A partir de desta sexta-feira (31), a Itaú Cultural Play, plataforma gratuita dedicada ao cinema brasileiro, lança a playlist “Ailton Krenak Indica”. Curada pelo escritor, ambientalista e líder indígena Ailton Krenak, a seleção reúne 11 filmes que refletem sua visão sobre o Brasil, o território e a ancestralidade em sinergia com a Ocupação Ailton Krenak, em cartaz no Itaú Cultural até 23 de novembro.
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A curadoria abrange clássicos do cinema nacional e produções contemporâneas de realizadores indígenas. Entre os destaques estão Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, Sargento Getúlio (1983), de Hermano Penna, e Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, três títulos que retornam ao catálogo da plataforma.
Macunaíma de Joaquim Pedro de Andrade
Em Terra em Transe, Glauber Rocha conta a história de Paulo Martins, um jornalista e poeta à beira da morte que revisita as contradições políticas e morais de Eldorado, país fictício dilacerado por disputas de poder. Já Sargento Getúlio traz Lima Duarte no papel de um jagunço que insiste em cumprir sua missão – levar um preso político de Sergipe até a Bahia – mesmo quando o contexto político já mudou. Macunaíma, por sua vez, transforma o clássico de Mário de Andrade em uma comédia mordaz sobre o “herói de nossa gente”, que é também um “herói sem nenhum caráter”.
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Filmes indígenas e produções sobre povos originários
A playlist também valoriza o cinema indígena contemporâneo, destacando vozes e narrativas dos povos originários.
Entre elas, Thuë pihi kuuwi – Uma mulher pensando (2023), um dos primeiros filmes dirigidos por mulheres Yanomami, apresenta a preparação da yãkoana, o pó sagrado “alimento dos espíritos”, conduzindo o espectador a uma jornada espiritual. Premiado no 23º Prêmio Grande Otelo, o curta teve destaque em festivais internacionais, como o de Veneza.
Outros títulos incluem As hiper mulheres (2011), sobre o maior ritual feminino do Alto Xingu; Martírio (2016), de Vincent Carelli, sobre a luta dos Guarani Kaiowá; Ava Yvy Vera – A terra do povo do raio (2016), realizado por cineastas indígenas do Mato Grosso do Sul; Língua e território (2017), de Claudiney Ferreira, com foco no povo Maxakali; e Mãri hi – A árvore do sonho (2023), dirigido por Morzaniel Ɨramari, sobre o universo onírico dos Yanomami.
Encerrando a seleção, o documentário Krenak (2016), de Rogério Corrêa, retrata a história de resistência do povo Krenak, e o clássico Deus e o diabo na terra do sol (1964), de Glauber Rocha, reafirma o legado do cinema político e poético brasileiro.
49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Até 30 de outubro, a Itaú Cultural Play exibe um dos filmes da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, um dos maiores festivais audiovisuais do país. O destaque é o documentário Amélia Toledo – Lembrar de não esquecer (2025), dirigido por Hélio Goldsztejn, que apresenta “um novo olhar sobre a vida e obra da artista paulistana (1926-2017) que marcou a arte brasileira pela sua capacidade de experimentar várias técnicas e de sempre se reinventar em diálogo constante com a natureza.”
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Amélia Toledo – Lembrar de não esquecer por Hélio Goldsztejn
A obra traça um retrato sensível e poético de uma das artistas mais inventivas da arte brasileira, revisitando sua trajetória e a curiosidade que guiou sua pesquisa em materiais e formas.
Outro destaque da Mostra é Aqui não entra luz (2025), de Karol Maia, contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural, que investiga a relação entre a senzala e o espaço conhecido como ‘quarto da empregada’.
Onde assistir
O acesso à Itaú Cultural Play é totalmente gratuito. Basta acessar www.itauculturalplay.com.br em qualquer navegador ou por meio das smart TVs (Samsung, LG, Android TV e Apple TV), aplicativos móveis (Android e iOS) e Chromecast. A plataforma também está disponível nas operadoras Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
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Sinopses dos filmes
Amélia Toledo – Lembrar de não esquecer
De Hélio Goldsztejn (Documentário, 82 min, São Paulo, 2025) Classificação indicativa: AL – Livre (violência e drogas lícitas) Sinopse: A vida e a obra de Amelia Toledo, uma das artistas mais inquietas e inovadoras da arte brasileira, ganham novo olhar no documentário. O filme revela a trajetória de uma criadora que transformava a própria casa em ateliê, indo do desenho de joias à escultura e experimentando com materiais tão diversos quanto acrílico, chapas de metal, pedras e conchas.
Terra em transe
De Glauber Rocha (Drama, 108 min, Rio de Janeiro, 1967) Classificação indicativa: 14 – Violência Sinopse: À beira da morte, um poeta agoniza e refaz seu percurso à frente das lutas políticas de Eldorado, um país fictício convulsionado por disputas de poder. Num gesto desesperado, ele tenta entender os caminhos que levaram a um golpe de estado promovido por forças cristãs e conservadoras.
