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Teia da Sociobiodiversidade amplia apoio a projetos no Brasil

Com R$ 40 milhões, iniciativa fortalece ações comunitárias em todos os biomas e conecta soluções sustentáveis nos territórios

Foto: Thiago Foresti

Em um contexto marcado pelo agravamento da crise climática, pela intensificação da pressão sobre os biomas e por desafios persistentes ligados à segurança alimentar, projetos locais vêm se consolidando como respostas concretas e já em curso no Brasil. A Teia da Sociobiodiversidade reúne atualmente 405 projetos distribuídos por todos os biomas do país, formando uma rede que conecta soluções construídas nos próprios territórios e que articula conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento comunitário de forma integrada e contínua.

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Coordenada pelo Fundo Casa Socioambiental, com apoio do Fundo Socioambiental CAIXA, a iniciativa acaba de ampliar seu alcance com a seleção de mais 203 projetos, resultado de uma chamada pública que mobilizou organizações de todo o país. Com isso, a Teia consolida um volume de R$ 40 milhões em apoio direto a iniciativas comunitárias em todos os estados brasileiros, reforçando um modelo de financiamento que busca não apenas fomentar projetos, mas também estruturar redes de atuação territorial com impacto duradouro.

O principal diferencial da Teia está justamente na forma como esses recursos são distribuídos. Ao direcionar o financiamento diretamente para povos indígenas, comunidades quilombolas, populações tradicionais e associações locais, a iniciativa reconhece o protagonismo desses grupos na construção de soluções frente aos desafios climáticos e socioambientais. Trata-se de uma lógica que parte do entendimento de que são essas populações, inseridas no cotidiano dos territórios, que detêm o conhecimento prático sobre os problemas e também sobre os caminhos possíveis para enfrentá-los de maneira eficaz e sustentável.

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Araquém Alcântara
Foto: Araquém Alcântara

Como estratégia nacional de apoio à sociobiodiversidade, a Teia atua conectando iniciativas locais em rede, fortalecendo soluções baseadas na natureza e impulsionando negócios ligados à bioeconomia. Os projetos apoiados abrangem uma ampla diversidade de frentes, incluindo produção de alimentos, manejo florestal, extrativismo sustentável, turismo comunitário e outras atividades que conciliam uso responsável dos recursos naturais com geração de valor econômico e social. Na prática, a iniciativa organiza, potencializa e dá visibilidade ao que já existe nos territórios, criando condições para que essas ações ampliem sua escala, aumentem seu impacto e estabeleçam conexões entre si. Esse movimento de articulação em rede permite não apenas o fortalecimento individual dos projetos, mas também a construção de uma agenda coletiva mais robusta, capaz de influenciar políticas públicas e modelos de desenvolvimento. “São as populações que vivem nos territórios que conhecem os problemas e, portanto, são as que mais sabem como solucioná-los. O apoio permite que essas iniciativas cresçam e gerem impacto para além da comunidade”, afirma Cláudia Gibeli, gestora de programas do Fundo Casa e coordenadora da iniciativa.

A segunda chamada da Teia da Sociobiodiversidade ilustra a dimensão e o alcance desse modelo. Ao todo, foram recebidas 1.812 propostas oriundas de todos os estados brasileiros, evidenciando tanto a demanda por financiamento quanto a diversidade de soluções já existentes. Após um processo de análise técnica, 203 iniciativas foram selecionadas, garantindo presença em todos os biomas e com forte incidência em territórios indígenas, quilombolas e rurais. Os projetos escolhidos refletem a pluralidade social e cultural do país, bem como o perfil de quem está à frente dessas iniciativas. A maioria é conduzida por associações comunitárias, com destaque para o protagonismo de mulheres e de pessoas não brancas, o que reforça o papel desses grupos na liderança de soluções socioambientais e na construção de alternativas de desenvolvimento mais inclusivas.

