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Apenas 35% das metas dos ODS estão no caminho certo

Relatório da ONU sobre os ODS destaca avanços, retrocessos e propõe ações urgentes em seis áreas prioritárias até 2030

Legenda: O secretário-geral António Guterres (centro) fala durante coletiva de imprensa sobre o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2024, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, em 28 de junho de 2024. À esquerda, a vice-secretaria-geral Amina Mohammed, e, à direita, o subsecretário-geral para os Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. Foto: © ONU/Eskinder Debebe.

Divulgado nesta segunda-feira (14), em Nova Iorque, o Relatório da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2025 revela que quase metade das metas avançaram de forma insuficiente para ser alcançadas até 2030, enquanto 18% delas apresentaram retrocesso.

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Sem ações aceleradas, estima-se que 8,9% da população mundial ainda viverá em extrema pobreza daqui a cinco anos. O relatório aponta seis áreas prioritárias para ações capazes de gerar impactos transformadores: sistemas alimentares, acesso à energia, transformação digital, educação, empregos e proteção social, ação climática e biodiversidade.

“Mas este relatório é mais do que um retrato do presente. É também uma bússola que aponta caminhos para o progresso. Ele mostra que os ODS ainda podem ser alcançados — mas apenas se agirmos com urgência, união e determinação.”

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Legenda: Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em 2015 como um plano de ação global para erradicar a pobreza e construir um mundo mais próspero, sustentável e justo até 2030. O Relatório sobre os ODS 2025, do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), propõe ações em seis áreas prioritárias, capazes de gerar impactos transformadores até 2030: sistemas alimentares, acesso à energia, transformação digital, educação, empregos e proteção social, ação climática e biodiversidade. Foto: © ONU.

Elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), com o apoio de 50 entidades das Nações Unidas e organizações regionais, o Relatório sobre os ODS é apresentado aos Estados-membros durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF). Este fórum foi instituído no documento final da Conferência Rio+20, “O Futuro que Queremos”, e ocorre anualmente na sede das Nações Unidas.

O HLPF 2025 acontece entre os dias 14 e 24 de julho com o tema: “Promover soluções sustentáveis, inclusivas, baseadas em ciência e evidências para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para não deixar ninguém para trás”.

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Mesmo diante de crises globais em cascata, o Relatório sobre os ODS 2025 destaca avanços importantes:

  • As novas infecções por HIV diminuíram quase 40% desde 2010. 
  • Desde 2000, a prevenção da malária evitou 2,2 bilhões de casos e salvou 12,7 milhões de vidas. 
  • Mais da metade da população mundial conta atualmente com proteção social, o que representa um aumento expressivo em relação à década anterior. 
  • Desde 2015, 110 milhões de crianças e jovens a mais passaram a frequentar a escola. 
  • O casamento infantil tem diminuído, há mais meninas permanecendo na escola e cresce a participação feminina nos parlamentos. 
  • Em 2023, 92% da população global já contava com acesso à eletricidade. 
  • O uso da internet passou de 40% em 2015 para 68% em 2024, ampliando oportunidades de educação, trabalho e cidadania. 

Os esforços de conservação ambiental dobraram a proteção de ecossistemas-chave, fortalecendo a resiliência da biodiversidade.

No entanto, também há aspectos notórios que prejudicam o avanço sustentável:

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  • Mais de 800 milhões de pessoas continuam vivendo em extrema pobreza. 
  • Bilhões de pessoas ainda não têm acesso adequado à água potável, saneamento e higiene. 
  • As mudanças climáticas fizeram de 2024 o ano mais quente já registrado, com uma média de temperatura 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. 
  • Conflitos armados provocaram cerca de 50 mil mortes em 2024, além de forçar mais de 120 milhões de pessoas a deixarem suas casas. 
  • Países de baixa e média renda enfrentaram um custo recorde com o pagamento da dívida, totalizando US$ 1,4 trilhão em 2023. 

O documento reforça a necessidade de ações nas seis áreas prioritárias já mencionadas, capazes de gerar mudanças de grande escala: sistemas alimentares, acesso à energia, transformação digital, educação, empregos e proteção social, ação climática e biodiversidade.

Também é destacado o pedido pela implementação do Plano de Ação de Medellín, adotado no Fórum Mundial de Dados da ONU de 2024, para o fortalecimento dos sistemas de dados essenciais à formulação de políticas públicas eficazes.

Embora as médias globais possam esconder avanços expressivos em diferentes regiões, os últimos dez anos trouxeram conquistas notáveis:

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  • 45 países atingiram o acesso universal à eletricidade. 
  • 54 países eliminaram ao menos uma doença tropical negligenciada até o fim de 2024.

Esses progressos, impulsionados por políticas públicas eficazes, instituições sólidas e parcerias inclusivas, demonstram que acelerar o avanço é possível — e isso já está em andamento.

Os cinco anos restantes até 2030 representam uma oportunidade decisiva para concretizar as promessas da Agenda. Ela não é apenas um ideal — é um compromisso inadiável.

“Este não é um momento para o desespero, mas para a ação decidida”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua. “Temos o conhecimento, as ferramentas e as parcerias para promover a transformação. O que precisamos agora é de multilateralismo urgente — um novo compromisso com a responsabilidade compartilhada e o investimento sustentado.”

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