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Ativista contra caça de baleias é preso na Groenlândia

Prisão de Paul Watson foi pedida pelo Japão; mobilização nas ruas e on-line pede por liberdade de ativista

Paul Watson
Foto: Captain Paul Watson Foundation | Divulgação

Na manhã de domingo do dia 21 de julho, o ativista Paul Watson foi preso em Nuuk, capital da Groenlândia. A prisão foi feita pela polícia federal da Dinamarca, que tem soberania sobre a ilha, atendendo a um pedido do Japão -, nação que retomou a caça comercial de baleias em 2019.

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Paul Watson
Foto: Barbara Veiga | Sea Shepherd

Com 73 anos e bastante conhecido entre ambientalistas, Paul Watson é fundador das organizações ambientalistas Greenpeace, Sea Shepherd e Captain Paul Watson Foundation. Segunda esta última, a decisão para a libertação do ativista está nas mãos da Primeira Ministra da Dinamarca, a Sra. Mette Frederiksen, e está planejada preliminarmente para até dia 15 de agosto. Entretanto, o país também espera pelo pedido formalizado de extradição pelo Japão, que precisa ser emitido até 30 dias após o seu aprisionamento -, esta seria a pior das possibilidades.

Quando Paul Watson foi preso?

caça baleias
Foto: Captain Paul Watson Foundation | Divulgação

Paul Watson estava a bordo de seu navio de 72 metros, quando parou na Groenlândia para reabastecer. A tripulação da Fundação Capitão Paul Watson realizava a Operação Kangei Maru: uma missão para interceptar o recém-chegado navio baleeiro do Japão, o Kangei Maru, no Pacífico Norte. Em Nuuk, mais de uma dúzia de policiais federais e um promotor dinamarques e membros da equipe SWAT saíram de Copenhagen para a apreensão, e embarcaram no navio assim que este chegou ao porto. Depois que o capitão Watson foi algemado e retirado do navio, foi levado à delegacia de polícia local.

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Por que Paul Watson foi preso?

De acordo com o Ministério da Justiça da Dinamarca, a detenção foi efetuada com base num mandado internacional emitido pelas autoridades japonesas. A prisão é relacionada com um antigo Aviso Vermelho de 2012, da Interpol, emitido para as anteriores intervenções anti-caça às baleias do Capitão Watson na região da Antártica em 2010. São três diferentes motivos:

Uma referente à invasão de propriedade. Neste ano, Peter Bethune, uma pessoa de sua tripulação decidiu invadir um navio japonês , mesmo em filmagem comprovando que Paul Watson não apoiava esta tática. Em tribunal no Japão, Peter Bethune disse ser coagido por Sr. Watson. Logo em liberdade, Sr. Bethune gravou depoimento declarando que foi forçado a culpar Paul Watson, para permitir sua libertação.

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caça baleias
Foto: Captain Paul Watson Foundation | Divulgação

Outra acusação é sobre lesão corporal. Esta alega que a tripulação de Paul Watson jogava ácido butírico nos deques de seus navios, porém na época Paul Watson alegou que nunca foi usado nenhum contaminante tóxico e perigoso em suas operações. O que jogavam nos deques era mesmo somente manteiga com data de validade vencida, que cheirava muito mal, mas que não fazia absolutamente nada ao toque. As provas de lesão do Japão estavam relacionadas a acidentes com sprays de pimenta a bordo de seu navio de segurança, um material que nunca foi usado pelos ativistas.

A terceira acusação é sobre impedir atividades comerciais. O Japão na época participava da Comissão Internacional das Baleias, uma participação que exigia a proibição da caça de baleias por motivos comerciais. O Japão alegava à CIB que suas milhares de baleias mortas ao longo dos anos eram referentes à pesquisa, e não ao comércio. As campanhas de Paul Watson demonstram com clareza de que aquela vasta quantidade de baleias nunca teve o objetivo de pesquisa como prova, e a alegação de acusação do Japão, se verdadeira, confirma o seu descumprimento das regras internacionais de proteção às baleias. Desde então, o programa de pesquisa baleeira do Japão, JARPA, foi declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça em 2014.

Ação inesperada

“Estamos completamente chocados, pois o Aviso Vermelho desapareceu há alguns meses. Ficamos surpresos porque isso poderia significar que ele havia sido apagado ou tornado confidencial. Compreendemos agora que o Japão tornou isso confidencial para atrair Paul a uma falsa sensação de segurança. Imploramos ao governo dinamarquês que liberte o Capitão Watson e não aceite este pedido de motivação política”, afirmou Locky MacLean, Diretor de Operações de Navios da Captain Paul Watson Foundation.

