Jogar o lixo orgânico no cestinho da cozinha não é mais permitido em Vermont, o estado mais rural dos Estados Unidos. A proibição, que se deu por meio de lei, está em vigor desde 1º de julho de 2020 e não prevê multa.

A degradação de alimentos em aterros sanitários libera gás metano, causador do efeito estufa e até mais prejudicial do que o CO2 (dióxido de carbono). Segundo o governo, se cada morador de Vermont compostasse seus resíduos orgânicos isso reduziria as emissões de gases equivalente ao produzido por 7 mil veículos a cada ano.

A partir de agora os moradores e comerciantes terão que encontrar soluções para cuidar de seus próprios resíduos orgânicos. A medida inclui, além de restos de alimentos, cascas de frutas, verduras, legumes e ovos, assim como folhas e galhos do jardim.

Vermont lixo orgânico
Foto: iStock

A primeira solução mais óbvia é compostá-los em casa. Coloca na terra o lixo orgânico e usa as folhas como cobertura vegetal. Mesmo quem não tem grandes quintais, pode obter ou fazer seu próprio sistema compacto para realizar a compostagem dentro de casa e ainda obter um eficiente adubo para as plantinhas.

Para quem cria animais, a gestão também sugere alimentar galinhas ou porcos com os restos de comida. O que só não é permitido para quem opera comercialmente. Por sua característica rural, essa indicação não só não é absurda, como já é aplicada por muitos moradores.

A lei também permite levar os resíduos até centrais de compostagem ou terceirizar o serviço, contratando um agente autorizado que conduzirá o lixo para as instalações. Inclusive, cobrando uma taxa de 30 dólares, o próprio governo de Vermont realiza um curso para quem tiver interesse em operar uma instalação de compostagem certificada.

Pelo fim do desperdício

compostagem
Foto: Eiliv-Sonas Aceron | Unsplash

Vermont chama a lei de proibição ao desperdício de alimentos. O foco é que antes de pensar em compostagem, as famílias se preocupem em reduzir a produção de lixo orgânico. Isso não significa comer menos, mas ter consciência na hora de comprar – não ultrapassando aquilo que irá consumir antes do prazo de vencimento.

“Restos de comida e restos de quintal compõem quase 1/4 do lixo de uma família típica de Vermont; em restaurantes e lanchonetes, restos de comida podem representar mais da metade do lixo”, afirma o governo por meio de seu Departamento de Conservação Ambiental, que integra a Agência de Recursos Naturais. Assim também no Brasil mais da metade dos resíduos coletados é composto por lixo orgânico. São quase 37 milhões de toneladas por ano e apenas 1% desse montante é reaproveitado, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.

Há uma exceção para quem não tiver soluções para carne e ossos – conhecidos por atrair animais indesejados. E, no caso de empresas, há incentivo para a doação de alimentos próprios para consumo.

Além de reduzir o desperdício e as emissões de gases de efeito estufa, o governo também destaca como benefícios: o apoio a “empregos verdes”, a redução da necessidade de aterros sanitários e uso de adubo como restaurador do solo. “Restos de comida contêm nutrientes valiosos que são bons para o solo. O composto gerado pode ser usado em jardins, fazendas e paisagismo”, informa o Departamento de Conservação Ambiental.