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Uma das pistas reservadas para carros vai se transformar em ciclovia. Foto: Prefeitura de Nova Iorque
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Por Marcos de Sousa | Mobilize Brasil

A prefeitura de Nova York planeja fechar uma pista nas pontes de Brooklyn e Queensboro para reservá-las às bicicletas e outros veículos leves movidos a pedal. Os planos cicloviários para as duas travessias do East River – chamadas “Pontes para o Povo” – foi revelado no discurso final do prefeito Bill de Blasio na última quinta-feira (28), segundo a publicação de Emma G. Fitzsimmons e Winnie Hu para o jornal The New York Times.

Os planos são a última vitória dos defensores do transporte ativo, que têm pressionado cada vez mais o prefeito a destruir a cultura automotiva arraigada que sempre predominou nos quase 10 mil km de ruas da cidade.

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Atualmente as bicicletas dividem espaço com pedestres na Ponte do Brooklyn. Foto: Iballo | Unsplash

Durante o mandato de Bill de Blasio, as autoridades de transporte da cidade construíram quase 200 km de ciclovias protegidas, como parte dos esforços da cidade para ter 2.200 km de vias cicláveis, o que será a maior rede urbana para a circulação de bicicletas nos Estados Unidos. A gestão democrata na metrópole também expandiu o sistema de compartilhamento de bicicletas Citi Bike, hoje muito utilizada.

Um desafio novo está sendo enfrentado pelo plano de segurança para bicicletas, após um pico de mortes de ciclistas nas ruas da cidade em 2019. O plano prevê investimentos de 58,4 milhões de dólares inclui a instalação de ciclovias mais protegidas e o redesenho dos cruzamentos para torná-los mais seguros aos ciclistas.

O uso da bicicleta em Nova York, assim como em muitas cidades do mundo, disparou durante a pandemia, à medida que as pessoas buscavam alternativas ao transporte público. Foto: Christie Kim | Unsplash

A cidade tinha quase 1,6 milhão de ciclistas antes da pandemia e o ciclismo explodiu nas quatro pontes do East River em Manhattan, aumentando 55% em novembro de 2020 em comparação com no mesmo mês de 2019. O aumento fez com que os defensores da segurança nas ruas pressionassem o prefeito a ir mais longe em um momento em que a necessidade de mais espaço ajudou a impulsionar a maior mudança nas ruas em décadas.

O programa de ruas abertas da cidade se tornou um dos sucessos mais notáveis da pandemia, transformando ruas antes cheias de carros para caminhadas, ciclismo e refeições ao ar livre. Agora, a cidade finalmente resolverá as preocupações de longa data sobre a ponte de Brooklyn, que há muito tempo é conhecida como uma rota particularmente perigosa para ciclistas, e a ponte de Queensboro.

Ao anunciar o plano, a gestão de Blasio afirmou que já era hora de “trazer as duas pontes para o século 21 e abraçar a visão de um futuro sem carros, com um novo plano radical”. De acordo com o plano, a cidade proibirá os carros da faixa interna do lado da ponte do Brooklyn para Manhattan para construir uma ciclovia de mão dupla. A área de passeio existente no centro da ponte (promenade), que é elevada acima das faixas de rodagem, será usada apenas por pedestres.

Ponte de Queenboro, em Nova Iorque. Foto: Pixabay

As novas ciclovias são o resultado de décadas pressões dos ativistas que defendem o transporte ativo. “Converter faixas de carros em ciclovias em duas de nossas pontes mais importantes é um salto gigante para a cidade de Nova York”, disse Danny Harris, diretor executivo da Transportation Alternatives, um dos grupos de pressão da sociedade. “Esperamos trabalhar com a administração de Blasio neste novo projeto vital e em outros esforços para melhorar a infraestrutura para ciclistas e pedestres em pontes e ruas dos cinco bairros”, acrescentou Harris.

Obviamente, como em todo lugar, há quem seja contra as mudanças. O deputado David I. Weprin avalia que a a retirada de uma faixa dos carros nas duas pontes só irá piorar os congestionamentos quando a cidade se recuperar da pandemia e mais pessoas voltarem ao trabalho. “Ainda há muitas pessoas que dirigem para Manhattan, bem como pequenas empresas que dependem dessas pontes”, disse Weprin. “Certamente será um problema quando a cidade voltar.”

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