Evento leva gastronomia e artesanato indígena para a Paulista
Diferentes etnias indígenas participam do Menu Cultural, evento do Itaú Cultural
Diferentes etnias indígenas participam do Menu Cultural, evento do Itaú Cultural
No próximo domingo (3), das 11h às 17h, o Itaú Cultural realiza uma nova edição do Menu Cultural, feira mensal que transforma o espaço ao ar livre entre o instituto e o Sesc Avenida Paulista – conhecido como Bulevar do Rádio – em um ponto de encontro entre gastronomia e cultura brasileira.
Nesta edição especial, o evento homenageia os povos originários do Brasil, em diálogo com o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto. O público poderá visitar dez barracas com comidas típicas, bebidas, artesanato e saberes tradicionais de diversas etnias indígenas, como os Guarani Mbiá, da Terra Indígena Tenondé Porã (zona sul de São Paulo), e os Yawalapiti, do Território Indígena do Xingu (Mato Grosso).
Além da feira gastronômica, o público está convidado para a roda de conversa “Saberes que alimentam”, que acontece às 14h, no 9º andar do Itaú Cultural. A conversa será conduzida pela curadora Patty Durães, especialista em culturas alimentares, e terá a participação de Jerá Guarani, educadora e liderança da aldeia Kalipety, na Terra Indígena Tenondé Porã.

O encontro será uma oportunidade para ouvir histórias, memórias e visões de mundo sobre os costumes alimentares dos povos originários. Jerá Guarani fala sobre a cultura alimentar não apenas como técnica de preparo ou escolha de ingredientes, mas como forma de viver, de se relacionar com a terra, com o tempo e com a comunidade.
A entrada é gratuita. O visitante paga apenas o que consumir nas barracas. Também não é necessário reservar ingresso para participar da roda de conversa.
Um dos empreendimentos culinários presente na edição de agosto do Menu Cultural é o RaizNorte, restaurante fundado por Josi Anajá em Campinas, no interior de São Paulo. Nascida no Pará, em uma família marajoara de origem Anajá, a cozinheira oferece em seu estande pratos típicos da região Norte, como o famoso tacacá, espécie de caldo composto por tucupi — líquido extraído da mandioca brava, com goma de tapioca —, camarão e folhas de jambu cozidos.
A outra opção salgada do RaizNorte é o peixe frito com molho de alfavaca, uma folha similar ao manjericão. Por fim, a barraca vende sorvetes de frutas e sementes amazônicas, como taperebá, cupuaçu, bacuri e castanha-do-pará, da Amô Sabores Amazônicos, outra marca de Josi. Sem ingredientes artificiais, como corantes e saborizantes, as delícias geladas levam mandioca como emulsificante.

Também de Campinas, o coletivo e ponto de cultura EtnoCidade leva ao Bulevar do Rádio pratos salgados e peças de artesanato. Dirigida por Lu Ahamy (etnia Guarani Mbiá) e Awa M’Barete (etnia Pataxó Kamakã), a iniciativa trabalha na promoção de visibilidade das tradições indígenas no contexto urbano, na cidade e nos arredores. Seu estande vende o Pira Txuun Rewe, prato típico Guarani Mbiá, um caldo de peixe com paçoca de banana verde, arroz branco e palmito, e bolinhos de banana verde com molho.

A Casa de Cultura Indígena Umatalhi marca presença com a cultura do povo Yawalapiti, que vive no Território Indígena do Xingu, no Mato Grosso. A organização leva um cardápio variado, composto pelo Wakula, pirão de peixe com sal de aguapé, o Perreke, peixe tambaqui assado acompanhado de beiju, além de molho de peixe com verduras e frango assado, ambos acompanhados de beiju. Para beber, a barraca oferece sucos de duas frutas típicas brasileiras, o pequi e o murici. Haverá também peças de artesanato, como colares, brincos, cerâmicas e objetos decorativos.


Localizada na capital paulista, a TupiOcas Tapiocaria é reconhecida por vender tapiocas cuja massa é enriquecida e saborizada com outros alimentos, como chia e cúrcuma. A marca, criada pelo empreendedor afroindígena Benício Kaetê Paiva, apresenta no Menu Cultural tapiocas salgadas e doces, com recheios de frango com requeijão, queijo e tomate, brócolis, banana com creme de avelã e Romeu e Julieta, que une queijo e goiabada.
A última barraca gastronômica pertence à Tekoá Yvy Porã – Jaraguá, território que fica na zona sul de São Paulo. Nela, os visitantes podem experimentar três pratos típicos guarani: o Jopará, um “mexido” com carne, arroz e feijão de corda; o mbaipy, uma espécie de polenta, com frango ou palmito; e a xipá, uma espécie de bolacha salgada que leva milho e batata doce.
Ocupam ainda o Bulevar do Rádio mais três barracas, só de artesanato. Uma é de Avani Fulni-ô, artesã e professora da etnia Fulni-ô, que habita territórios de Pernambuco. Radicada em São Paulo há décadas, Avani produz colares, brincos, pulseiras, filtros dos sonhos e demais objetos com sementes e frutos.


Outra é de Dona Jaxuka, artesã da Terra Indígena Tenondé Porã, da zona sul da capital paulista, que leva também acessórios, objetos decorativos, cestos e demais peças.

O terceiro estande é comandado por uma parceria entre a FEMSAMPA – Festival Empreenda Mais SAMPA e o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), ONG que contribui para o fortalecimento cultural, político e para o desenvolvimento sustentável das comunidades indígenas em território brasileiro localizadas no Planalto das Guianas, que cruza os estados do Amazonas, Pará, Roraima e Amapá.