Livro de contos indígenas terá lucro revertido para combater covid

Já pensou que poucos autores indígenas chegam às escolas? Esta é uma oportunidade de valorizar a literatura indígena e ainda contribuir para doação de kits de higiene.

livro de contos
Quando caçava tatu e outros bichos conta as memórias de Nhandewa em sua aldeia. | Imagem: Divulgação

Por Karina Tarasiuk | Jornal da USP

Pedagogo e estudante de mestrado em Antropologia Social na USP, em São Paulo, Tiago Nhandewa é da etnia Guarani-Nhandewa. Morador da aldeia Nimuendaju, localizada na Terra Indígena Araribá, município de Avaí, interior de São Paulo, ele acaba de lançar o seu primeiro livro Quando eu caçava tatu e outros bichos (editora independente).

A motivação inicial em escrever a obra era dar destaque à literatura indígena, mas com a pandemia provocada pela covid-19, Tiago encontrou ainda um outro propósito: o valor arrecadado com a venda será revertido para ajudar sua aldeia no combate à doença.

“A comunidade não tem muitas condições de possuir sempre produtos de higiene, como álcool gel, água sanitária, sabão neutro e máscaras”, conta o mestrando da USP. Serão montados kits de higiene e doados às 32 famílias da aldeia.

O autor explica que já estava decidido, desde o início da elaboração do livro, que o lucro da venda seria destinado a projetos sociais na sua comunidade, tanto na área da literatura indígena quanto em projetos culturais. “Agora, com a necessidade de combate e prevenção contra a covid-19 em minha comunidade, resolvi que o lucro seria também para ajudar a combater a pandemia.”

aldeia Nimuendaju
Crianças da aldeia Nimuendaju, que serão beneficiadas com a venda do livro. | Foto: Tiago Nhandewa

Livro de contos

O livro registra contos e memórias de aventuras de meninos indígenas. As histórias se passam em um determinado tempo e realidade nas aldeias onde autor mora e passou a sua infância. Um dos grandes objetivos é dar destaque à literatura indígena e incentivar a leitura e escrita nas escolas das aldeias indígenas de todo o País. A obra também procura quebrar estereótipos relacionados à cultura indígena.

O lançamento estava previsto para o dia 19 de abril, mas foi adiado em razão da pandemia. Ocorreu posteriormente a partir do YouTube, durante evento promovido pela Casa Fantástica FLIP, no dia 28 de junho. Nhandewa participou de um debate chamado Descolonizar a Literatura, no qual divulgou seu livro.

Após o lançamento nas redes sociais, Tiago disponibilizou 180 exemplares para comercialização no Mercado Livre, o valor é R$ 37,91. Quem quiser, ainda pode adquirir o livro de contos diretamente com o autor a partir das redes sociais, e-mail ou telefone (confira ao final do texto).

Segundo Nhandewa, sua principal motivação para escrever foi disponibilizar mais livros com autoria indígena em bibliotecas de escolas, já que são poucos os autores indígenas que chegam às escolas.

“Além disso, queria registrar as histórias e memórias de uma fase importante no desenvolvimento da formação do menino indígena, quando ele ganha independência para realização das caçadas de bichos. Como tudo mudou, essas caçadas não acontecem mais, por isso a necessidade de registrar as memórias, para que outras pessoas saibam como era.”

Tiago Nhandewa

Nhandewa é formado em pedagogia intercultural indígena, pedagogia “convencional”, especialista em antropologia e, atualmente, mestrando em Antropologia Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) USP, em São Paulo. Sua pesquisa é sobre a Formação Intercultural indígena na perspectiva Guarani-Nhandewa, sob o título Conhecimento tradicional Tupi-Guarani Nhandewa e novas metodologias de ensino na Educação Escolar Indígena.

Contatos do autor

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