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O Japão cessou a caça às baleias no alto mar da Antártida em 2016, e em 2019, saiu do CIB oficialmente – mantendo a caça às baleias dentro das suas águas territoriais.

caça baleias
Foto: Captain Paul Watson Foundation | Divulgação

A organização ambiental acredita que o Japão planeja retomar a caça às baleias em alto mar no Oceano Antártico e no Pacífico Norte já em 2025, e a reativação do Aviso Vermelho coincide com o lançamento de seu maior navio-fábrica de processamento de baleias recém-construído, uma estrutura para caças a longa distância que permanecem em alto mar por longos períodos de tempo – algo nada necessário para caças dentro de áreas jurisdicionais.

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Foto: Captain Paul Watson Foundation | Divulgação

‘É uma extrema inversão de valores a polícia internacional e a Dinamarca decidirem ouvir o Governo do Japão, e aprisionar um grande defensor de baleias que nunca feriu ninguém, uma pessoa de 73 anos que doou sua vida à preservação do oceano’ – diz Nathalie Gil, Presidente da Sea Shepherd Brasil, organização não-governamental que Paul Watson fundou e segue ativo no Brasil. Ela continua: ‘Paul Watson é preso por fazer parte de uma lista vermelha ao lado de perigosos criminosos, enquanto o Japão segue impune após desacatar um tratado internacional de proibição de caça às baleias por anos, e inaugura mais um barco baleeiro neste ano para seguir matando baleias. O que de fato deveria ser visto como crime nos olhos da lei?’

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Mobilização

No último sábado, dia 27 de julho, a Sea Shepherd Brasil realizou um protesto na frente do MASP, na Avenida Paulista, com dezenas de pessoas. Cartazes, pinturas, correntes, e cantos em megafone demonstraram a indignação dos participantes. Globalmente, manifestações estão planejadas para os próximos dias.

Paul Watson
Projeção Free Paul Watson. | Créditos @Projetemos

Grandes nomes já se posicionaram a favor de Paul Watson. Notadamente, Emmanuel Macron, Presidente da França, foi a público pedir pela libertação de Paul Watson. Ele também afirmou que já está em conversa com os governos do Japão e Dinamarca sobre o assunto. Grandes celebridades como as bandas Pearl Jam e Bryan Adams e artistas como Brigitte Bardot já compartilharam seu apoio. Grandes ambientalistas de renome, como Jane Goodall e Sylvia Earle também já demonstraram seu pedido pela liberdade de Paul Watson.

No Brasil, grandes celebridades como Klebber Toledo, Hugo Bonemer, Alexia Deschamps, Luisa Mell, entre outros, já compartilharam em suas mídias sociais a sua indignação. O assunto foi coberto nos maiores jornais do país.

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A Sea Shepherd Brasil realizou um protesto na frente do MASP, na Avenida Paulista. | Foto: Divulgação

A organização espera ainda um pronunciamento do governo brasileiro sobre o caso. “Um posicionamento de Lula pode ser a peça-chave para uma decisão da Primeira Ministra dinamarquesa” diz Nathalie Gil, presidente da organização. “A Dinamarca possui fortes relações com o Brasil, anunciando em 2023 a doação de 110 milhões de reais para o Fundo Amazônia. Um posicionamento do Brasil contra a prisão de Paul Watson poderá passar uma mensagem importante ao planeta sobre a proteção das baleias, que quase foram extintas quando a caça baleeira era ainda permitida pelo mundo, mas também reforçará nossa posição de líder em relação ao tema do meio ambiente e da biodiversidade para o combate climático, em um momento crucial para o planeta. Não se posicionar e deixar Paul Watson ir preso no Japão é passar todas as informações erradas de quem deve ser punido e quem deve ser reverenciado na proteção do meio ambiente.”

A ONG brasileira iniciou uma petição online que já alcança mais de 13 mil assinaturas, e a lista de assinaturas será enviada em conjunto uma carta aberta para o Governo do Brasil no início da semana que vem, que já possui mais de 50 organizações brasileiras inscritas, como Greenpeace Brasil, Mercy For Animals, Instituto Baleia Jubarte, dentre outras, solicitando por uma posição do Governo para a liberdade do Sr. Watson.

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