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Estudantes do Maranhão desenvolvem bioplástico de babaçu

Inspirados por aulas sobre consumismo e resíduos, jovens usaram matéria-prima local para tentar substituir o plástico

Published 25/06/2024
bioplástico de babaçu

Foto enviadas pela professora Marinalva de Morais Souza (à direita)

Estudantes do Centro de Ensino Lucas Coelho, do município de Benedito Leite, no Maranhão, mostram que estão conectados com o mundo em que vivemos e seus desafios. Conscientes de que é urgente reduzir o uso de plástico e encontrar materiais mais substituíveis, uma turma de 19 alunos desenvolveu um bioplástico produzido a partir babaçu.

Com a orientação da professora de geografia Marinalva de Morais Souza e do professor de química Luís César Rodrigues, os estudantes tiveram a ideia de criar o bioplástico durante as aulas de geografia sobre consumismo e a geração de resíduos, principalmente de plásticos convencionais. A turma começou a investigar alternativas sustentáveis para combater a poluição plástica, cada vez mais visível.

Essas pesquisas revelaram as possibilidades de bioplásticos feitos com matérias-primas orgânicas e a turma optou por testar a possibilidade de produzir um plástico feito de babaçu, uma palmeira nativa da América do Sul, e muito presente do Estado do Maranhão que dá frutas de sementes oleaginosas e comestíveis, das quais se extrai um óleo que pode ser usado na culinária, medicina e com potencial para ser um biocombustível.

Fotos enviadas pela professora Marinalva de Morais Souza

O bioplástico criado pelos alunos reaproveita o endocarpo, uma parte resistente e fibrosa encontrada dentro da casca do fruto do babaçu. O processo de extração do material do endocarpo envolve etapas de moagem, secagem e trituração. Após isso, os componentes celulósicos são submetidos a processos de polimerização para produzir biopolímeros, que podem ser utilizados na fabricação de um material que se parece com o plástico.

“O bioplástico derivado do endocarpo do babaçu é biodegradável e renovável, proporcionando uma alternativa sustentável aos plásticos convencionais. Além disso, sua produção pode impulsionar a economia local, gerando empregos e agregando valor aos resíduos, que muitas vezes são deixados de lado”, conta a professora Marinalva, que acompanhou os jovens durante todo o processo.

Marinalva conta que as aulas se tornaram muito mais interessantes com a experiência prática dos alunos na busca por uma solução mais sustentável ao plástico. “Os alunos colocaram a criatividade e o aprendizado na experiência de trazer ideias reais e possíveis. Tivemos dificuldade para encontrar informações sobre esse tipo de produto|, relembra a professora.

Fotos enviadas pela professora Marinalva de Morais Souza

Animados com as descobertas, os estudantes superaram a frustação das primeiras experiências que não deram certo e seguiram em frente. Usando apenas o material disponível no laboratório da escola, as primeiras amostras de bioplástico foram apresentadas para a comunidade escolar. Os próximos passos já estão sendo planejados: levar o material para profissionais da área avaliar, melhorar o que for necessário e ir atrás de uma empresa interessada em fabricar o bioplástico de babaçu.

“Mostramos a capacidade da escola em superar desafios e, em pouco tempo, pensamos em uma solução mais sustentável para o planeta”, orgulha-se Marinalva. Ela e seus alunos querem divulgar a ideia e incentivar o uso desse tipo de material, desenvolvido em apenas 3 meses de pesquisas e testes de laboratório.

Fotos enviadas pela professora Marinalva de Morais Souza

Abaixo estão os nomes das alunas e alunos que trabalharam no projeto de bioplástico de babaçu e estão fazendo a sua parte para encontrar soluções mais sustentáveis:

Fotos enviadas pela professora Marinalva de Morais Souza
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