplesmente ficaram onde estavam.

Angkor Wat, Camboja

Foto: Francisco Anzola

No norte do Camboja, ma provícia de Siem Reap, Angkor Wat se transformou numa vasta rede de beleza. Uma área que a UNESCO declarou ser um dos sítios arqueológicos mais importantes da Ásia.

A então capital do reino Khmer, o local ostenta seus templos, estruturas hidráulicas e outros indícios de antigas civilizações além de arte dos séculos IX a XIV.

Merece destaque o Templo de Ta Prohm. Enquanto os outros monumentos são mantidos e conservados, o templo foi deixado pelos arqueólogos para as árvores caprichosas.