O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, ONG que representa a maior rede de proteção animal do Brasil, lançou nesta quinta-feira (5) uma campanha que pede que a empresa JBS se comprometa com o fim do confinamento de porcas reprodutoras em gaiolas de gestação – prática considerada cruel e já proibida em diversos países. A empresa é a segunda maior produtora de carne suína no Brasil. A cobrança acontece depois que a BRF, maior produtora nacional, declarou o fim da prática no final do ano passado.

“Os porcos são um dos animais mais inteligentes do planeta, até mais do que os cães, e o sofrimento das porcas reprodutoras é um dos piores dentre os animais criados para consumo. Diversos estudos científicos já comprovaram que o uso de gaiolas de gestação para porcas reprodutoras resulta em distúrbios mentais e problemas físicos como manqueiras e infecções urinárias. Uma empresa do porte da JBS simplesmente não pode permitir que essa prática extremamente cruel continue a ser usada em sua cadeia de abastecimento”, disse Sônia Fonseca, presidente do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal (FNPDA).

As gaiolas de gestação são cubículos de metal tão pequenos que os animais mal podem se mover. As porcas reprodutoras – usadas para parir leitões de engorda – passam praticamente toda a vida presas dentro dessas gaiolas. O confinamento contínuo de porcas em gaiolas de gestação é amplamente usado na produção industrial de carne de porco no Brasil, mas a prática é tão controversa que já está sendo abolida em mais de 30 países – como em todos os países membros da União Europeia, Canadá, Nova Zelândia e Austrália.

Em 2014, negociações lideradas pelo FNPDA e instituições parceiras resultaram no comprometimento da BRF, maior produtora de carne suína do Brasil e dona das marcas Sadia e Perdigão, em acabar com o uso contínuo de gaiolas de gestação. “Agora é a hora da JBS fazer o mesmo na cadeia da SEARA. Pesquisas são extremamente claras: a grande maioria dos brasileiros não quer que animais criados para consumo sejam maltratados dessa forma”, completou Sônia.

A campanha do FNPDA foi lançada por meio de uma petição no portal Change.org.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.