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Carlos Nobre defende elevação de fundos climáticos de bilhões para trilhão

Uma das maiores referências no tema, climatologista afirma ainda que é preciso zerar emissões até 2040

Carlos Nobre
O cientista brasileiro Carlos Nobre tem atuação destacada nas questões climáticas. Foto: Arquivo Pessoal

A 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), em Baku, no Azerbaijão, está prevista para terminar nesta sexta-feira (22), com a expectativa de aprovação de uma nova meta para o financiamento climático. As prévias de um acordo foram divulgadas nesta quinta-feira (21), mas ainda sem definição de valores. Para o climatologista Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), os países precisam elevar o financiamento climático de bilhões para trilhão de dólares e, também, zerar as emissões de gases de efeito estufa bem antes de 2050, conforme previsto no Acordo de Paris.

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O especialista salienta que as ações para a adaptação dos países para as mudanças climáticas estão muito atrasadas. “O fundo verde para o clima já devia estar, como se sabe, na faixa de trilhão de dólares, e não de bilhões. Precisamos aumentar as metas de redução das emissões, subir muito esses fundos, tanto para redução das emissões, quanto para a adaptação dos países ao novo cenário”, frisa.

líderes mundiais crise climática
Líderes Mundiais sendo encobertos pela água no Rio de Janeiro, um protesto que pede ações efetivas dos países ricos frente à emergência climática. Foto: Apib

“A temperatura global já está há 17 meses muito próxima de 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais. Explodiram todos os eventos extremos, como secas, ondas de calor, incêndios florestais, chuvas excessivas, rajadas de vento e ressacas. A pergunta é: as populações estão preparadas para esses eventos extremos? A resposta é não!”, alerta o especialista, que também é pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), defendendo o aumento das ambições.

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O especialista entende que a COP30, que será realizada no próximo ano, em Belém (PA), será a mais importante das 30 conferências do clima já realizadas pela ONU. “A próxima COP vai ter que estabelecer compromissos para antecipar a redução das emissões, muito antes de 2050, no sentido de zerar as emissões líquidas, talvez até 2040. Também precisará convencer todos os países, principalmente os mais ricos, a aumentar – e muito – o financiamento para a adaptação aos extremos climáticos”, afirma.

Risco elevado para a Amazônia

Amazônia
Foto: Thiago Borazanian

Nobre também aponta a importância de ampliar a conexão entre o clima e a biodiversidade nos fóruns globais. “As mudanças climáticas colocam em risco a biodiversidade e, ao mesmo tempo, a perda da biodiversidade faz a mudança climática aumentar muito. Ameaçados, os biomas diminuem sua capacidade de remoção de gás carbônico (CO2) da atmosfera. E, no caso específico da Amazônia, a mudança do clima traz uma enorme ameaça ao futuro”, ressalta o professor, que tem chamado a atenção para o risco de um ponto de não retorno para a Floresta Amazônica se a temperatura do planeta ultrapassar 2,5°C em relação aos níveis pré-industriais.

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