Emergência Indígena: mobilização busca apoio em meio a risco de genocídio

Neste domingo, Dia Internacional dos Povos Indígenas, evento online reúne personalidades indígenas e não indígenas na luta pela vida dos povos originários do Brasil.



covid nas aldeias
Imagem: Divulgação

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) realiza no próximo domingo (8) uma mega live como parte do enfrentamento à disseminação do coronavírus entre povos indígenas. Intitulada “Maracá – Emergência Indígena”, a mobilização online vai reunir personalidades indígenas e não indígenas na luta pela vida dos povos originários do Brasil.

O objetivo do evento é engajar apoiadores e levantar recursos para as ações de enfrentamento à Covid-19. “Queremos despertar a solidariedade nacional e internacional para a situação dos povos indígenas do Brasil em meio a pandemia. A vulnerabilidade do momento pede união e ação”, afirma a APIB. 

Somando à luta, Maria Bethânia, Criolo, Ai Weiwei, Caetano Veloso, Camila Pitanga e Chico Buarque são algumas das personalidades que participarão da live, que será dividida em blocos.

Emergência Indígena

Para além da live, que será uma ação pontual, o Emergência Indígena é um plano de enfrentamento mais robusto que foi lançado em junho. Entre diversas iniciativas há orientações sobre cuidado médico integral e diferenciado, ações judiciais de incidência política e estratégias de comunicação e informação sobre medidas de prevenção.

Covid nas aldeias

A pandemia já levou a óbito diversos idosos, líderes em suas aldeias, além de jovens e crianças, e a inação do poder público é uma denúncia constante entre os diversos povos. Dados do Memorial pela Vida e Memória Indígena apontam, até 30 de julho, 20.809 infectados e 599 óbitos em decorrência do novo coronavírus. Já são 143 povos impactados em todo país.

A APIB também afirma que o evento visa “alertar sobre o genocídio indígena que está em curso”. Ao Estadão, Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação, reforçou que não é exagero falar em genocídio. O termo foi usado até pelo ministro do STF Gilmar Mendes que afirmou que o “o Brasil pode estar cometendo genocídio” contra tais populações.

“Quando falamos em genocídio não estamos exagerando. Temos comunidades que se o vírus entrar, desaparecem”, alerta Eloy Terena, advogado da Apib.



Digite seu email para receber nossas últimas notícias!