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Solos tratados com adubo orgânico armazenam mais carbono

Durante 22 anos, cientistas analisaram solos tratados com adubação orgânica, adubação química e sem adubação

Published 24/10/2024
plantação de milho

Foto: Steven Weeks | Unsplash

Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, sequestrar carbono é uma das maneiras de combater as mudanças climáticas e a agricultura pode contribuir muito para esta estratégia. O solo, quando ocupados e mantidos de maneira responsável, podem se tornar grandes sumidouros de CO2.

Nesse contexto, os modelos de negócio e as práticas agrícolas influenciam diretamente a quantidade de carbono armazenada no solo. É o que mostra um estudo de pesquisadores da Kansas State University, publicado no Soil Science Society of America Journal.

Durante 22 anos, diferentes práticas de gestão do solo foram implementadas em plantações de milho, incluindo a aplicação de fertilizantes químicos, fertilizantes orgânicos, como estrume ou composto, e nenhuma fertilização. Usando técnicas avançadas da Fonte de Luz Canadense (CLS) da Universidade de Saskatchewan e da Fonte de Luz Avançada em Berkeley, Califórnia, os cientistas analisaram solos de um campo de milho que tem sido cultivado em plantio direto.

Foto: Katherine Volkovski | Unsplash

Os resultados da análise revelam que o solo tratado com fertilizantes orgânicos (como estrume ou composto) armazena uma quantidade maior de carbono do que aqueles solos que receberam apenas fertilizantes químicos ou não receberam qualquer tipo de fertilização.

Segundo o Dr. Ganga Hettiarachchi, professor de solo e química ambiental da Kansas State University, o estudo inovou pela maneira de visualizar como o armazenamento de carbono. Usando luz síncrotron de alta intensidade, a equipe conseguiu observar que o carbono estava preservado nos poros do solo e aderido a certos minerais. Esta capacidade de observação ao nível microscópico proporciona uma visão sem precedentes sobre os mecanismos subjacentes ao sequestro de carbono em solos tratados com fertilizantes orgânicos.

Microrganismos e minerais

Outra descoberta relevante foi que o solo tratado com esterco ou composto continha mais carbono microbiano, indicando que essas práticas favorecem maior atividade microbiana no solo. Os microrganismos desempenham um papel crucial na decomposição da matéria orgânica e na sua transformação em nutrientes essenciais às plantas.

Foram identificados ainda minerais específicos, sugerindo que os tratamentos orgânicos contribuem para processos biológicos e químicos mais ativos, o que também melhora a capacidade de armazenar carbono.

Foto: Roman Synkevych | Unsplash

Segundo Hettiarachchi, este é o primeiro estudo a fornecer evidências diretas dos mecanismos através dos quais os tratamentos orgânicos melhoram a saúde do solo, a diversidade microbiana e o sequestro de carbono. Estes resultados poderão ter implicações importantes na promoção de práticas agrícolas mais sustentáveis ​​a nível mundial, ajudando a mitigar as alterações climáticas.

Plantar, colher e regenerar

Pesquisas como esta mostram caminhos para que a agricultura seja cada vez mais sustentável e regenerativa – ao invés de degradar o solo, a atividade pode ajudar a recuperar e manter a terra saudável.

Além de produzir alimentos mais saudáveis, a agricultura regenerativa colabora para a restauração de ecossistemas, tornando-se uma ferramenta poderosa para enfrentar os desafios das alterações climáticas.

Com o Sistema Agroflorestal, propriedades rurais conseguem diversificar a produção de alimentos. | Foto: Carol Campos

Práticas que promovem a saúde do solo, como a aplicação de fertilizantes orgânicos, podem sequestrar grandes quantidades de carbono e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade agrícola.

À medida que a população mundial cresce, aumentam as exigências sobre a produção de alimentos e a pressão para a ocupação de áreas destinadas ao plantio.

Com ciência e tecnologia, é possível melhorar a produtividade e garantir a fertilidade do solo a longo prazo. O resultado é uma quantidade maior de alimentos produzida em uma área menor, reduzindo o desmatamento e garantindo a preservação de áreas florestais.

Foto: Facebook | Agenda Gotsch

Outra vantagem é a resiliência das plantações, já que uma maior biodiversidade microbiana e a melhora das propriedades físicas do solo, ajudar a aumentar a resistência de culturas agrícolas a diferentes condições climáticas.

Compreender o papel dos minerais, das interações químicas e dos microrganismos envolvidos ajudará a otimizar as estratégias agrícolas para maximizar o sequestro de carbono.

Compostagem

A compostagem resolve dois grandes desafios: a produção de adubos orgânicos de excelente qualidade e a destinação correta dos resíduos orgânicos que, no Brasil, correspondem à cerca de metade dos resíduos urbanos.

Com a decomposição controlada e otimizada de resíduos orgânicos, que acontece no processo de compostagem, é possível produzir fertilizantes líquido e um enriquecedor de solos muito eficiente.

A prática pode ser realizada de forma caseira, com minhocários ou outras técnicas, mas para ganhar a escala necessária é preciso que as cidades e grandes geradores de resíduos orgânicos promovam a destinação deste material para a compostagem.

A compostagem produz um excelente adubo orgânico. Foto: Planta Feliz

No Brasil, existem empresas que coletam resíduos orgânicos e levam o material para pátios de compostagem. Algumas cidades, como Florianópolis, já têm leis para que a prática seja implementada na gestão de resíduos municipal. Empresas e organizações também investem na compostagem como uma forma de destinar seus resíduos corretamente e gerar impacto positivo. Mas é preciso que o volume de resíduos orgânicos com este destino cresça.

Veja nossa campanha aqui: benfeitoria.com/projeto/ciclovivo
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