A concessionária Autopista Fluminense deu início às obras de um viaduto vegetado para minimizar o impacto ambiental da duplicação da BR 101 no Rio de Janeiro. O projeto é parte do resultado de uma série de discussões e acordos realizados com a Associação Mico Leão Dourado, que teve o Ministério Público do Rio como mediador.  

O MP explica que a estrada em questão atravessa uma área estratégica para a biodiversidade e para o desenvolvimento nacional. Isso porque ela passa por uma área de proteção ambiental do Mico-Leão-Dourado e também conecta a cidade do Rio de Janeiro com o polo de petróleo Macaé/Campos. Além de causar atropelamentos, a estrada também é uma barreira para os animais que tentam acessar a Reserva Biológica de Poço das Antas, também localizada na região.

Não à toa, a implementação de passagens de fauna era parte das obrigações para a concessão de licença da obra. A ideia no caso do viaduto vegetado é servir de travessia principalmente para os macaquinhos que foram isolados pela construção da rodovia.  “É muito importante que a população de micos da reserva possa atravessar para evitar isolamento genético”, comentou Luis Paulo Ferraz, diretor da Associação Mico Leão Dourado em Silva Jardim, após perceber uma séries de dúvidas levantadas no Facebook do MP, após noticiar a novidade. “O mico nunca entraria em túneis”, ressalta.

Além do viaduto, estão em construção passagens subterrâneas para a fauna terrestre,  estruturas para passagem de fauna copa a copa das árvores e os vãos das pontes dos rios, que cortam a estrada, também serão adaptados para facilitar a circulação da fauna.

Imagem do projeto.
A foto à direita é somente ilustrativa.

Confira abaixo parte da nota divulgada por Luis Paulo Ferraz em nome da associação:

“Espera-se com isso que a BR-101 se transforme em um modelo em termos de medidas de proteção à fauna em obras do setor rodoviário. Um último trecho estratégico ainda está em licenciamento, que corresponde aos 8 km que a rodovia atravessa a Reserva Biológica União.

Foram mais de seis anos de negociações, reuniões, campanhas, projetos, processo judicial  para chegarmos a este momento tão importante do início das obras. Após a sua conclusão, que deve durar cerca de um ano, será realizado um trabalho de monitoramento do uso do corredor florestal pela fauna. O objetivo é viabilizar que os animais utilizem a passagem, visando permitir a troca genética entre os diferentes grupos de Mico-Leão-Dourado que vivem em cada lado da pista. Além disso, espera-se que o uso por outros bichos, especialmente os predadores, permita a manutenção do equilíbrio ecológico dentro da Reserva Biológica. Trata-se de uma iniciativa de longo prazo para viabilizar a conectividade da paisagem”.

Trecho onde será construído o viaduto. Foto: Associação Mico Leão Dourado
Uma das 16 passagens subterrâneas para a fauna terrestre, que estão sendo construídas. Foto: Autopista FLuminense