Renato Lemos Miranda caminhava pela praia na Ilha das Palmas quando foi surpreendido por uma lata velha de alumínio entre as pedras. Ele pensou que pudesse ser até de outro país, pois não lhe era familiar. A hesitação tinha razão de ser, afinal o refrigerante Pop Cola, apesar de nacional, não é produzido há 19 anos.

“Quando peguei a lata na mão não consegui ver a data porque o fundo da lata estava muito sujo. Lavei e esfreguei com as pontas dos dedos, tomando cuidado para não arranhar, e assim pude ver a data de validade: Novembro de 1998”, conta.

O produto foi lançado pela Antarctica em 1995, concorrendo com a Pepsi e a Coca-Cola, mas desde 2000 saiu de linha -, quando uma megafusão entre Antarctica e Brahma resultou na criação da Ambev.

Matéria de 1995, na Folha de S. Paulo, fala do lançamento do Top Cola.

Não é a primeira vez

Ao CicloVivo, Miranda relembra que, em 2015, já havia encontrado uma latinha de cerveja Heineken de 1995, na praia do Sangava, também em Guarujá, além de uma garrafa plástica de água de marca estrangeira próximo ao mangue de Santos.

Encontrada em setembro de 2015: 20 anos após data vencimento. | Fotos: Renato Lemos Miranda

Ele compartilhou a descoberta em seu perfil no Facebook, cuja imagem já obteve mais de 300 compartilhamentos. “Minha intenção nas publicações é sempre provocar reflexão e essa fez com que muitas pessoas repensassem os impactos causados por nós no meio ambiente”, afirma.

Hoje, andando no entorno da Ilha das Palmas, Guarujá, encontrei esta latinha alumínio da Pop Cola Antártica com data de…

Posted by Renato Lemos Miranda on Saturday, October 12, 2019

Viveiro é sua herança

Embora pertença ao Guarujá, litoral de São Paulo, a Ilha das Palmas está localizada na baía de Santos. Tal cidade é onde Miranda sempre viveu e onde herdou uma curiosa herança de seu pai: um viveiro de mudas nativas da Mata Atlântica.

“Meu pai e mais dois amigos iniciaram o viveiro. Ele também queria reflorestar uma área desmatada na Praia do Sangava e, em 2015, quando estava levando cerca de 20 mudas numa trilha do Sangava, teve um infarto fulminante. Enfim, morreu fazendo o que gostava e se tornou parte integrante da natureza do local que ele mais gostava”, conta Miranda. “Meu pai também fazia limpeza de praias e trazia os resíduos em seu barco”, completa.

Com tanta inspiração vinda de casa, hoje ele segue o legado do pai. É cuidador do viveiro e plantador de árvores. Organiza mutirões e plantios, estimulando outras pessoas se engajarem. Também compartilha bons exemplos em sua página Arborizando.

Além do viveiro na escola de Educação Especial Carmelita, ele já planeja com amigos iniciar outro viveiro na Escola Estadual Olga Cury – ambas em Santos. O que fica bastante claro, em qualquer projeto, é a força e importância do espírito de coletividade no trabalho em prol de um mundo melhor.

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