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Em termos de impacto, a expectativa é que os projetos apoiados beneficiem diretamente mais de 30 mil pessoas e 15,5 mil famílias, além de alcançar indiretamente cerca de 750 mil pessoas em diferentes regiões do país. Outro dado relevante é que 90% das iniciativas incorporam a segurança alimentar como eixo transversal, demonstrando a centralidade desse tema nas estratégias locais de enfrentamento das vulnerabilidades sociais e ambientais. Um exemplo concreto desse impacto pode ser observado na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, onde a Associação dos Produtores e Produtoras Agroextrativistas do Seringal Floresta desenvolve o Ateliê da Floresta. A iniciativa transforma matérias-primas coletadas no chão da floresta, como sementes, resinas e madeira reaproveitada, em produtos com maior valor agregado, gerando renda e estimulando práticas sustentáveis de uso dos recursos naturais.

Além do retorno econômico, o projeto também contribui para a permanência de jovens e mulheres no território, criando alternativas que reduzem a pressão sobre a floresta e fortalecem modos de vida tradicionais. Ao associar geração de renda com conservação ambiental, a iniciativa exemplifica o tipo de solução que a Teia busca apoiar e expandir em diferentes regiões do país. “O projeto fortaleceu o nosso trabalho e ajudou a gerar mais renda para as famílias. A gente já vem ampliando nossas atividades”, afirma Rogério Azevedo, associado da organização.

Apesar do potencial dessas iniciativas, o acesso a recursos financeiros ainda é um dos principais entraves enfrentados por organizações comunitárias no Brasil. Muitas delas operam em contextos marcados pela ausência de infraestrutura básica, como serviços bancários, conectividade e apoio técnico contínuo, o que dificulta tanto a captação quanto a gestão de recursos. Nesse cenário, a Teia da Sociobiodiversidade se destaca ao criar mecanismos que viabilizam a chegada direta do financiamento a esses territórios, garantindo que as próprias organizações tenham autonomia para decidir como utilizar os recursos de acordo com suas prioridades e realidades locais. “Estamos falando de territórios onde muitas vezes não há banco, internet ou infraestrutura básica. Fazer o recurso chegar até a associação, para que ela mesma decida como utilizar, é o que garante autonomia”, afirma Selma Dealdina Mbaye, presidenta do Conselho Diretor do Fundo Casa.

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Foto: Divulgação | Ateliê da Floresta

Além de impulsionar projetos específicos, esse modelo contribui para o fortalecimento institucional das organizações locais, ampliando sua capacidade de gestão, articulação e incidência política. Ao investir diretamente nessas estruturas, a Teia ajuda a consolidar uma base mais sólida para a continuidade e expansão das iniciativas no longo prazo. A experiência também oferece indicativos relevantes para o futuro do financiamento socioambiental no país. Ao demonstrar que é possível fazer o recurso chegar de forma eficiente à ponta, a iniciativa desafia modelos tradicionais e aponta para a necessidade de maior flexibilidade e adaptação às realidades territoriais. “O desafio sempre foi fazer o recurso chegar na ponta. E esse modelo mostra que isso é possível”, afirma Jean Benevides, vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania Digital da CAIXA. Para Felipe Bismarchi, superintendente nacional da empresa, iniciativas como a Teia contribuem para reposicionar o papel do sistema financeiro, direcionando investimentos para quem já desenvolve soluções concretas e alinhadas às demandas socioambientais do país.

Com presença em todos os biomas brasileiros, a Teia da Sociobiodiversidade reforça que as respostas para desafios como mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável não precisam ser criadas do zero. Elas já existem, estruturadas a partir dos territórios e das comunidades que historicamente cuidam desses espaços. O desafio, agora, passa por garantir escala, continuidade e conexão entre essas iniciativas, ampliando seu alcance e potencial transformador. “A gente existe para ser parceiro de quem está no território, que conhece os problemas e também as soluções. O que precisa é fazer o recurso chegar onde ele deve chegar”, resume Cláudia Gibeli, gestora de programas do Fundo Casa Socioambiental.

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