Realizado em São Paulo, o projeto Zona Verde vai transformar em áreas de convivência duas vagas para automóveis a partir da próxima quinta (15). Abastecidos com energia solar, os espaços serão iluminados com LED e oferecerão paraciclos, paisagismo, bancos e guarda-corpos para reforçar a segurança dos frequentadores.

 A inspiração para a versão paulistana dos parklets – projetos de intervenção em vagas que apropria estes espaços para ciclistas e pedestres – surgiu em 2010, logo depois que o presidente do Instituto Mobilidade Verde, Lincoln Paiva, observou a tendência em São Francisco, nos EUA. No entanto, as autoridades públicas só agora permitiram a realização do projeto, patrocinado pelos organizadores da Design Weekend, evento de inovações e tendências em arte, design e engenharia que chega à sua segunda edição.

As vagas participantes do projeto fazem parte do Zona Azul, tanto em Higienópolis (Rua Maria Antônia, 294), como no Itaim Bibi (Rua Aumari, 255)  e vão ficar impróprias para automóveis por apenas três dias – segundo apontam os realizadores da ação, o objetivo do projeto é provocar debates sobre a apropriação dos espaços públicos. "Parklet é o conceito americano […] Então vamos chamar de zona verde, como contraponto à Zona Azul. Onde era para parar o carro, as pessoas vão parar para convivência”, explicou Lincoln Paiva à Folha.

Por enquanto, a quantidade de parklets ainda é bem limitada, mas, em outubro, haverá uma segunda etapa do projeto, que prevê a instalação de 20 zonas verdes espalhadas em São Paulo ao longo do mês inteiro. "Vamos fazer pesquisas para avaliar como a cidade responde a essas intervenções e entregar para a prefeitura", comentou Paiva, com expectativa de que a prefeitura um dia crie estes espaços para a população.

Patrocinados pela Design Week, as duas vagas transformadas em áreas de convivência foram projetadas pelo coletivo Design OK em parceria com o grupo Gentilezas Urbanas e os escritórios H2C e Zoom. Os criadores das zonas verdes contam que ocupar as vagas para automóveis não foi tarefa fácil. Levou seis meses até sair o aval definitivo, e, neste tempo, a iniciativa foi analisada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pela comissão que fiscaliza a Lei Cidade Limpa.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.