Atlanta, capital da Geórgia, ganhou particular notoriedade, em 2018, após estrear uma série homônima no Netflix, que retrata as dificuldades de jovens negros nos Estados Unidos. Em paralelo com a realidade, 22,3% dos moradores da região metropolitana de Atlanta são de baixa renda e têm pouco acesso a supermercado ou grandes mercearias. Agora a cidade quer se destacar de outra maneira: criando a maior floresta de alimentos públicos do país.

O projeto é capitaneado pelo Programa de Conservação de Florestas Comunitárias e Espaços Abertos do Serviço Florestal (CFP, na sigla em inglês) em parceria com a prefeitura. O órgão já havia feito parcerias com governos locais, tribos indígenas e organizações sem fins lucrativos para adquirir e proteger áreas florestais importantes.

Agora, o CFP vai apoiar a criação de uma floresta urbana de alimentos em um terreno de 28 mil m2, área equivalente a quatro estádios de futebol. A comunidade de Lakewood-Browns Mill, onde mais de um terço da população vive abaixo da linha da pobreza, é a primeira beneficiada. O local já possui variadas espécies alimentares.

Combatendo desertos alimentares

O projeto é parte de uma estratégia maior para lidar com os desertos alimentares, ou seja, locais de baixa renda onde acessar alimentos frescos é quase impossível. Foi criado um Plano de Visão Comunitária e, desde 2017, grupos têm se reunido em eventos voluntários para restaurar áreas florestais e ribeirinhas, organizar piqueniques, trilhas. Segundo o canal de notícias CNN, a cidade tem como objetivo fazer com que 85% dos habitantes da cidade estejam a meio quilômetro de alimentos frescos até 2021.

Foto: AgLanta

Uma das premissas do projeto é utilizar a agrossilvicultura para garantir terras mais saudáveis ​​e produtivas. No Brasil, a técnica de restaurar florestas por meio da plantação de múltiplas culturas agrícolas com espécies arbóreas é mais conhecida como agrofloresta ou sistema agroflorestal. As mudas ajudam a combater à erosão e a matéria orgânica contribui para a restauração do solo. Além disso, o sistema combina produção de alimentos,  conservação ambiental, melhoria da qualidade do clima e do solo e conservação da água.

Fotos da capa: AgLanta