O Brasil recicla menos de 5% do que poderia ser reciclado no país. O índice de reciclagem está longe de ser o ideal, mas existem pessoas que precisam receber o reconhecimento pelo trabalho que acontece para transformar o que seria descartado em novas matérias-primas: catadores e catadoras de materiais reciclável e as pessoas que trabalham nas cooperativas de reciclagem brasileiras. São essas pessoas que tornam possível a coleta e destinação correta de cerca de 90% do que é reciclado no Brasil.
O trabalho de catadores, catadoras e de profissionais de reciclagem que atuam nas cooperativas não é valorizado como deveria e, muitas vezes, essas pessoas trabalham em condições muito difíceis, recebendo pouco pelos serviços que prestam à sociedade e ao meio ambiente. Profissionalizar a cadeia de reciclagem, remunerar seus profissionais de forma digna e oferecer boas condições de trabalho e de crescimento é fundamental para acelerar a implementação da economia circular no país.
Para promover essa mudança, a Ambipar, multinacional brasileira em soluções ambientais, desenvolveu o programa Franquia Social. Usando a expertise da companhia em desenvolver modelos de negócios eficientes, a empresa oferece às cooperativas selecionadas uma solução estruturante para a gestão de resíduos sólidos urbanos. Toda a operação passa a respeitar novos padrões, da organização do espaço à gestão financeira, garantindo a profissionalização de em todo o Brasil.
“A Franquia Social é uma resposta concreta aos desafios da reciclagem no Brasil. Levamos infraestrutura, capacitação e governança para cooperativas que já atuavam com muito esforço, mas pouca estrutura. Com esse modelo, conseguimos gerar escala, aumentar a recuperação de recicláveis e melhorar a qualidade de vida de quem está na ponta do processo”, explica Maíra Pereira, diretora de Relações Institucionais Pós-consumo da Ambipar.
A implantação do novo modelo de negócio para cooperativas, criado em 2019, gera impactos positivos nas áreas social, ambiental e econômica. O resultado é mais dignidade, eficiência e renda aos trabalhadores da reciclagem.
Eva dos Santos, presidente da cooperativa Recicoplast, em Santa Bárbara D’Oeste, interior de São Paulo, é testemunha dessa transformação. “Nossa cooperativa existe há 23 anos e sempre enfrentamos muitos problemas. Soubemos de uma outra cooperativa que havia entrado no programa de Franquia Social e buscamos a Ambipar para dar início às mudanças. Começamos há um ano e, de lá pra cá, tudo só melhora!”.
A Recicoplast já tinha conquistado o barracão próprio, mas, mesmo com o espaço, não conseguia colher frutos do trabalho com resíduos. “A Ambipar trouxe o conhecimento, nos ensinou novos métodos de trabalho e mudou a nossa estrutura, a distribuição de tudo na cooperativa. Mudou tudo! Antes a gente não tinha EPI (equipamentos de proteção individual), não tinha uniforme. O uniforme faz parte de um reconhecimento ao nosso trabalho, quando trabalhamos de uniforme somos mais respeitados e valorizados na rua” lembra Eva.
Além da Recicoplast, outras 9 cooperativas já se tornaram uma Franquia Social e a previsão é chegar a 50 até o final de 2028. Além destas, existem mais de 130 cooperativas em processo de aceleração no ecossistema Ambipar. O plano de expansão prevê alcançar pelo menos 300 cooperativas nos próximos anos, ampliando significativamente o impacto social e ambiental em diversas regiões do Brasil.
“O compromisso da Ambipar vai além da gestão ambiental: queremos transformar vidas, gerar oportunidades e mostrar que sustentabilidade é sinônimo de desenvolvimento econômico e social”, afirma Maíra.
Somente no interior paulista, o modelo já está presente em cidades como Santa Bárbara D’Oeste, Nova Odessa, Hortolândia, Capivari, Elias Fausto e Monte Mor. Nesses territórios, a capacidade produtiva saltou de 1.764 para mais de 6 mil toneladas de recicláveis por ano, com potencial de atingir 9 mil toneladas/ano. A renda média mensal dos cooperados cresceu 68,3%, enquanto a receita bruta das cooperativas subiu 48,3%.
“Com a chegada da franquia conseguimos novos parceiros, vendemos o material diretamente para a indústria, sem perder dinheiro com atravessadores. Nossa renda melhorou bastante: quem tirava R$ 1,4 mil hoje está tirando R$ 2,5 mil”, conta a presidente da Recicoplast.
Propósito e impacto comprovados
A Franquia Social é resultado de uma tecnologia social desenvolvida pela Ambipar com foco na profissionalização de cooperativas. O processo é dividido em duas fases principais: Centrais Aceleradas e, posteriormente, Franquias Sociais. Na primeira fase, as cooperativas passam por um período de 8 a 12 meses de formação intensa em governança, gestão e operação. As que se destacam são selecionadas para receber investimentos estruturantes e se tornarem Franquias, com gestão autônoma, eficiência produtiva e alto impacto.
O modelo contribui diretamente para a redução de resíduos enviados a aterros, fomenta a inclusão produtiva, fortalece o mercado regional de reciclagem e está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como o ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e o ODS 10 (Redução das Desigualdades).
Conexão com a sociedade
Mais do que uma solução logística, a Franquia Social valoriza a educação ambiental como ferramenta para engajar a sociedade e mudar comportamentos.
“A circularidade é o caminho para um desenvolvimento próspero. Na Ambipar, acreditamos que é possível alinhar propósito social com resultados econômicos. As Franquias Sociais mostram que investir em reciclagem é também investir em pessoas, territórios e futuro”, reforça Maíra Pereira.
As cooperativas apoiadas atuam em programas de sensibilização nas comunidades, escolas e eventos, promovendo a consciência sobre a reciclagem e o consumo responsável. A equipe da Recicoplast, por exemplo, participa de ações de conscientização e educação ambiental nas escolas da cidade e nos bairros atendidos pela coleta seletiva. Esse trabalho tem impacto na comunidade e também no time de cooperados liderado por Eva.
“Só de saber que a gente evita que cerca de 100 toneladas por mês não vão para um aterro e sim vão entrar para a economia circular, a gente fica feliz. Sabemos que somos personagens da reciclagem, muito mais do que meros ‘catadores de lixo’ como muita gente fala. Me vejo como alguém que faz um trabalho muito importante para a nossa cidade e para o nosso país”, ressalta a presidente.
Expansão em rede e protagonismo local
A Franquia Social está integrada ao projeto Cidades Circulares, também desenvolvido pela Ambipar, que oferece soluções regionais e consorciadas de gestão de resíduos, apoiando os municípios na implantação de sistemas de coleta seletiva. Por meio desse modelo, os territórios ganham escala, regularidade e inclusão socioeconômica dos catadores na gestão adequada dos resíduos sólidos urbanos.
Esses profissionais, que passaram pela jornada de profissionalização, passam a ter uma atuação mais estratégica nesse ecossistema que a Ambipar denomina de O Novo Profissional da Reciclagem.
“Hoje trabalhamos com tudo no seu lugar. Melhorou nossa qualidade de vida e a nossa autoestima. A gente trabalha em um lugar organizado e limpo, trabalhamos mais e melhor”, finaliza Eva.

