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O ator Leonardo DiCaprio, o explorador e diretor James Cameron e o presidente do Grupo Virgin, Sir Richard Branson, durante um encontro internacional na Alemanha, realizado esta semana, convocaram as nações a proteger as águas da Antártica.

Em artigo do jornal russo Rossiyskaya Gazeta, DiCaprio e Grigory Tsidulko, da Aliança do Oceano Antártico, enfatizaram que “o Oceano Antártico é um dos lugares mais singulares e especiais do planeta, e permanece relativamente intocado por ser tão isolado e inóspito. Mas até isso está mudando, já que a humanidade começa a explorar esses últimos refúgios selvagens”.

A exploração inclui a pesca comercial do krill e, mais recentemente, da merluza-negra. Segundo o Lenfest Ocean Program, a pesca excessiva está reduzindo a população de merluzas em algumas áreas de ocorrência. Esse fato, somado à crescente preocupação sobre o impacto da pesca do krill e ao desejo de proteger as águas que sustentam três quartos da vida marinha, levou as nações-membro da Comissão para a Conservação dos Recursos Marinhos Vivos da Antártica (CCAMLR) a criar propostas de áreas protegidas durante o encontro anual da organização, em outubro do ano passado.

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A primeira Área de Proteção Marinha (APM), proposta pelos Estados Unidos e Nova Zelândia, cobriria 2,3 milhões de quilômetros quadrados do Mar de Ross, incluindo uma área “totalmente protegida” de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. Se criada, seria a maior reserva marinha do mundo e quase dobraria o tamanho das áreas oceânicas totalmente protegidas em todo o mundo. A segunda, proposta pela Austrália, França e União Europeia, definiria sete áreas de proteção marinha na Antártica Oriental, 1,63 milhão de quilômetros quadrados. Na APM do Mar de Ross, a pesca e outras atividades extrativistas seriam proibidas; na APM da Antártica Oriental, não existem atividades do tipo no momento, mas a proposta exigiria o consenso da CCAMLR para liberar a exploração em suas fronteiras.

As propostas receberam o apoio da maioria no encontro de outubro, mas como as decisões da CCAMLR dependem de consenso, basta a rejeição de apenas um dos 25 membros para barrá-las – e na ocasião, mais de uma nação o fez. Na segunda e na terça, os delegados da CCAMLR se reuniram em Bremerhaven, Alemanha, para analisar mais uma vez as propostas (na quinta, o comitê científico da CCAMLR discutirá os benefícios ecológicos das reservas).

Uma das maiores opositores é a Rússia, o que levou DiCaprio a argumentar, em entrevista ao Rossiyskaya Gazeta, que o “sucesso na Antártica precisa da liderança da Rússia, do presidente Putin e da comunidade mundial”. O mesmo fizeram Branson e Cameron que, em carta aberta, co-assinada pelos exploradores do oceano Sylvia Earle, Jean-Michel Cousteau e o capitão Don Walsh, escreveram que “a Rússia desempenha um papel crucial na definição do futuro da Antártica. Esperamos que a nação apoie as propostas de Áreas de Proteção Marinha do Mar de Ross e da Antártica Oriental na reunião de Bremerhaven”.

A Rússia, embora fundamental, não é a única nação que não está inteiramente convencida dos méritos das propostas. Sua vizinha, a Ucrânia, é outra, e também a Noruega, que tradicionalmente é uma grande defensora do ambiente antártico, além de ser um dos sete países — ao lado do Reino Unido França, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Chile — que reivindicam uma porção do território antártico. No entanto, o país nórdico tem sido reticente e propôs apenas o acréscimo de uma “cláusula de suspensão”, determinando uma data de expiração para ambas as reservas.

Seus defensores parecem decididos a efetivar a criação das APMs. O Ministro do Meio Ambiente da Austrália, Mark Butler, declarou que “a Austrália tem muito orgulho de apoiar essas propostas”, enquanto o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, tem demonstrado apoio inequívoco. “O Mar de Ross é um laboratório natural. Nós o ignoramos por nossa conta e risco. Não vamos esperar uma crise para tomar uma atitude”, afirmou recentemente.

Por Kieran Mulvaney – Descubra o Verde – Discovey Brasil

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