Roberto Stuckert Filho/PR
- Publicidade -

A presidente Dilma Rousseff está em Nova York participando do encontro mundial para o Acordo de Paris. A cerimônia, que conta com autoridades do mundo inteiro, marca o próximo passo em direção ao comprometimento global com novas diretrizes para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Em sua fala, Dilma deixou os tumultos políticos atuais de lado para exaltar a participação do Brasil do processo que tornou possível a criação do novo documento, que deve substituir o Protocolo de Kyoto. “Eu gostaria de assegurá-los de que nós temos perfeita consciência de que assinar o acordo é apenas o primeiro passo e a parte mais fácil”, declarou a presidente.

Para descrever a participação do país dentro da implementação das diretrizes acordadas, Dilma citou a busca pelo desmatamento zero da floresta Amazônica e também o investimento em energias renováveis. “Essa luta não pode ser travada por quem não tem ou pelos países desprivilegiados. É por isso que o desenvolvimento sustentável precisa ser uma referência permanente e um esforço global comum”, completou.

- Publicidade -

A presidente também entrou nos desafios financeiros que o combate às mudanças climáticas demanda. Segundo ela, a economia é uma parte crítica neste processo. Por isso, Dilma pediu que a comunidade internacional vá além do compromisso de US$ 100 bilhões anuais destinados a este propósito, redirecionando fluxos financeiros também às medidas de adaptação, como os cuidados com a saúde pública e o desenvolvimento sustentável.

Reação do Observatório do Clima a discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU

Logo após a participação de Dilma Rousseff, o Observatório do Clima divulgou uma nota criticando a postura da presidente:

“A presidente Dilma Rousseff frustrou quem esperava uma demonstração de grande liderança do Brasil na ação contra a crise climática hoje em seu discurso na cerimônia de assinatura do Acordo de Paris. A presidente preferiu apenas reafirmar compromissos já anunciados, em vez de dizer como o país pretende aumentar sua ambição climática daqui para a frente. Falou da importância de seguirmos, todos, um caminho de desenvolvimento sustentável. Mas não deu nenhum sinal de que iremos mudar o modelo insustentável de desenvolvimento atual, que privilegia os combustíveis fósseis, e reafirmou que só iremos acabar com desmatamento ilegal na Amazônia em 2030.

Num país em profunda recessão, é fundamental  perceber que o que é bom para o clima e para a economia. O governo brasileiro, porém, parece ainda ter medo de falar sobre acelerar a descarbonização. Felizmente a sociedade nacional está se mexendo muito mais rápido do que o poder público e trabalhando para tornar a ação climática uma agenda estratégica de desenvolvimento do país.”

- Publicidade -