As Plantas Alimentícias Não Convencionais, também conhecidas como PANC, são uma das estrelas do momento na gastronomia brasileira. Estas plantas não estão presentes nos supermercados e feiras tradicionais, por isto recebem o nome de não convencionais. São espécies como a ora-pro-nóbis, capuchinha e até o dente-de-leão, que podem ser consumidas em preparos que vão desde pães até saladas e assados. E o Banquete PANC recebe este nome por trazer seis tipos diferentes de pratos e duas sobremesas que tem como destaque diferentes espécies da flora não convencional da região de Curitiba.

Segundo o Engenheiro Agrônomo Marcelo Silvério, produtor que há 15 anos vem pesquisando o assunto, as PANC são uma nova forma de cultura alimentar. “Estas plantas eram conhecidas pelos antigos, pelos nossos avós e também pelas populações tradicionais como índios, caiçaras e quilombolas e este conhecimento foi se perdendo. Com a agricultura industrial, muitas plantas que faziam partes da nossa história alimentar deixaram de ser consumidas. A araruta por exemplo, era muito utilizada na nossa região e hoje quase não encontramos”, destaca Silvério.

Para consumir e preparar refeições com estes ingredientes, é preciso pesquisa e uma série de cuidados especiais. “Muitas destas plantas, podem ser encontradas até em calçadas da cidade, como a tansagem. Mas é preciso saber a procedência para que não estejam contaminadas. Além disto, algumas PANC só podem ser consumidas depois de aquecidas ou em pequenas quantidades. Cada planta é um caso especial. Nós escolhemos realizar o evento no Sítio Terra Graciosa, pois é uma das propriedades mais bem preparadas, por utilizar o método de produção biodinâmico e agroecológico no cultivo de hortaliças, frutas e nas PANC”, complementa o engenheiro e responsável técnico pela seleção dos insumos do jantar.

Sítio Terra Graciosa

O Sítio Terra Graciosa, que recebe o Banquete PANC é um local sem histórico conhecido de contato com agrotóxicos. A proprietária do sítio, Ana Teresa Bigaton, que prefere ser chamada de guardiã deste pedacinho de terra revela: “Este lugar se confunde comigo, com minha própria história. Há 12 anos, comecei a me dedicar ao cultivo da vida, através das plantas e animais, sempre com a intenção de preservar e produzir em harmonia com a natureza. Aqui, vivi os últimos 10 anos, me dedicando às melhores forma de cultivo, com técnicas de homeopatia para plantas, preparos biodinâmicos e estudos e aplicações de muitos métodos da agroecologia. E apesar do trabalho árduo, da dedicação e dos problemas, é sempre com gratidão que recebo esse aprendizado contínuo, que nutre minha família e meus clientes, que hoje podem ter acesso a limentos saudáveis e sem venenos”.

O Sítio Terra Graciosa apresenta um conjunto de bioarquitetura integrado a natureza, com um dos maiores telhados verdes da região. | Divulgação

A guardiã do sítio conduz a primeira atividade do evento, uma roda de conversa sobre a agroecologia nesta região de clima instável, com o intuito de compartilhar parte de sua experiência de construção de uma propriedade sustentável. Na sequencia, Marcelo Silvério conduz uma caminhada pela propriedade para identificação de PANC e plantas medicinais nas áreas de cultivo e também na área de preservação permanente.

O serviço principal, o jantar de culinária criativa e sintrópica, acontece como encerramento. Idealizado pelo produtor de eventos Arthur Ferreira e pela arquiteta Beatriz Boell, o cardápio envolveu dez meses de pesquisas com as PANC. “Venho criando diferentes receitas, adaptando preparos clássicos brasileiros e internacionais e o resultado são estes pratos. Os ingredientes são muito difíceis de encontrar e vamos colher em 5 propriedades distintas, em um raio de 30 quilômetros”, afirma Ferreira. “Nosso carro chefe do dia é a moqueca que leva palmito de taboa com medalhões de porongo gratinado – são plantas da região que quase ninguém utiliza mais na alimentação e tem sabores únicos. E na sobremesa, um manjar de coco que leva mirtilo amazônico e calda de physalis, uma iguaria que também encontramos na região, embora tenha que ser bem selecionado e difícil de encontrar”, destaca Beatriz.

Todos os nomes dos pratos são regionais, para destacar o caráter do evento, de agir localmente para reduzir a pegada ambiental. No cardápio: arroz com lascas de bulbo de tiririca amarela, quichê de coração de alcachofra com porongo e cogumelos, um cassoulet de feijões nativos, salada com PANC frescas, e farofa com taioba. Acompanhando uma carta de vinhos artesanais e soft drink a base de hidromel da região.

Para saber mais:

Facebook: Banquete PANC

Local: Sítio Terra da Graciosa, Estrada da Graciosa, 7125, Quatro Barras – PR.

Dia: 16 de março de 2019, das 15h às 22h.

Valor: R$ 160,00

Reservas: WhatsApp (41) 9.8803-5490

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.