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PRAQê: marca de cosméticos naturais mira peles sensíveis

Com ativos da natureza, multifuncionais e biodegradáveis, produtos são ideais para quem sofre com alergias

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Uma marca de cosméticos 100% naturais, biodegradáveis e vegana. | Fotos: Divulgação

Vermelhidão, coceira, inchaço. Quem nunca sentiu a pele irritada após o uso de um produto cosmético? Reações adversas, em alguns casos, são consideradas “efeitos colaterais” esperados. Isso não significa que quem tem peles mais sensíveis deva normalizar a situação. Para Stephanye Jorente, o fato de ser bastante alérgica aos compostos químicos presentes na maioria das formulações motivou a criação de sua própria marca de cosméticos naturais: a PRAQê.

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Tendo a natureza como fonte de inspiração e guia, a marca apresenta produtos 100% naturais, com alta concentração de ativos (sem a diluição comum encontrada nos produtos de farmácia), redução de embalagem e de resíduos, além de alto rendimento. A ideia é que os clientes possam comprar menos e melhor.

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Foto: Divulgação

O caminho de descoberta para o mundo dos cosméticos naturais se abriu ainda na adolescência devido a uma doença autoimune. O tratamento convencional era agressivo: antibiótico, corticóide e remédios controlados. Stephanye, na época com 15 anos, começou a se interessar por plantas e medicina integrativa, uma abordagem que considera não somente aspectos da saúde física, mas também mental e emocional.

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“Para melhorar a qualidade de vida, fazia acompanhamento com um médico integrativo oriental, que cuidava da minha alimentação e fazia acupuntura em mim”, conta Stephanye. Os efeitos das técnicas alternativas foram positivos. “Melhorou tanto a minha qualidade de vida que me apaixonei pelos cuidados naturais. Esse foi o meu despertar. Quando as alergias de pele pioraram, estendi os cuidados integrativos para saúde da pele também”, detalha.

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Foto: Divulgação

Até então, ela investia em produtos caros que não cumpriam o que prometiam e ainda causavam mais alergia. “Comprava também remédio, pomada e ficava nesse ciclo, gastando cada vez mais”, diz.

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Ser alérgica era um rótulo que ela não carregava sozinha: sua mãe, tias e irmãs também sofriam com alergias e é sabido que tal condição tem uma tendência genética. Mas, esta está longe de ser somente uma questão familiar, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), cerca de 30% da população brasileira sofrem com algum tipo de alergia. As reações causadas por cosméticos, em geral, podem ser classificadas em dois tipos: dermatite de Contato Irritativa – é mais comum e se caracteriza por coceira, queimação e sensação de “picadas”, surgindo logo após a aplicação do produto e dermatite de Contato por hipersensibilidade, que resulta da sensibilização alérgica e não depende de ação irritante ou tóxica do produto sobre a pele.

De acordo com a Dra. Alexandra Sayuri Watanabe, especialista da Asbai, nem sempre a alergia aparece na primeira vez em que o produto é usado, podendo surgir com o passar do tempo. Além disso, várias substâncias usadas na pele, como perfumes, cremes e cosméticos, são mais reativas se expostas à luz solar, podendo causar as chamadas fotodermatites. “Ainda temos outras dificuldades, como, por exemplo, os rótulos desses produtos, que trazem informações confusas, em uma linguagem desconhecida do público leigo”, conta Dra. Sayuri.

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A indústria convencional é repleta de plásticos e ingredientes suspeitos. | Foto: Birgith Roosipuu | Unsplash

Fugindo de todas essas questões, a descoberta de Stephanye do potencial menos alergênico da cosmética natural confluiu com o conhecimento de uma marca de uma cosmetóloga. “Eram produtos excelentes, com textura e cheiro agradáveis como os convencionais. Eu comecei a conversar com ela sobre minhas alergias, e ela me ofereceu a fazer os produtos para meu uso pessoal. Aos poucos fomos ajustando os produtos, fui dando palpites de quais ativos gostaria de ter nesses produtos de uso diário”.

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Este foi o primeiro passo para uma virada na carreira. Advogada de formação, tendo atuado com registro de marcas e operações legais societárias por mais de 10 anos, ela decidiu empreender no mundo da cosmética natural, nascia assim a PRAQê.

Natural e eficaz

A PRAQê surge como uma resposta para quem sofre com alergias, sensibilidade, problemas de pele, mas sem deixar de lado a preocupação ambiental. É uma marca de cosméticos 100% naturais, biodegradáveis e vegana.

“Escolhemos ativos de alta tolerância para pessoas alérgicas, ricos em antioxidantes, para oferecer nutrição a nível celular – o que resulta em uma pele mais bonita com viço, volume, firmeza e uniformidade. Selecionamos poucos ingredientes, mas todos com comprovação científica de eficácia. Um produto clean, com sinergia e que funciona”, resume.

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As embalagens são livres de plástico. | Foto: Divulgação

Para tanto, desde o início a busca foi por matéria-prima de origem sustentável, ativos orgânicos, conservantes naturais, certificados, tudo sem aditivos potencialmente tóxicos ou perigosos à saúde. “Produtos cosméticos comuns podem conter compostos químicos como parabenos, ftalatos, chumbo e alumínio, que estão associados a distúrbios hormonais e reprodutivos, efeitos neurotóxicos, doenças neurodegenerativas e até mesmo riscos carcinogênicos”, alerta Stephanye. Todos esses perigos a troco de que? O efeito pode ser contrário ao esperado. “Alguns químicos (como sulfato e silicones) também fazem mal para nossa beleza, pois degradam a estrutura da pele e dos fios, desencadeando um efeito cascata de danos”, completa.

