Museu das Culturas Indígenas celebra aniversário de São Paulo
No dia em que se celebra os 472 anos de São Paulo, encontro no MCI aborda histórias de povos indígenas que habitam e habitaram a cidade
No dia em que se celebra os 472 anos de São Paulo, encontro no MCI aborda histórias de povos indígenas que habitam e habitaram a cidade
Durante o feriado que celebra o aniversário da cidade de São Paulo, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) realizará uma programação especial voltada à reflexão sobre as presenças indígenas no território paulista, a memória ancestral e as formas contemporâneas de resistência. As atividades incluem contação de histórias, roda de conversa e encontro formativo, ambos com entrada gratuita. O MCI é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.
No sábado, 24 de janeiro, às 11h, o MCI realiza a primeira edição de 2026 do Programa Contação de Histórias MCI, com a artista afro-indígena Jhennifer Willys (Tikuna e Kokama), que conta a narrativa As Aventuras de Lillyn. A história acompanha Lillyn, uma menina afro-indígena curiosa e sonhadora que vive no coração da floresta Amazônica e descobre, ao longo de suas aventuras, formas profundas de diálogo com a natureza, os encantados e os saberes ancestrais. A obra celebra a imaginação, a curiosidade e a escuta sensível do mundo natural.
Jhennifer Willys é artista multidisciplinar nascida em Tefé (AM), às margens do rio Solimões. Atua em diversas linguagens como literatura infantojuvenil, música, dança, artes visuais, moda e gastronomia. Seu trabalho tem como eixo a ancestralidade, a representatividade e a valorização da diversidade cultural, articula arte e educação em diferentes contextos.
Ainda no sábado, à tarde, o MCI promove a atividade “Aýmbêre vive: consciência indígena, território e a política da memória Tupinambá”, em celebração ao Dia Nacional da Consciência Indígena. A conversa com Jennyffer Bransfor (Tupinambá) parte da memória do guerreiro Moru’yxába’assu Aýmbêre Tupinambá, morto em 20 de janeiro de 1567, liderança histórica da resistência indígena contra a colonização portuguesa. O encontro propõe uma reflexão sobre memória como ato político, reafirmação identitária e enfrentamento ao apagamento histórico dos povos originários.
Conhecida também como Bekoy Tupinambá, Jennyffer Bransfor é estrategista em comunicação, ativista e cofundadora da BND Digital, primeira agência de marketing social digital fundada por mulheres indígenas. Sua atuação conecta ancestralidade e inovação, utilizando o ambiente digital como espaço de disputa narrativa e transformação social.
ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO
No domingo, 25 de janeiro, data em que São Paulo completa 472 anos, às 10h30, o MCI realiza a roda de conversa “(Re)Existências indígenas na dinâmica cotidiana de uma metrópole”, com Akayse Fulni-ô (Fulni-ô) e Kerexu Mirin (Guarani Mbya), e mediação de Emerson Baré Puranga (Baré). A atividade propõe uma reflexão crítica sobre a constituição da cidade a partir da perspectiva indígena, aborda o território anterior à colonização, os conflitos históricos e os desafios atuais enfrentados pelos povos originários em contexto urbano.
O encontro dialoga com temas como demarcação de terras, memória, ocupação dos espaços urbanos e a permanência indígena em um cenário marcado por contradições, desigualdades e disputas territoriais. As falas evidenciam São Paulo como um território indígena vivo, atravessado por histórias de resistência e (re)existência.
SERVIÇO
Todos as atividades são gratuitas com retirada de ingresso no site: https://museudasculturasindigenas.org.br/