Terra em transe de Glauber Rocha
Sargento Getúlio
De Hermano Penna (Drama, 90 min, São Paulo, 1983) Classificação indicativa: A12 – Conteúdo sexual, nudez e violência Sinopse: Baseado no romance de João Ubaldo Ribeiro, o filme narra a história de Sargento Getúlio, um velho jagunço que precisa cumprir uma missão dada por seu patrão: levar um preso político do Sergipe até a Bahia. Durante a travessia pelo sertão, Sargento Getúlio é avisado de que pode soltar o homem, pois os ventos políticos mudaram. Contrariando a ordem, ele persistirá em sua jornada.
Sargento Getúlio de Hermano Penna
Macunaíma
De Joaquim Pedro de Andrade (Comédia, 108 min, Rio de Janeiro, 1969) Classificação indicativa: 16 – Conteúdo sexual, nudez e violência Sinopse: Adaptação de um dos mais famosos romances da literatura brasileira, o filme narra a história de Macunaíma, “herói de nossa gente”. Nascido na mata, Macunaíma vai se aventurar na cidade grande em busca da muiraquitã, um amuleto perdido. Na selva de pedra estranha e hostil, conhece o amor da guerrilheira Ci e enfrenta o vilão milionário Venceslau Pietro Pietra, sequestrador da pedra mágica.
Thuë pihi kuuwi – Uma mulher pensando
De Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami (Documentário, 9 min, Roraima, 2023)
Classificação indicativa: AL – Livre
Sinopse: Uma mulher Yanomami embarca em uma jornada introspectiva, enquanto observa um xamã preparando a yãkoana, o alimento dos espíritos.
As hiper mulheres
De Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro (Documentário, 79 min, Pernambuco, 2011) Classificação indicativa: 10 – Conteúdo sexual Sinopse: Numa comunidade dos indígenas Kuikuro, em Mato Grosso, uma anciã faz um último pedido para o seu companheiro: cantar no Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu. As mulheres se reúnem para ensaiar e para preparar a festa, mas a cantora que guarda a memória das antigas músicas está doente.
Martírio
De Ernesto de Carvalho, Tatiana Soares de Almeida (Tita) e Vincent Carelli (Documentário, 160 min, Pernambuco, 2016)
Classificação indicativa: 12 – Drogas lícitas e violência
Sinopse: Em 1980, Vincent Carelli registrou em vídeo o nascimento da grande marcha de retomada das terras guarani kaiowá, em Mato Grosso do Sul. Vinte anos depois, ele revisita o movimento e escancara o contínuo genocídio dessa população, enquanto governos se sucedem no poder sem abrir os olhos para a situação.
Ava Yvy Vera – A terra do povo do raio
De Dulcídio Gomes, Edna Ximenez, Genito Gomes, John Nara Gomes, Johnathan Gomes, Joilson Brites, Sara Brites e Valmir Gonçalves Cabreira (Documentário, 52 min, Mato Grosso do Sul, 2016) Classificação indicativa: AL – Livre Sinopse: Numa estrada cercada por pés de soja que se perdem no horizonte, um indígena guarani kaiowá fala sobre as constantes ameaças que seu povo sofreu por parte de pistoleiros da região. Esse é o ponto de partida para uma reflexão sobre o processo de recuperação de suas terras e de seus costumes ancestrais.
Ava Yvy Vera – A terra do povo do raio
Língua e território
De Claudiney Ferreira (Documentário, 10 min, São Paulo, 2017) Classificação indicativa: AL – Livre Sinopse: No Vale do Mucuri, no município de Ladainha, em Minas Gerais, fica a Aldeia Verde, onde vivem indígenas Maxakali, que preservam sua identidade por meio da língua. Essa língua, que é cura, resistência e acesso ao mundo espiritual, dá sentido à existência desse povo. Nomear as coisas é também criá-las.
Língua e território de Claudiney Ferreira
Mãri hi – A árvore do sonho
De Morzaniel Ɨramari (Documentário, 17 min, Roraima, 2023)
Classificação indicativa: AL – Livre
Sinopse: Para os indígenas Yanomami, todos os seres humanos sonham e cada um pode ter sua própria experiência dentro dos sonhos – os jovens se deparam com os queixadas e as mulheres podem ver a floresta se transformar em outra. Já os homens adultos conseguem ver uma grande chuva cair sobre a floresta. Partindo dessas observações, a palavra de um grande xamã nos conduz pelo universo do onírico dos Yanomami.
Mãri hi – A árvore do sonho de Morzaniel Ɨramari
Krenak
De Rogério Corrêa (Documentário, 74 min, Minas Gerais, 2016) Classificação indicativa: A10 – Temas sensíveis Sinopse: A história e a luta do povo indígena Krenak pela sobrevivência e pela demarcação de suas terras no interior de Minas Gerais. Da perseguição de Dom João VI no século XIX à tragédia de Mariana, em 2015, o filme percorre o trajeto de resistência dos Krenak diante da campanha genocida do homem branco.
Krenak de Rogério Corrêa
Deus e o diabo na terra do sol
De Glauber Rocha (Drama, 118 min, Rio de Janeiro, 1964) Classificação indicativa: 14 – Violência Sinopse: No sertão nordestino, um vaqueiro miserável mata o patrão. Ele foge com a mulher e é acolhido por um beato negro, de quem se torna um seguidor. Insatisfeita, a elite local contrata um matador para dar cabo do santo e dos seus fiéis. O casal sobrevive e, na caatinga, se encontra com o bando do cangaceiro Corisco.
Deus e o diabo na terra do sol de Glauber Rocha
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