A cidade de Itajubá, localizada ao pé da Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais, vai ganhar em dezembro um cinema que irá operar com energia solar fotovoltaica. Trata-se do Cine A Itajubá, um amplo complexo com quatro salas com capacidade para receber até 700 pessoas, além de dois restaurantes, academia ao ar livre, espaço para prática de yoga, slackline, meditação e dança.

Com projeto e instalação da Engie, o sistema fotovoltaico é formado por 450 módulos, divididos entre o estacionamento no modelo carport e instalação em solo. O sistema deverá gerar o suficiente para atender toda a demanda do complexo. Com investimento de R$ 661 mil, irá proporcionar uma economia anual de aproximadamente R$ 150 mil e tem retorno estimado entre três e quatro anos. “Este é um projeto pioneiro no segmento do entretenimento, o qual a Engie orgulha-se em participar”, diz Rodrigo Kimura, diretor executivo de soluções fotovoltaicas da Engie. “Além de contribuir para um futuro mais sustentável para o planeta, o sistema fotovoltaico possibilita economia imediata na fatura mensal de energia, tornando o investimento autofinanciável”, conclui.

A cidade de Itajubá tem população de 97 mil habitantes (IBGE, 2017) e a energia gerada pela usina fotovoltaica é suficiente para abastecer 152 residências de Itajubá, já que o consumo médio nas casas brasileiras foi de 157 KWh por mês.

Edifício verde – Cine A Itajubá

O investimento total é de R$ 14 milhões de reais e inclui uma série de iniciativas que credenciaram o empreendimento a obter a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), entidade internacional que classifica edificações que utilizam energias renováveis e outros pré-requisitos de sustentabilidade e design. Além da usina fotovoltaica, o cinema conta com um sistema para captação de água da chuva, com capacidade para abastecer 50% do consumo do complexo, e um serviço de coleta de lixo eletrônico – os clientes poderão trazer de casa seus aparelhos usados para o descarte correto. Há ainda o estímulo à utilização de meios alternativos de transporte, com a disponibilização de bicicletário e carregadores para carros elétricos.

“Os cinéfilos precisam de mais cinemas de rua. O mundo precisa de mais ações sociais e construções inteligentes. Essa é a nossa proposta com a construção desse complexo moderno, inovador e autossustentável. Vamos juntos construir um lugar limpo, rico de cultura e repleto de emoção”, afirma Silvio Gutierris, diretor da Rede Cine A, que, além de Minas Gerais, possui cinemas também nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pará.

O sistema fotovoltaico é formado por 450 módulos, divididos entre o estacionamento no modelo carport e instalação em solo. | Foto: Engie

Como funciona a energia solar

As placas fotovoltaicas do Cine A Itajubá estão instaladas parte em solo e parte como cobertura da área de estacionamento. A incidência da luz do sol sobre os componentes das células fotovoltaicas gera uma corrente elétrica contínua. Essa corrente e conduzida até o inversor que a converte em corrente alternada, deixando-a apta a abastecer os equipamentos elétricos do local. Quando o sistema gera mais energia do que está sendo consumido naquele momento, o excedente é injetado na rede e transformado em créditos junto à concessionária de energia, os quais serão utilizados automaticamente em períodos onde não há geração, como à noite ou dias chuvosos. Os sistemas são facilmente instalados, não há necessidade de grandes obras e construções. O que precisa é de uma área livre de sombras. Se for o telhado ele deve estar voltado para o Norte. As placas solares tem baixo custo de manutenção e durabilidade que chega a 25 anos.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.