Uma obra composta por mais de 1.500 caixas de plantas comestíveis vai mostrar como é possível combinar arte urbana com espaços mais saudáveis e respiráveis. É o Jardins Comestíveis, obra de land art do artista franco-tunisiano Jean Paul Ganem que chega no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, entre os dias 9 a 12 de outubro.
Imagine uma intervenção artística que usa manjericão e couve. O artista plástico Ganem transforma paisagens degradadas em obras de arte e regeneração ambiental usando a natureza como tela. Por meio do projeto Jardins Comestíveis, desde 2021, o trabalho é realizado com a ONG Dia da Terra Brasil, incentivando a agricultura urbana.
“Os Jardins Comestíveis oferecem espaços urbanos vivos e dinâmicos a partir da criação de obras de land art feitas com vegetais comestíveis, nativos e orgânicos, promovendo experiências estéticas robustas no contato com a terra”, afirma Mozart Mesquita, diretor executivo da ONG Dia da Terra e coordenador do programa. “São estímulos naturais ao sentimento de pertencimento, um caminho espontâneo rumo à regeneração das cidades contemporâneas”, completa.
Os jardins comestíveis e artísticos já foram implantados em três edições no estado de São Paulo, sendo duas no Parque Guaratiba, em Guaianases, uma no Parque Ecológico Mário do Canto, em Itaquaquecetuba, e também no Rio Grande do Sul, em Caxias do Sul.
Festival Jardins Comestíveis
Após tantas experiências, o projeto chega ao centro da capital paulista em formato de festival, incorporando outras atividades, como oficinas, música e gastronomia. A vocação natural da cidade para o lado artístico se abre para uma experiência de integração entre espaço urbano, natureza e alimentação consciente. Confira abaixo a programação:
Cerimônia de abertura — quinta, 09 de outubro
- 18h30 — Abertura oficial
- 19h00 — Visita guiada pela obra Jardins Comestíveis
- 19h30 — Show musical
Sexta-feira, 10 de outubro
- Pernaltas Circo – intervenções artísticas (manhã e tarde)
- Penélope Martins – A árvore da sua infância (10h30–12h)
- Espetáculo bilíngue “O Planeta Agradece” (14h–15h)
- Oficina de compostagem caseira – 2 Rios Agrofloresta (9h–10h30)
- Oficina agrofloresta no vaso – 2 Rios Agrofloresta (11h–12h30)
- Arte Comestível – Cazita Produções (14h30–16h)
- Fotografia com celular – Mozart e Cauã Mesquita (14h30–16h)
- Painel Vivo – Dr. Bhorest (9h–16h)
Sábado, 11 de outubro
- Oficina de compostagem caseira – 2 Rios Agrofloresta (9h–10h30)
- Oficina agrofloresta no vaso – 2 Rios Agrofloresta (11h–12h30)
- Oficina Memórias do Futuro (10h30–12h)
- Oficina Horta Fácil – AdeSampa (14h30–16h)
- Cortejo de Maracatu – Coletivo Sem Nome mas Com Endereço (16h–17h)
- Arte Comestível – Cazita Produções (14h30–16h)
- Fotografia com celular – Mozart e Cauã Mesquita (14h30–16h)
- Painel Vivo – Dr. Bhorest (9h–16h)
Domingo, 12 de outubro
- Pernaltas Circo – intervenções artísticas (manhã e tarde)
- Penélope Martins – A árvore da sua infância (10h30–12h)
- Espetáculo bilíngue “O Planeta Agradece” (14h–15h)
- Oficina Memórias do Futuro (10h30–12h)
- Oficina Agroecologia e Sementes Crioulas e Guarani – UMAPAZ (9h–12h)
- Oficina Meliponicultura – UMAPAZ (9h–12h)
- Jardim Comestível – AdeSampa (14h30–16h)
- Arte Comestível – Cazita Produções (14h30–16h)
- Fotografia com celular – Mozart e Cauã Mesquita (14h30–16h)
- Painel Vivo – Dr. Bhorest (9h–16h)
- Distribuição das 700 microverdes (hortas em caixas) para cadastrados no link do perfil no Instagram @diadaterra
O projeto é realizado por meio do Promac – Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (Lei nº 15.948/2013), pela Luccat Com e Associação Dia da Terra; apresentado pela Foundever e patrocinado por QuintoAndar e Multilog, com apoio institucional da CCIFB – Câmara de Comércio França-Brasil, do Consulado da França e do Escritório do Governo do Québec em São Paulo.
Arte dos Jardins
A cada projeto, a obra de land art de Ganem ganha novos contornos. Nesta edição no Anhangabaú, a obra com mais de 1.500 caixas de plantas comestíveis formará desenhos de folhas inspirados em espécies de árvores nativas brasileiras como pau-brasil, embaúba, ipê-amarelo, jatobá e mulungu.
“O projeto é uma homenagem à floresta que existiu no local, e reforça a importância das espécies nativas e do valor do reino vegetal para a vida humana, desde o aproveitamento das folhas que caem, cuja decomposição enriquece naturalmente a terra, até o uso das caixas de madeira como ‘píxeis vegetais’, remetendo ao grafite: tudo ágil, espontâneo e ao mesmo tempo monumental, como as forças da natureza”, explica o artista. “As árvores instaladas na obra”, continua, “são uma referência a algumas das espécies nativas que existiam no local há séculos, para reflexão do que deveria ser o bioma antes da intervenção do ser humano – afinal, Anhangabaú é terra indígena.”
A instalação vai incorporar manjericão roxo, capuchinha, lavanda, orégano, alecrim, repolho roxo, alfaces americana/lisa/crespa, escarola, salsão, almeirão e couve. Ao final, as hortas nas caixas serão doadas.
Em meio a tanto cinza e concreto, os Jardins Comestíveis chegam com um respiro verde, em contraste com as superfícies duras e impermeáveis que predominam no novo Vale do Anhangabaú. A ocupação temporária oferece uma experiência sensorial alternativa e propõe um possível futuro onde o urbano e o natural coexistem de forma mais equilibrada.
Festival Jardins Comestíveis
- Local: Vale do Anhangabaú – São Paulo/SP
- Datas: 9 a 12 de outubro
- Horários: abertura 9/10 às 18h; dias 10 a 12, 10h às 19h
- Acessibilidade: evento com recursos de acessibilidade
- Atualizações de horários: consulte @diadaterra no Instagram

