Agrofloresta em estufa alerta para futuro climático

Uma verdadeira selva comestível em miniatura está crescendo em Londres.

Agrofloresta em estufa
Imagem: Studio Weave

Goiaba, laranja e até abacate. Estas são algumas dos alimentos que estão crescendo dentro de uma pequena estufa em Londres, na Inglaterra. O plantio é na verdade um experimento da empresa Studio Weave cujo objetivo é alertar sobre os efeitos das mudanças climáticas enquanto educa e inspira.  

A ideia do projeto se baseia em dados preocupantes. Estima-se que até 2050 os níveis de qualidade do ar podem estar cinco vezes piores, os rendimentos das colheitas podem diminuir em 30% e as temperaturas podem aumentar 4°C até o final do século. As evidências dessas previsões já estão batendo na porta: além de recordes de temperatura, as queimadas são cada vez mais intensas. 

Em tal cenário, a segurança alimentar mundial está em risco. Diversos projetos já provam que criar hortas comunitárias urbanas, no telhado e dentro de pequenos espaços podem nos ajudar a alcançar a soberania alimentar. 

Agrofloresta em estufa

A instalação em Londres é repleta de plantas tropicais, ou seja, que normalmente não crescem no clima do Reino Unido. Trata-se de um alerta para o fato de que, nos próximos 30 anos, muitos desses alimentos poderão ser cultivados ao ar livre em Londres, se as temperaturas continuarem a aumentar.

Hoje o plantio é possível na estufa porque o ambiente é controlado, podendo ser regulado para às necessidades das espécies. Esta adaptação tem duplo sentido para o estúdio de arquitetura: ao mesmo tempo em que alerta para nosso futuro também traz à tona a capacidade humana de encontrar soluções, mostrando que é possível ter cultivos seguros em todo o mundo. 

No espaço estão sendo cultivados: goiaba, laranja, semente de chia, abacate, romã, quinoa, manga, batata-doce, limão, cana-de-açúcar, grão de bico, nêspera e abacaxi. 

Criado para o Festival de Design de Londres 2020, o projeto foi batizado de “A estufa” e contou com a parceria do paisagista Tom Massey. A ideia também é “celebrar a beleza das plantas”, de forma que a selva comestível em miniatura ficará em exibição por um ano -, mostrando a variação e evolução das plantas nas quatros estações.

“Esperamos que esta pequena casa quente funcione como um lembrete contínuo de nossa relação frágil com a natureza, enquanto nos permite redescobrir o prazer simples e enriquecedor de cuidar de belas plantas”, afirmou Je Ahn, fundador do Studio Weave.