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Do Xingu, Replikka vence o prêmio de Melhor Curta-Metragem Documental

É o primeiro curta brasileiro co-dirigido por um indígena a vencer o HotDocs em Toronto; filme agora é elegível ao Oscar

Replikka
Filme foi co-dirigido pelo cineasta indígena do Xingu Piratá Waurá e pela diretora Heloisa Passos. Foto: Fernanda Ligabue

Um curta brasileiro acaba de ser premiado no Hot Docs 2026, o maior festival de documentários da América do Norte e um dos mais importantes do mundo. Replikka, filme co-dirigido pelo cineasta indígena do Xingu Piratá Waurá e pela diretora Heloisa Passos, foi eleito o Melhor Curta-Metragem Documental Internacional. Com a premiação no festival, reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Replikka entra na corrida do Oscar

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Em 2018, um ato de vandalismo destruiu gravuras históricas em uma caverna do Xingu, no município de Paranatinga, em Mato Grosso. Considerada sagrada, a gruta seria o lar do ancestral guerreiro Kamukuwaká – o local era tombado pelo Iphan. Uma força-tarefa criou uma réplica em 3D a partir da digitalização tridimensional das inscrições originais, unindo tecnologia à sabedoria ancestral xinguana. O filme justamente acompanha o ritual de inauguração da réplica em tamanho real (8 metros de largura x 4 metros de altura).

Replikka
Foto: Heloisa Passos

“A réplica é um ato de resistência para preservar nossa história, cultura e cosmologia para as futuras gerações”, diz Akari Waurá, cacique da aldeia Topepeweke. 

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Unindo memória e resistência, o filme é um desdobramento de quase dez anos de pesquisa colaborativa entre a People’s Palace Projects / Queen Mary University of London, Factum Foundation, antropólogos, arqueólogos, e o povo Wauja, em torno da preservação da gruta sagrada do Kamukuwaká. Com parceiros nacionais e internacionais, o projeto resultou na produção do curta Replika e também em uma experiência de realidade virtual – Kamukuwaká – O chamado da Floresta, também dirigido por Piratá Waurá em parceria com Francisco Almendra do Studio KWO.

O vídeo abaixo, produzido pelo Studio 1504, faz uma retrospectiva dessa história:

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Replikka: trajetória de premiações

Além do prêmio em Toronto, o filme também recebeu reconhecimento de outros importantes festivais nacionais e internacionais: venceu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Edição de Som no Festival de Brasília, em setembro de 2025; integrou a Seleção Oficial Première Brasil do Festival do Rio, em outubro de 2025; conquistou o Prêmio Canal Brasil de Melhor Curta no Panorama Coisa de Cinema, em março de 2026; e recebeu Menção Honrosa de Melhor Curta Ibero-Americano no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), em abril de 2026.

Independentemente de entrar na premiação do Oscar, Replikka já é considerado um marco para o audiovisual indígena, uma vez que é o primeiro curta-metragem brasileiro com co-direção de um cineasta indígena a vencer o prêmio Hot Docs.

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Hot Docs 2026
É o primeiro curta-metragem brasileiro com co-direção de um cineasta indígena a vencer o prêmio Hot Docs. Foto: Divulgação

“O Hot Docs reconhece não apenas nossa obra, mas a luta do nosso povo por memória e demarcação”, afirma o diretor Piratá Waurá. Já a Heloisa Passos salienta que “este prêmio pertence ao povo Wauja e a todos que acreditaram que tecnologia e memória ancestral podiam caminhar juntas.”

Para assistir ao curta, haverá uma boa oportunidade, em breve, em São Paulo. O filme é um dos 51 selecionados na Mostra Ecofalante.

Sinopse de Replikka

Na fronteira do Território Indígena do Xingu, uma gruta sagrada é vandalizada, ameaçando a memória coletiva dos povos do Xingu. REPLIKKA é uma meditação sobre memória, identidade, perda e renascimento, à medida que uma réplica em tamanho real da gruta é concebida, produzida e instalada na aldeia Ulupuwene para transferir conhecimento para nova geração.

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Hot Docs 2026
Foto: Fernanda Ligabue

Esse filme nos convida a refletir sobre o conhecimento ancestral do povo Wauja e como tecnologia e sabedoria Indígena podem se unir como um ato de resistência. Dirigido por Piratá Waurá (Território do Xingu) e Heloisa Passos (São Paulo), o filme se constrói a partir de um ritual e um sonho, inteiramente falado na língua indígena, aruaki, e realizado com apoio de jovens da aldeia.

curta brasileiro
Foto: Heloisa Passos

Ficha Técnica

  • Título: Replikka (16’) | Idioma: Aruak (legendas em PT, EN, FR, ES)
  • Diretores: Piratá Waurá e Heloisa Passos
  • Produtores: Heloisa Passos, Mark Slagle, Yula Rocha | Prod. exec.: Mark Slagle, Andrea
  • Lanzoni
  • Realização: Associação Indígena Ulupuwene, People’s Palace Projects / Queen Mary
  • University of London, 1504, Maquina Filmes
  • Premières: Estreia mundial: Festival de Brasília 2025 | Estreia norte-americana: Hot Docs
  • 2026