Como fazer uma reforma sustentável
As arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos destacam como planejar a obra com responsabilidade e evitar o desperdício
As arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos destacam como planejar a obra com responsabilidade e evitar o desperdício
A crescente conscientização sobre as questões ambientais tem impulsionado transformações em diversos setores, e a construção civil, cujo aumento das emissões foi equivalente a mais de 10 milhões de carros circulando a linha do equador da Terra em 2022, não pode ficar de fora dessa reflexão. É nesse contexto que a a reforma sustentável conquista cada vez mais destaque nas áreas de arquitetura e design de interiores.
Danielle Dantas e Paula Passos, da Dantas & Passos Arquitetura, explicam que reformar de forma sustentável não significa abrir mão de beleza ou funcionalidade. Pelo contrário, trata-se de aliar economia, reaproveitamento e design criativo através da gestão de recursos disponíveis sem comprometer a qualidade do projeto.
Apesar do tema soar repetitivo, as arquitetas enfatizam que pensar em sustentabilidade nunca é demais, principalmente na construção civil. Afinal, o setor residencial sozinho é responsável por cerca de 20% das emissões globais de gases de efeito estufa ligados ao consumo de energia. E pensando nisso, elas reuniram algumas dicas práticas para quem deseja adotar soluções sustentáveis na hora da reforma ou construção.
Uma reforma sustentável começa com planejamento estratégico e escolhas conscientes desde o primeiro momento. Para a arquiteta Paula Passos, o ponto de partida está em compreender o espaço a ser reformado, avaliando as condições atuais e identificando oportunidades de reaproveitamento de materiais.
“Materiais como pisos de madeira podem ser restaurados, enquanto portas e janelas antigas podem ser transformadas em móveis ou elementos decorativos. Esses são apenas alguns exemplos que, dependendo do estado do material, podemos dar uma nova vida útil a ele”, afirma a arquiteta Danielle Dantas.

Esse aspecto positivo resulta em economia financeira: materiais reaproveitados podem reduzir os custos de construção sem comprometer a qualidade ou a funcionalidade do projeto. Outra vantagem está na eficiência energética, garantida por estratégias como iluminação natural e ventilação cruzada, que também geram economia a longo prazo nas contas de energia elétrica. “Ambientes bem ventilados e iluminados naturalmente economizam energia e oferecem mais conforto. Avaliar a implantação de um imóvel ou a disposição dos cômodos é fundamental para garantir insolação e ventilação adequadas”, completa Paula Passos.
Danielle Dantas ressalta, no entanto, que desafios precisam ser enfrentados para que a reforma sustentável seja, de fato, viável. “Um dos principais entraves é a disponibilidade de materiais ecológicos no mercado. Muitas vezes, esses itens têm custos iniciais mais elevados ou requerem uma pesquisa adicional para serem adquiridos”, diz. Outro desafio é a questão da conscientização, tanto da equipe de execução quanto do cliente, já que todos os envolvidos precisam compreender os benefícios a longo prazo das práticas sustentáveis e estar dispostos a enfrentar os ajustes necessários durante a obra.

“Mas apesar dos desafios, os benefícios de uma reforma sustentável são bem claros e podem ser alcançados com um planejamento cuidadoso e uma abordagem colaborativa. A união de economia, eficiência e consciência ambiental não só valoriza o imóvel, mas também contribui para um futuro mais responsável e equilibrado”, afirma Danielle Dantas.
Investir em soluções que reduzam o consumo de energia e água é um dos pontos altos de uma reforma sustentável. Algumas das estratégias mais indicadas pelas arquitetas incluem:



Após o ‘quebra-quebra’ da reforma, o descarte adequado de entulhos precisa ser definido com responsabilidade. “Os resíduos da construção civil estão entre os maiores poluidores do mundo. Separar e encaminhar materiais para reciclagem reduz significativamente o impacto ambiental. Caçambas e empresas especializadas devem ser escolhidas com cuidado, garantindo que os materiais sejam separados e encaminhados para reciclagem ou reaproveitamento”, lembra Paula Passos.

Além de reduzir o impacto ambiental, reformas sustentáveis podem gerar impactos sociais positivos. Materiais e móveis reaproveitáveis podem ser doados para ONGs e projetos que auxiliam comunidades em vulnerabilidade.
“Reformas não precisam ser sinônimo de desperdício. Podemos transformar o que não será mais usado em oportunidades para quem precisa, promovendo um ciclo sustentável e solidário”, conclui Danielle Dantas, uma das sócias da Dantas & Passos Arquitetura.