O Coletivo Horta da Flores criou um abaixo assinado para que a horta permaneça na Praça Alfredo Di Cunto na Mooca, uma área verde com mais de 200 árvores onde se realiza um trabalho socioambiental para toda a comunidade, há mais de 15 anos. O local onde fica localizada a horta comunitária está ameaçado pela aprovação de uma construção residencial no terreno.

Foto: Reprodução facebook | Horta das Flores

História

A Horta das Flores foi implantada pela Prefeitura com o surgimento do PROAURP (Prog. de Agricultura Urbana e Periurbana da cidade de São Paulo – Lei 13.727/04 e Decreto 51.801/2010), em meados de 2004. Durante anos a horta compôs o PROAURP, envolvendo famílias em vulnerabilidade social na produção de alimentos e geração de renda por meio da comercialização de hortaliças. 

Depois disso, o local foi estruturado como a Praça Alfredo DiCunto e teve uma estufa implantada em 2008, com o Programa Escola Estufa Lucy Montoro, onde foram desenvolvidos cursos gratuitos de horticultura orgânica para a população.

Com o fim do programa, a praça foi mantida, apesar da situação difícil, por um zelador de praça, até que, em 2015, um grupo de moradores começou a atuar na praça para iniciar uma ocupação comunitária.

Foi aí que surgiu o coletivo Horta das Flores que se mantém até hoje realizando mutirões mensais, oficinas e eventos gratuitos, além de atividades sobre meio ambiente, segurança alimentar e nutricional, agroecologia e educação ambiental, tornando-se uma referência de horta comunitária no município de São Paulo. 

Ameaça

A a área foi incluída numa Parceria Público-Privada em 2017 (Concorrência Internacional COHAB no.01/2018) para construção de moradias populares pela COHAB, por meio do processo 2017.0185.313-9 e está indicada dentro do Lote 5 como área 3MN1, dentro da Zona de Centralidade conforme o Plano Diretor de São Paulo.

A empresa responsável pelo Lote 5 foi o CONSÓRCIO TELAR-ENGEFORM. O contrato foi assinado em Junho de 2019 (CONTRATO Nº PPP 02/19) e atualmente se encontra na Etapa Preliminar, prorrogada até Junho de 2020.

A Praça Alfredo DiCunto é uma área verde com atividades voltadas à segurança alimentar e nutricional e à educação ambiental. O coletivo Horta das Flores, que desenvolve atividades na praça desde 2015, não participou de nenhuma consulta sobre o referido processo e tampouco foi informado sobre a concessão da área, tomando conhecimento apenas no final de 2019. 

O que o espaço já oferece

A Praça Alfredo DiCunto tem cultivo agroecológico, pomar, composteira, Jardim do Cerrado, Jardim de Bromélias, viveiro de mudas nativas, ervanário e orquidário cuidado pela comunidade.

Foto: Reprodução facebook | Horta das Flores

Os trabalhos de cultivo e manutenção são feitos por voluntários em mutirões sempre no primeiro domingo de cada mês e em ações de manutenção semanal. As atividades comunitárias são abertas à população e estimulam os moradores do entorno a usufruírem do espaço.

Além da horta, no viveiro são produzidas cerca de 1,5 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, destinadas à plantios voluntários que estão sendo realizados pela cidade, sendo que cerca de 200 árvores estão plantadas e catalogadas na praça com tecnologia de QR Code. 

Apelo

O coletivo Praça das Flores acredita que a Praça Alfredo DiCunto possui uma finalidade socioambiental importante para a cidade e especialmente para o bairro da Mooca, um dos bairros com menor índice de cobertura verde por habitante em São Paulo.

Além de serviços ambientais prestados por ser uma área verde de cerca de 6.000m2, a praça se destaca pelas atividades socioambientais que são promovidas voluntariamente pela própria população, tornando-se um importante equipamento público que se mantém em atividade graças à parceria entre Poder Público (por meio das suas políticas públicas como PROAURP e Prog. Escola Estufa) e a população paulistana. 

O abaixo assinado foi criado para garantir que a Horta das Flores e todas as estruturadas da Praça Alfredo DiCunto permaneçam no espaço. “Acreditamos que a Prefeitura Municipal dispõe de outros terrenos ociosos e inutilizados que poderiam cumprir os objetivos de moradia popular sem obstruir as funções socioambientais dos territórios que estão ativos e promovendo educação ambiental para a população da cidade”, afirma Salvador Campos, membro do coletivo.  

Quem apoiar esta iniciativa, pode assinar o abaixo-assinado aqui.

Para saber mais acesse as páginas do Instagram e Facebook da Horta das Flores.