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Sapatos criados para acompanhar o crescimento das crianças

Com base científica e materiais sustentáveis, marca britânica cria sapatos que respeitam o desenvolvimento dos pés das crianças

Foto: Divulgação | Brightland

A marca britânica Brightland decidiu repensar o calçado infantil a partir de um princípio simples, mas pouco explorado pelo mercado: os pés das crianças não são versões reduzidas dos pés adultos. Em colaboração com os estúdios de design Onward e Blond, a empresa lançou uma linha de sapatos ecológicos baseada em pesquisas científicas, com foco em apoiar o desenvolvimento saudável dos pés nos primeiros anos de vida.

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Em vez de adaptar modelos adultos em tamanhos menores, a Brightland buscou orientação de profissionais da área da saúde para garantir que seus produtos oferecessem o suporte, a flexibilidade e o amortecimento adequados para cada etapa do crescimento infantil. A coleção de estreia inclui calçados para bebês que ainda não andam e para aqueles que estão aprendendo a dar os primeiros passos, produzidos majoritariamente com materiais de base biológica, como algodão, lã e borracha curada naturalmente.

O desenvolvimento técnico dos produtos ficou a cargo da Onward, especializada em roupas esportivas, enquanto o estúdio londrino Blond foi responsável por construir a identidade da marca — do design final dos calçados à embalagem e aos gráficos digitais. “Não se tratava de inventar uma nova ciência”, disse Rebecca Kelley, cofundadora da Brightland. “Tratava-se de reunir o que já existe, levar isso a sério e aplicar de forma consistente a uma categoria que, com muita frequência, depende de versões reduzidas de designs para adultos.”

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Foto: Divulgação | Brightland

Kelley fundou a empresa ao lado de Duncan Robertson depois que os dois se conheceram na creche dos filhos e perceberam uma frustração em comum: a falta de calçados realmente adequados para os pés das crianças. A dupla aprofundou a pesquisa sobre o tema, analisando como os pés infantis diferem estrutural e funcionalmente dos pés adultos e a rapidez com que essas transformações ocorrem nos primeiros anos de vida. “Passamos muito tempo pesquisando como os pés das crianças diferem estrutural e funcionalmente dos pés dos adultos e com que rapidez essas mudanças ocorrem nos primeiros anos de vida”, afirmou Kelley à Dezeen.

O processo de desenvolvimento incluiu a consultoria do podólogo biomecânico Mick Habgood, especialista em desenvolvimento dos pés, e da cirurgiã ortopédica consultora Tofunmi Oni, especialista em ossos e articulações. Os estudos indicaram que crianças precisam de mais flexibilidade e espaço para os dedos, em contraste com o amortecimento firme típico dos calçados adultos.

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A pesquisa também apontou riscos associados ao uso de sapatos inadequados, como deformidades — entre elas, joanetes e pés planos — além de impactos que podem se estender para costas, joelhos e tornozelos. Estima-se que cerca de 70% dos problemas nos pés de adultos tenham origem na infância. “Os pés das crianças não precisam de uma estrutura rígida; eles precisam de liberdade para se moverem com eficiência, com espaço para os dedos se espalharem”, disse Kelley. “Eles precisam de uma base estável, não de amortecimento excessivo que interfira no desenvolvimento muscular e na biomecânica desde a base”.

Com base nesses princípios, os fundadores da Onward, Miles Gibbons e Jon Freeman, ajudaram a Brightland a atender às necessidades específicas de cada fase do desenvolvimento infantil, seguindo o que chamam de “princípios minimalistas”. Dessa abordagem, surgiram duas linhas distintas. A coleção Rise foi criada para bebês que estão aprendendo a ficar em pé e a dar os primeiros passos. “Os movimentos deles são hesitantes, o ritmo ainda não está estabelecido e a fadiga chega rapidamente”, explicou Kelley. “Nesta fase, os calçados precisam ser extremamente flexíveis, leves e confortáveis — oferecendo uma proteção suave sem atrapalhar os movimentos.”

Já a coleção Wander foi pensada para crianças que começam a andar com mais confiança e de forma independente. “Os passos deles ficam mais longos e consistentes, e eles começam a mostrar um padrão mais nítido do calcanhar aos dedos”, acrescentou. “Isso exige um calçado que ainda priorize a flexibilidade, mas que ofereça mais proteção e resistência para o uso diário ao ar livre.”

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A Brightland afirma que seus calçados são produzidos com 97% de materiais de base biológica — uma porcentagem superior à de qualquer marca concorrente de calçados infantis. Dois desses materiais foram desenvolvidos pela Natural Fiber Welding (NFW), empresa de inovação em materiais. As solas utilizam Pliant, uma borracha de alto desempenho com cura natural, enquanto o cabedal combina lã e algodão com Mirum, uma alternativa ao couro natural. Apenas as costuras são feitas de poliéster.

Foto: Divulgação | Brightland

“Os sapatos infantis são usados por um curto período de tempo, mas muitas vezes são feitos de materiais sintéticos derivados de combustíveis fósseis que persistem no meio ambiente por séculos”, disse Kelley. “Nossa escolha de materiais prioriza o conforto, a respirabilidade e a compatibilidade ambiental, sem deixar de atender às exigências de desempenho do calçado.”

A identidade visual criada pela Blond reforça essa combinação entre ciência, sustentabilidade e universo infantil. O estúdio desenvolveu uma estratégia completa para o uso de cores, tipografia, logotipo e mensagens alinhadas aos valores centrais da Brightland. Uma tipografia personalizada dá personalidade ao logotipo, enquanto um rosto sorridente de cabeça para baixo funciona como um ícone reconhecível, pensado para representar o “otimismo divertido” da marca.

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A paleta de cores sem distinção de gênero mistura tons suaves com um verde-limão neon e se estende aos próprios calçados. Alças em lilás, laranja e azul ultramarino contrastam com os tons terrosos da lã tricotada e da borracha, enquanto o ícone aparece tanto nas solas quanto em uma etiqueta cuidadosamente costurada. “A Brightland é mais do que uma marca de calçados infantis; é uma resposta a uma necessidade real: sapatos que acompanham o crescimento dos pezinhos e que apoiam um consumo mais sustentável”, disse James Melia, fundador da Blond.