Desenvolvida em Paraisópolis, uma das maiores comunidades da cidade de São Paulo, a iniciativa Horta na Laje, idealizada e conduzida pelo Instituto Stop Hunger no Brasil, tem como objetivo capacitar moradores, especialmente mulheres, a produzirem o próprio alimento por meio do ensino de técnicas de plantio em vasos ou recipientes plásticos, para que sejam capazes de cultivar as hortaliças em suas casas.

A Horta na Laje propicia uma fonte de alimentação saudável e segura, bem como condições para a geração de renda e a transformação da região em um ambiente sustentável e com qualidade de vida, uma vez que a agricultura na laje ajuda a diminuir a temperatura da casa, em alguns casos com uma diferença de 3 a 4 graus.

Desde 2017, ano de sua fundação, o projeto já capacitou mais de três mil moradores, a maioria mulheres, e recebeu mais de quatro mil visitantes, do Brasil e do exterior, interessados no projeto e em conhecer a comunidade. O restaurante Bistrô e Café Mãos de Maria, que serve comida típica brasileira e também oferece oficinas de culinária com viés empreendedor, está instalado no mesmo espaço do projeto, que fornece insumos diários para o cardápio do restaurante. A inciativa conta ainda com a parceria da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, a Associação de Mulheres de Paraisópolis e o Instituto Escola do Povo.

Prêmio em Nova York

O projeto ganhou um prêmio inédito para ações que promovem a igualdade de gênero como forma de corroborar com os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. A Horta na Laje foi a grande vencedora do Troféu GEEIS-SDG (Gender Equality European & International Standard – Sustainable Development Goals).

A premiação inédita foi idealizada e promovida pela Arborus, organização internacional sem fins lucrativos, e tem o propósito de reforçar que a igualdade de gênero é a força motriz por trás da realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Este reconhecimento é concedido apenas para as signatárias das convenções internacionais do Pacto Global e Princípios de Empoderamento das Mulheres. Além da Sodexo, a premiação reuniu na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, as empresas Camfil, Danone, L’Oréal e Orange, que também concorreram ao prêmio. Cada uma das empresas foi convidada a apresentar até dois projetos, de qualquer lugar do mundo, sendo apenas um selecionado pelo júri.

Stop Hunger Brasil

O Instituto Stop Hunger, organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), sem fins lucrativos, criada e mantida pela Sodexo com a missão de combater a fome e a má nutrição. “Para nós, é uma honra receber este prêmio, que vem ratificar a importância de nossa atuação como empresa cidadã, por meio do Horta na Laje, gerando projeção internacional para um projeto genuinamente brasileiro”, disse Fernando Cosenza, vice-presidente de marketing estratégico, inovação e sustentabilidade da Sodexo Benefícios.

Ele também afirma que esta iniciativa, criada e conduzida pelo Instituto Stop Hunger do Brasil, foi a maneira que encontraram de apoiar as mulheres de uma das maiores comunidades em situação de vulnerabilidade social do Brasil, oferecendo a elas oportunidades de geração de renda, de prática de hábitos mais saudáveis de alimentação e, porque não dizer, de transformação social por meio do empoderamento feminino. “Acreditamos que  capacitar e desenvolver as mulheres é fundamental para a erradicação da fome, pois há uma relação direta entre a melhoria da situação social das mulheres e o progresso na luta contra a fome”, explica Cosenza.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.