energia azul

Na última década, a quantidade de energia gerada pelas mares e pelas ondas aumentou dez vezes e os governos estão começando a olhar para os oceanos como uma grande fonte de energia renovável – a chamada energia azul.

A quantidade de energia gerada pelos oceanos é muito pequena em relação à demanda – em 2019 a energia azul do mundo seria suficiente para abastecer apenas um cidade do tamanho de Paris. Mas, esta marca é um grande avanço perto de experimentos que vinham acontecendo na última década.

Novas formas de tecnologia estão sendo exploradas em países que possuem acesso ao mar e muitos deles estão demonstrando interesse em ampliar consideravelmente o uso deste energia limpa.

Diferentes formas e recursos

BA energia azul pode ser gerada de diferentes formas. Tecnicamente, uma das mais difíceis é desenvolver equipamentos capazes de transformar a força das ondas em energia. Depois de uma série de tentativas frustradas, alguns protótipos estão trazendo resultados e começam a ser testados para uso comercial.

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Outra alternativa é usar a variação das mares aproveitando a mudança rápida da altura e volume de água para fazer girar turbinas. Turbinas que ficam embaixo da água tem sido até agora a estratégia mais viável comercialmente – elas aproveitam as correntes marítimas em regiões costeiras.

Neste contexto, existe a ideia ambiciosa de construir equipamentos capazes de gerar energia aproveitando-se das imensas correntes marinhas que cruzam os oceanos ao redor do planeta.

Outra possibilidade seria converter em energia a variação de temperatura entre as águas do oceano – que são muito mais quentes na superfície aquecida pelo sol e geladas quando atingem mil metros de profundidade.

energia azul
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Usar diferentes graus de salinidade para gerar energia elétrica é outra variante da energia azul. A energia seria gerada por meio da diferença da quantidade de sal entre a água marinha e a água doce de um grande rio que encontra o mar, por exemplo. Sistemas convertem a salinidade da água marinha já são conhecidos e estão sendo usados, mas com o intuito de produzir água potável para regiões secas.

Soluções em larga escala

Todas estas possibilidades de se gerar energia azul levaram a Ocean Energy Systems (OES), uma extensão da International Energy Agency, a centralizar todos os estudos em uma única proposta para sua implementação em larga escala.

Atualmente, 24 países fazem parte da OES, incluindo a China, India, Estados Unidos, países Europeus que tem costa marinha, Japão, Austrália e África do Sul. A maioria deles já implementou algum sistema de energia azul e devem ampliar estas iniciativas para o uso comercial na próxima década.

Assim como a energia eólica e solar, que se desenvolveram muito na última década, a energia azul ainda é mais cara do que o uso de combustíveis fósseis, mas a medida que as tecnologias forem se aprimorando, o custo deve cair.

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Avanços presentes

A China está encorajando o uso de energia azul oferecendo tarifas de aquisição três vezes maiores que o preço pago por combustíveis fósseis, algo similar o que foi feito em vários países para estimular o uso de energia solar e eólica. Empresas chinesas tem demonstrado interesse no incentivo e estão estudando gerar energia azul para receberem este benefício.

Entre os líderes no desenvolvimento de energia azul estão o Reino Unido e o Canadá, os dois países com as mais altas marés do planeta. No Canadá uma série de protótipos de geração de energia a partir da variação das marés estão sendo testados na costa atlântica da Nova Escócia, com diferentes empresas investindo nestes sistemas.

Na Escócia, onde existe um grande potencial de geração de energia azul devido ao grande número de ilhas e correntes matinhas, está localizado o maior conjunto de turbinas subaquáticas do mundo. A produção de energia superou as expectativas e a empresa responsável, MeyGen, já está planejando ampliar o número de instalações.

Este é apenas um entre os mais de 20 projetos de energia azul no reino Unido, muitos ainda estão na fase de pesquisas e desenvolvimento e alguns já estão começando a serem implantados para testes especiais nas ilhas escocesas e na região oeste da Inglaterra.

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Foto: Cameron Venti | Unsplash

Canadá e Estados Unidos estão apostando neste potencial e líderes políticos da Europa enxergam na geração de energia por meio do mar um componente fundamental na necessidade de se diminuir a emissão de gases do efeito estufa, atingindo as metas estabelecidas para combater mudanças climáticas, gerando desenvolvimento econômico e oportunidades de empregos.

É preciso reduzir custos

O presidente da OES, Henry Jeffrey, da Universidade de Edimburgo, afirma que o novo relatório anual da instituição traz informações sobre a dimensão dos esforços mundiais para identificar maneiras de comercializar as tecnologias de geração de energia azul.

“Nosso ultimo relatório enfatiza o considerável apoio internacional para a geração de energia renovável por meio dos oceanos uma vez que potências de todo o mundo estão se esforçando para equilibrar o uso de energia e limitar o aquecimento global. O começo desta nova década traz possibilidades promissoras para a geração e uso de energia azul”, afirma Jeffrey.

Foto: Silas Baisch | Unsplash

No entanto, Jeffrey alerta que apesar dos grandes avanços e investimentos, existem ainda muitos desafios pela frente, principalmente no que se refere a “acessibilidade, confiança, estabilidade, operacionalização, disposição de recursos, capacidade de construção e padronização”.

“A redução de custos, em particular, são um requisite para que as tecnologias de geração de energia azul sejam competitivas em relação a outras tecnologias de energia limpa”, explica ele.

Atualmente os custos da energia eólica, considerando a construcão e a vida útil das turbinas, variam de €0,8 a €0,10 (de oito a 10 centavos de euro) por quilowatt/hora – com estimativa de queda.

A meta na Europa é gerar energia com as marés com um custo abaixo de €0,10 (dez centavos de euro) até 2030 e energia com ondas abaixo de €0,15 (quinze centavos de euro), para que a energia azul seja competitiva contra o uso de combustíveis fósseis e carvão, caso estas fontes sejam taxadas pela emissão de dióxido de carbono que elas produzem.

Foto: Eleonora Manzo | Unsplash