Cataki, aplicativo idealizado pelo movimento Pimp My Carroça, realizou um estudo que mostra que a renda dos profissionais aumentou significativamente depois que eles se cadastraram na plataforma.

O aplicativo gratuito conecta o gerador de resíduo ao catador que vai dar a destinação correta a esse material. O objetivo da plataforma é utilizar a tecnologia para aumentar a renda dos catadores e ampliar os índices de reciclagem no Brasil.

Disponível para celulares Android e iPhone (iOS). O app já tem 200 mil downloads – atualmente, cerca de 3.200 catadores e 161 cooperativas de reciclagem estão cadastrados em mais de 530 cidades do Brasil.

O objetivo do app é conectar as pessoas que geram resíduo aos profissionais que tiram seu sustento a partir desse material reciclável – dessa maneira, o app vem ampliando não só a renda dos catadores, mas também a percepção da sociedade de que catadores são profissionais que prestam um serviço especializado em reciclagem. De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 90% de tudo que o Brasil recicla só foi tirado das ruas pelas mãos desses seres humanos.   

Resultados

Profissionais da reciclagem que utilizam carroças como instrumento de trabalho tiveram sua renda ampliada em 83% com o aplicativo – os catadores que usam veículo motorizado, por sua vez, viram sua renda aumentar 64%.

O principal motivo para o aumento da renda passa pelo fato de que, uma vez conectado ao app, o catador passa a receber chamadas diretamente dos geradores de resíduo, aumentando a qualidade e a quantidade dos materiais recebidos – 49% dos entrevistados afirmaram que hoje coletam mais quilos de materiais ao longo de um dia em relação ao período antes de começarem a utilizar o aplicativo.

Além disso, o ecossistema do app estimula as pessoas a remunerarem os profissionais da reciclagem no momento da coleta. Quem chama um catador não está fazendo uma doação e sim contratando um profissional da reciclagem para prestar um serviço especializado.

Essa ligação direta com o gerador de resíduo altera completamente a dinâmica de trabalho desses profissionais, aumentando também um fator incomensurável: a qualidade de vida dos catadores.

Isso porque eles passam a exercer menos – ou até abolir – uma prática desgastante, mas que sempre foi corriqueira: o ato de “bater lata”, expressão utilizada por esses profissionais para designar a prática de procurar resíduos dentro de lixeiras, sarjetas e caçambas.

Entrevistando mais de 137 catadores cadastrados no aplicativo, a pesquisa apontou alguns dados bastante curiosos, como a presença majoritária (81%) dos homens na plataforma e o fato de que a maioria (59%) se consideram negros. Mulheres que utilizam o Cataki têm menor aumento de renda média (47,3%), se comparada com a média de aumento dos homens (69,4%).

Ainda de acordo com a pesquisa, a cada cinco pedidos de coleta realizados no app, dois são para carreto, ou seja, para o transporte de materiais que não são necessariamente recicláveis, como móveis antigos ou entulho de construção.