O governo de Calcutá, na Índia, proibiu os habitantes da cidade de andarem de bicicleta. Segundo as autoridades de segurança locais, a medida repressora é uma forma de “aliviar o trânsito” e “prevenir o terrorismo” em todos os bairros do município, que já enfrenta preocupantes índices de congestionamento diariamente.

As autoridades locais que defendem a absurda proibição relacionam o fato com a falta de infraestrutura para mobilidade urbana no município e as questões de segurança vinculadas ao passado. “Decidimos evitar que o tráfego nas vias fosse perturbado pelas bicicletas e outros veículos não motorizados que se deslocam lentamente. Além disso, existe a questão de segurança: bicicletas foram usadas no passado para instalar bombas na cidade”, declarou ao jornal italiano Corriere della Sera o chefe de polícia Hari Rajan.

Além de prejudicar milhões de pessoas que dependem das bikes no município, a medida coercitiva também impede a circulação de triciclos e riquixás, veículos improvisados puxados à tração humana, que são um tipo de serviço comum entre as castas mais baixas. Assim, a proibição piora tanto as condições ambientais, como a situação social das pessoas de baixa renda.

Calcutá é a terceira cidade mais populosa da Índia, e convive com altíssimos índices de congestionamento. Nas vias públicas, a velocidade média do trânsito é de 14 a 18 km/h, bem inferior à média do país, que gira em torno dos 22 km/h.  

A regulamentação aplicada aos habitantes da cidade indiana é alvo de críticas em várias partes do mundo. Venkatraman Ramakrishnan, indiano vencedor do prêmio Nobel de biologia, redigiu um artigo à publicação Telegraph Kolkata, demonstrando revolta contra a aplicação da medida. No texto, Ramakrishnan lembra que as grandes cidades do mundo inteiro vêm estimulando o uso das bikes, e destaca os benefícios de utilizar um veículo independente de combustível. O especialista indiano também considerou a determinação como mais uma maneira de as elites prejudicarem as classes mais empobrecidas.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.