filme ambiental

Nesta quinta-feira (25) chega ao Brasil o documentário Hálito Azul (2018), do diretor Rodrigo Areias (da produtora Bando à Parte), via Fênix Filmes. No filme, o realizador de ofícios e experimentos, traça uma linha entre a fascinação pelo mar (que dá ao povoado o sustento sob a eterna cultura da pesca) e a vida cotidiana de atores sociais que trafegam pelos problemas e prazeres de suas vidas –  e que, por isso, colocam um pé na poesia. Em vez de contar a história do desbravamento dos sete mares, como fez Portugal no passado, o filme segue ao encontro de um mar em especial, aquele de uma população que não esconde os seus vínculos com o oceano e as tradições em face à modernidade da do século XXI.

“Cultivar o mar é uma coisa, é assunto de pescadores. Explorar o mar é outra coisa, é assunto de industriais”, diz Rodrigo Areias. A partir dessa premissa, o diretor, parcialmente inspirado na obra Os Pescadores (1923), de Raul Brandão, nos apresenta um documentário permeado por blocos de ficção que mostram a vida na vila da Ribeira Quente, na encosta de um vulcão em São Miguel, ilha pertencente aos Açores. O contexto é resultado da incontrolável pegada ecológica do homem em todo o mundo e passa pela atividade pesqueira no local, que está definhando: a quantidade de peixes diminuem e o trabalho é dividido de forma cada vez mais desigual, porque as grandes embarcações ligadas a empresas acabam pegando uma gigantesca porcentagem da cota de peixes.

Um farol na comunidade, onde um homem recita trechos de um escrito é o primeiro olhar do filme para contar o dia a dia de quem vive no local. O olhar se dá em duas camadas: a primeira sobre a da vida e histórias dos pescadores de hoje, vistas à luz de uma outra, as histórias descritas no livro Os Pescadores, que são interpretadas pelos personagens reais de acordo com as suas vivências e histórias pessoais. O diretor salienta desta forma a não evolução na vida desta tão importante comunidade portuguesa. Um filme poético que reflete as belíssimas palavras de Raul Brandão em imagens e sons captados com maestria – das ondas batendo nas pedras, dos barcos em alto mar. 

Cercado entre o real e imaginário, de dados e lirismo, Areias abraça uma abordagem diferente, usando o carimbo do documental e do folclore de marujo, colocando o filme na esteia da docuficção – caminho intermediário entre o documentário de observação ao olhar etnográfico, e o documentário lúdico, espécie de homenagem e evocação deste povo pela relação com as águas. A história dentro da história: para unir dois mundos distintos utiliza os personagens na preparação de uma peça de teatro que faz parte de um festejo local, enquanto documenta a vida das pessoas – trazer a vida real e personagens reais para o filme.  

Hálito Azul, mais que tudo, é um filme sobre pessoas. A plataforma Filme Filme exibirá o filme, de graça, nesta quinta-feira (25). 

Confira abaixo o trailer:

HÁLITO AZUL (Blue Breath)

Documentário | 79 min | cor | 2018

Co-produção Portugal-Finlândia-França

hálito azul