A construção de uma área de proteção ambiental com mais de um milhão de metros quadrados foi aprovada em duas das praias mais movimentadas de São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Implantada nas praias da Baleia e da Barra do Sahy, a área protegida vai formar uma faixa que liga as praias, o mangue e a Serra do Mar.

A medida vai limitar um espaço correspondente a 65% da área do Parque do Ibirapuera, contribuindo para a preservação de, pelo menos, 84 espécies de aves. De um lado, a regulamentação divide opiniões em toda a sociedade, uma vez que uma parte da região a ser atendida pelo projeto é alvo da especulação imobiliária, sobretudo pela venda de condomínios de alto padrão. Por outro lado, uma parte da futura unidade de conservação é utilizada como depósito de resíduos.

Com a efetivação do projeto, a comunidade do local passa a ser um dos mais importantes agentes de segurança da unidade de conservação. Por enquanto, a ideia é que os pescadores ajudem na fiscalização da área, investindo em turismo ecológico e atividades de educação ambiental. "Queremos criar patrocínios [do tipo] Adote uma APA [Área de Proteção Ambiental], uma loja de artesanato e criar alternativas de renda para os pescadores. Essa é a única área que conhecemos que abrange quatro ecossistemas, e por isso ela tem todo um diferencial", contou à Folha a advogada Maria Fernanda Muniz, integrante do movimento Preserve o Litoral Norte.

A unidade de conservação também visa recuperar o rio Sahy, atualmente poluído, o que impede a atividade pesqueira em alguns pontos. Para limpar o corpo d’água totalmente, a população espera contar com o apoio de empresas patrocinadoras. Com a criação do projeto, os moradores também acreditam que aumente a conscientização das imobiliárias, uma vez que boa parte do local já é classificado como área de preservação permanente, por estar nas proximidades dos rios Negro e Sahy.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.