O universo dos cosméticos naturais busca soluções na natureza. As formulações usam ingredientes derivados de fontes naturais, como plantas, minerais e óleos essenciais. No caso da PRAQê não é diferente, a marca aposta em ingredientes que tem uso milenar para beleza e tratamento da saúde da pele. Stephanye confessa que adora saber sobre as novidades tecnológicas que os laboratórios lançam todos os dias, mas que prefere não trabalhar com eles.

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Produtos são consistentes e seguros. | Fotos: Divulgação

Atualmente, mais de 10 produtos formam o portfólio da marca, que aposta em produtos essenciais e multifuncionais. A ideia, incorporada como propósito, é concentrar múltiplas funções em menos produtos, o que vai na contramão da indústria convencional, responsável por estimular o consumismo e criar demandas por cosméticos cada vez mais específicos.

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“Acreditamos que ter menos traz mais clareza, paz e satisfação. Nossos clientes buscam isso ou através de nós descobrem isso. Não é necessário ter um monte de produtos para ter uma pele linda e saudável. Na verdade, esse excesso de produtos prejudica e sensibiliza a pele”, afirma. Um bom exemplo é o balm, criado para ser um creme “pós-tatuagem”, é um hidratante multifuncional, que pode ser usado em qualquer área ressecada, sensível, com leve ferimento e até mesmo para aliviar picadas de insetos.

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O tint natural é um dos queridos da marca. Fotos: Divulgação

Entre os produtos que mais fazem sucesso estão o Tint, que une blush, sombra, batom e ainda promete tratar a pele da maçã do rosto; o Primer Serum, que possui textura em gel e uniformiza a pele, reduz os poros, linhas de expressão e fortalece a pele; e o Serum Oil, que tem ação imunomoduladora, trata a pele do rosto e o couro cabeludo, seca rápido e deixa a pele aveludada.

O tint natural não existia no mercado, segundo a empreendedora. Outras lacunas que percebia no mercado também vão sendo supridas. “Os cosméticos naturais que eu testava eram aguados, com fragrância em excesso, ou grudentos… não tinham sensorial bom”, relata. Entre os diferenciais, está a aposta em fragrâncias naturais, ativos concentrados, com odor e consistência agradáveis.

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Em comum, todos os produtos são embalados ou com embalagens biodegradáveis ou em latinhas de alumínio, ou seja, totalmente livres de plástico. A marca ainda tem o desejo de desenvolver as próprias embalagens ecológicas e exclusivas.

Outras novidades, já em desenvolvimento, são um sabonete de uso diário e um iluminador.

Mercado em crescimento

Em 2024, o mercado Clean Beauty deve faturar globalmente US$ 22 bilhões, segundo dados da consultoria Statista. Apesar da falta de padronização para o que pode ser chamado de “beleza limpa”, o conceito abrange ingredientes sintéticos (ou criados em laboratório) – desde que sejam seguros.

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Dentro da cosmética natural, não há números precisos. Mas, a percepção geral é de crescimento. No caso da PRAQê, são quatro anos de vida com uma equipe pequena focada em atender à crescente conscientização do consumidor sobre os impactos ambientais e de saúde dos produtos de beleza. “Maior que o desafio é a gratificação por de fato oferecer cosméticos eficientes, sustentáveis, de alto rendimento, desempenho, acessíveis e sem veneno, provando que é possível. A PRAQê é o nosso protesto contra a indústria, e o mundo da beleza que enfia toxinas no nosso organismo e no meio ambiente”, orgulha-se Stephanye.

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Fotos: Divulgação

Os compromissos dos empreendedores do ramo da cosmética natural se fundem aos benefícios sentidos pela experiência de uso dos consumidores e alavancam o crescimento do setor.

Uma das grandes preocupações da PRAQê é garantir que os fornecedores tenham rastreabilidade e laudo laboratorial. A marca trabalha com grandes laboratórios e alguns menores, que buscam ativos puros em cooperativas amazônicas, que até então eram disponíveis apenas para exportação. Cada ingrediente é escolhido a dedo, sempre buscando informações científicas, e considerando a sinergia entre os ativos. Os produtos finais somam no máximo 10 ingredientes.

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Fotos: Divulgação

O valor agregado das matérias-primas puras, naturais, livre de derivados de petróleo e conservantes baratos, garantem a qualidade e a segurança dos produtos. “Alergia é só o que vemos na superfície da pele, o menor dos problemas de saúde”, diz Stephanye.

Para a empreendedora, o mercado brasileiro vive hoje o boom experienciado pela Austrália há 20 anos e a Europa há 15, inclusive com grandes marcas convencionais ofertando opções. “Com mais comprovação sobre os danos que os produtos convencionais causam, acredito que no futuro esses componentes polêmicos que vemos hoje nas farmácias serão proibidos. Vamos olhar para trás e pensar que foi um absurdo a exposição tóxica que vivemos”.

Ela vislumbra os cosméticos naturais dominando o mercado, um resgate ancestral de produtos de uso milenar para a beleza. Para esse futuro, a PRAQê já está mais que pronta. “Tem espaço para todo mundo e juntos somos mais fortes. Nos unimos e apoiamos pequenas empresas. Estamos sempre em movimento e encontramos pessoas que assim como nós vivem o propósito”, finaliza.

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