A composteira é um destino possível – e positivo – para o resíduo orgânico. Existem vários tipos de composteiras, entre elas as composteiras domésticas, ou minhocários, e as composteiras feitas diretamente no chão, para quem tem espaço maior no quintal.

A ação decompositora das minhocas e dos microorganismos, como bactérias e fungos, transformam o material orgânico em um poderoso adubo, conhecido como composto. Este composto somado à terra, torna-se uma fonte denutrientes muito rica para as plantas.

Além do composto, as composteiras domésticas geram um líquido bastante escuro e sem cheiro que pode ser diluído em agua para ser usado como fertilizante, ou borrifado nas plantas para combater pragas.

Além de transformarem o lixo orgânico em adubo, as composteiras são uma excelente ferramenta de redução do nosso impacto ambiental, pois reduzem significativamente a quantidade de resíduos orgânicos que seriam enviados aos aterros sanitários.

É importante lembrar que mais da metade do lixo produzido no Brasil é formado por resíduos orgânicos que geram grandes quantidades de gases de efeito estufa quando enviado aos aterros ou lixões – ainda uma triste realidade no nosso país.

Mas nem tudo é perfeito e podem surgir alguns problemas para quem tem uma composteira. O Especialista em Agricultura Orgânica Thiago Tadeu Campos separou os problemas mais comuns e suas possíveis soluções.

Principais problemas das composteiras e como evitá-los

Se os cuidados com a manutenção forem feitos de maneira adequada, seus resíduos orgânicos serão reciclados e em breve você terá um adubo de qualidade que poderá ser usado na horta ou no jardim.

Ao fazer o uso deste composto como adubo, você terá suas plantas bem nutridas, dificultando o ataque de pragas e doenças. Além de reciclar seu lixo doméstico!

Veja quais são os os problemas mais comuns e as soluções possíveis para quem tem uma composteira em casa:

Controle da umidade

Para as pessoas que utilizam a composteira com minhocário, em especial as minhocas californianas, é preciso se atentar para o excesso de umidade na composteira. O excesso de umidade dificulta a locomoção das minhocas, pois o composto fica escorregadio, influenciando na aeração do processo de compostagem.

É importante verificar o teor de umidade do composto, e para fazer isso, basta apertar a mistura para avaliar se existe gotejamento de líquido ou não. Caso constate esse gotejamento, é necessário colocar mais material seco, como folhas secas, palhas, terra vegetal seca ou serragem. Ao inserir o material seco, é importante remexer a mistura.

Da mesma forma que não pode haver excesso de umidade, a composteira também não pode ficar muito seca. Se tiver seca, você pode acrescentar pedaços de fibra de coco umedecida, vegetais frescos um até mesmo um pouco de água. O ideal é que a umidade esteja sempre regulada, por volta de 55%.

Outro cuidado é verificar se o ar está circulando na composteira de maneira adequada. Portanto, é fundamental que se verifique a umidade no interior da composteira.

Cheiros desagradávei

Um problema muito recorrente em composteiras caseiras, é a ocorrência de odores desagradáveis. Caso a composteira com minhocário seja exposta ao sol e chuva, isso acontece com mais facilidade. O sistema da composteira não pode receber água e calor, pois irá acarretar em fermentação e gerar gases como metano entre outros, e esses gases irão exalar o mau cheiro.

Essa exposição à chuva e ao sol irá causar também desequilíbrio no pH do sistema da composteira. Caso a composteira exale odores desagradáveis, é preciso retirar a tampa por algum tempo, remexer o conteúdo e acrescentar mais material seco, evitando colocar novos resíduos orgânicos por 2 a 3 dias.

É importante destacar que ao fazer o depósito de resíduos, devemos dosar o material seco com o molhado, sempre alternando as camadas. Dessa forma, evitamos o excesso de umidade e a ocorrência de odores desagradáveis.

Temperatura adequada

A temperatura também é um fator essencial para o sucesso de sua composteira – a temperatura ideal deve estar em torno de 60° C. Para medir, use uma barra de ferro como termômetro.

Coloque o ferro e avalie se ele está quente. Se não estiver, significa que o processo de compostagem está ocorrendo de maneira lenta, que normalmente está associado à baixa umidade. Caso perceba que isso está ocorrendo em sua composteira, adicione mais resíduos orgânicos, sempre lembrando de remexer a mistura.

Minhocas fugindo da composteira

Se as condições não estiverem favoráveis para as minhocas, elas podem acabar fugindo da composteira. Elas fogem caso falte comida e também se a umidade estiver muito alta. Portanto, é necessário seguir as orientações acima.

Outro motivo que causa a fuga das minhocas, é o calor em excesso. A temperatura deve estar agradável para as minhocas, ou seja, é essencial manter a composteira em local sombreado e com ventilação.

Existem também alguns elementos que devem ser evitados na composteira, por causar intoxicação das minhocas, como serragem com produtos químicos, alguns tipos de ervas aromáticas e alimentos cítricos devem ser evitados. Se você adicionou algum destes elementos e percebeu que as minhocas estão fugindo, retire-os imediatamente e deixe a caixa destampada por algumas horas.

Moscas na composteira

As moscas podem até auxiliar no processo de decomposição na composteira, no entanto, elas deixam o ambiente muito ácido para as minhocas, o que não é interessante. Os principais motivos para o surgimento de moscas são carência de material seco no sistema; deposição de material inadequado como carnes; e não vedar adequadamente as caixas.

O aparecimento de larvas tipo bigato também pode ocorrer nas composteiras, assim como a mosca drosófila conhecida como mosca da fruta. Para evitar estes problemas, é preciso tomar cuidado ao colocar cascas de bananas e mamão na composteira. Isso porque, dependendo da regulação da umidade, as cascas as atraem. Ao colocar cascas de banana ou mamão, lembre de cobrir bem com a matéria seca.