A biodiversidade alimentar está presente no mundo todo, porém apenas 1,3% da população brasileira tem acesso a uma dieta biodiversa. Quer um exemplo? A batata-doce possui polpa de diferentes cores que podem ser usadas em diferentes tipos de preparo, porém muitos conhecem apenas a de polpa branca e a de polpa creme. A Embrapa Hortaliças criou um folder que explica algumas dúvidas básicas sobre essas variedades.
Produzido pelas pesquisadoras Milza Lana, Larissa Vendrame e Lucimeire Pilon, o material é intitulado “Hortaliça não é só salada. Batata-doce: escolha a sua cor” e pode ser lido aqui.
Cores da batata-doce
Além da polpa branca e creme, a batata-doce pode ter polpa laranja ou roxa e até mesmo apresentar uma combinação, por exemplo, polpas laranja ou branca com manchas roxas. Essa paleta de cores deve-se a pigmentos naturalmente presentes na natureza.
A branca reflete a maior presença do amido, encontrado em todas as variedades, independentemente da cor da polpa; já a laranja expõe a presença de carotenoides, pouco expressivos nas de polpa creme (encontradas também em alimentos como cenoura e abóbora); e a cor roxa pela presença de antocianinas, compostos bioativos que também dão o tom da berinjela, amora e açaí, por exemplo.
Outras particularidades
Para além das cores, todas podem ser consumidas assadas, cozidas ou fritas, mas há variações no sabor. Algumas são mais ou menos doces, ora com polpa mais enxuta ora mais “aguada”, também mais ou menos fibrosa e mais macia ou mais firme depois de cozidas -, o que pode influenciar na escolha de cada tipo a depender do prato.
“A batata-doce Coquinho de polpa branca, por exemplo, tem o sabor mais doce do que a batata-doce Canadense de polpa creme. Já as variedades Beauregard, desenvolvida nos EUA, e CIP BRS Nuti, desenvolvida no Brasil, ambas de polpa laranja, diferem quanto à textura, tendo a Nuti a polpa mais enxuta enquanto a Beauregard apresenta a polpa mais aguada”, resume Anelise Macedo em matéria para a Embrapa Hortaliças.
Em relação aos nutrientes presentes em cada tipo, as pesquisadoras afirmam que é importante não se guiar por nutrientes individualmente.
“O teor de proteínas, o teor de vitamina B ou de ferro é só uma parte do que explica a relação entre alimentação e saúde. Tão importante quanto o teor de nutrientes individuais é a combinação destes nutrientes com outros compostos químicos que fazem parte do alimento”, explicam. Para exemplificar, o folder ressalta que, salvo em casos diagnosticados clinicamente, comer cenoura e tomar leite é melhor para a saúde do que tomar suplementos de vitamina A.
As profissionais indicam que o melhor caminho é consultar o Guia Alimentar para a População Brasileira. Publicado pelo Ministério da Saúde há 10 anos (mas já atualizado), o documento é fonte de informação e de recomendações de alimentação e nutrição para a sociedade.
Diversificar nossa dieta pode ser uma forma de promover um estilo de vida mais saudável e mais sustentável. Acompanhe a editoria de alimentação do CicloVivo e fique por dentro de receitas e notícias deste universo.

